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sexta-feira, 20 de março de 2020

Diário de Bordo Angola, dia 04/01

Eram pouco mais de 2h da manhã quando despertamos. Logo começou a chover.
Às 3h estamos apostos, na porta do prédio, aguardando os carros que nos levarão ao aeroporto.
Aos poucos a chuva vai aumentando. Andamos de um lado para o outro. Alguns sentam em suas malas. Nada de nossas caronas. Não chove mais apenas, agora é uma tempestade. Oramos.
Olhamos pela porta de vidro. Mal conseguimos enxergar lá fora. Vemos a água fazendo ondas quando sai do canteiro e entra na rua. Relâmpagos e trovões.
Será que vamos perder nossos vôos?
Ninguém atende o celular. Nem respondem o whatsapp.
Coração disparado.
Depois de mais de uma hora de espera, a chuva diminui.
Ficamos entre alguém ir até o lugar onde está nossa carona ou não. Finalmente, dois resolvem ir. Na chuva.
São pouco mais de 4h30 quando os carros chegam. Não estão com os que foram atrás deles. Colocamos as malas nos porta-malas. Ainda chove. Entramos apressados nos carros.
Vamos andando devagar, até encontrar nossos amigos.
Meu nervoso já passou. Meu medo de perder o avião também. Agora, estou na fase "seja o que Deus quiser". Sei que deveria estar calma desde o princípio. Simplesmente não consegui. Não vejo a hora de chegar em Benguela. Já não sei se conseguiremos ir hoje.
O aeroporto é muito distante. O carro que vai à frente do nosso, de repente, para.
Nossa anfitriã salta correndo. Tenta abrir a porta do nosso carro. Está fechada. Ansiosa ela pergunta se nosso motorista consegue acompanhá-la. É preciso correr. Se não, perderemos os vôos. Ela está prestes a saltar por cima dele e tomar o voltante.
É uma cena engraçada. Tenho que rir, apesar de todo meu nervoso.
Ele diz que consegue. Ela volta correndo ao carro. E dispara.
As ruas estão praticamente desertas, porém alagadas. É necessário cuidado para dirigir. E perícia. Estamos em uma SUV. Não conheço esse modelo, não sei o nome. Ainda assim, ela balança.
Após uma curva, vemos um caminhão enorme (enorme mesmo), entrar em uma rua. Ele fica inteiro na estrada. É preciso frear. O carro que estamos encosta no carro da frente. Não tenho certeza se chegou a bater. Se não bateu, foi, como dizemos no Brasil, por "um beiço de mosquito". Meu coração acelera novamente. Os carros também.
Enfim, chegamos ao aeroporto. Cada grupo corre para despachar suas bagagens. Não conseguimos nem nos despedir do outro grupo. Estamos atrasados, eles, mais ainda. Correndo, nos despedimos de nossos anfitriões. Foi um tempo bom, de comunhão, em Luanda.
Passamos pelas barreiras até chegar ao nosso portão. Ufa!
Finalmente podemos respirar aliviados. Ainda não fomos chamados.
A menina que nos atendeu no despacho, é a mesma que está no portão de embarque. Perguntamos se temos um tempinho. Nossos estômagos estão "a roncar".
Rapidamente tomamos um café e comemos um pão.
Vamos para a fila. Entramos.
Fico separada de meus amigos. Sozinha. No fim do avião.
Não tenho medo mas, esse voo foi um dos piores da minha vida. O avião chacoalha como se fosse uma carroça em estrada de terra. Estamos no meio de uma tempestade.
Penso que o Senhor não permitiria que eu viesse até aqui para não fazer algo. E me aquieto. Ainda que chacoalhando no banco. Nem consigo ler.
Finalmente, vamos aterrizar. O aeroporto é ao lado do mar. Em Catumbela. Na mesma cidade onde fica a JOCUM. O mar é escuro e calmo. Não está chovendo. Ainda é cedo.
Descemos aliviados.
Gratos ao Senhor por estarmos em nosso destino pelos próximos dois meses.
Hoje é sábado. Segunda, nosso trabalho, começa.
Alguém nos espera.
Enfim, vamos à JOCUM.
Amanhã, continuo.

Diário de Bordo Angola. Dias 01 a 03/01/2020

Durante esses dias, dormimos em um apartamento no Kilamba e passamos o dia no apartamento alugado para a equipe, também em Kilamba.
Temos orado e nos organizado para a distribuição das equipes.
Nossas intercessões têm sido maravilhosas.
Tive uma experiência muito intensa enquanto intercedíamos por Huambo.
O Senhor me mostrou uma terra muito devastada. Muitas paredes quebradas. Um cenário de guerra. E a promessa de restauração a essa terra. Isaías 61.
Foi maravilhoso receber essa palavra, sem saber que Huambo foi o centro da guerra em Angola. Uau! O Senhor ama esse país. Profundamente.
Creio que Angola se levantará como grandes carvalhos que o Senhor plantou para Sua glória.
Dia 03, sexta-feira, um grupo já viajou para Lubango. De madrugada um grupo vai para Huambo. O outro, para Benguela.
Coração nem bate mais. Ele salta, canta e dança.
Benguela nos espera.
Que surpresas o Senhor tem naquela província para nós?
A aventura vai, finalmente, começar.
Continuo amanhã.

Diário de Bordo Angola, dias 31/12 e 01/01/2020



Chegamos no bairro que ficaremos nos próximos dias. Em Luanda.
É chamado de "Centralidade". São vários prédios, como se fosse um condomínio. O nome do lugar é Kilambo. São construções simples. Boas. Um lugar bem agradável. Foi construído para facilitar a moradia dos angolanos.
Somos recebidos por um casal da JOCUM. Extremamente agradáveis. Simpáticos. Lindos.
A mesa está posta. Com primor. Uma plaquinha nos dando as boas-vindas.
Finalmente vamos tomar o café da manhã. Aqui, chama "pequeno almoço", como em Portugal. Ou, "mata bicho". Gostei mais desse nome.
Estamos todos exaustos.
Um grupo ainda ficou para trás.
Deitamos no chão e no sofá até à hora do almoço.
Experimentamos um suco angolano. De mukua. É muito popular por aqui. O gosto não me agradou muito. Não conheço essa fruta.
Estamos sem luz. Sem água.
No banheiro há um enorme balde com água para tomarmos banho.
Após o almoço, nos esparramamos para descansar mais um pouco.
No aeroporto trocamos nossos chips, mas estão sem crédito. Alguns saem para comprar. Estamos ansiosos para falar com nossas famílias. É o último dia do ano.
O último grupo chega.
Nos arrumamos para o Reveillon. Nossa mesa é simples. Não importa.
Estou na África. Mal consigo acreditar.
Meu coração é completamente grato ao Senhor. Nunca poderia imaginar que Sua promessa, feita em abril, seria cumprida ainda esse ano. Estou novamente na África! Agora, a África que sempre sonhei pisar. E amar.
Compartilhamos a mesa. E a ceia.
Logo um casal angolano chega com seus filhos. Quanta alegria! Trazem alimentos deliciosos.
Não cabem todos no apartamento onde estamos. Vou dormir no apartamento deste casal. É próximo. Podemos voltar amanhã para a reunião, a pé.
O apartamento deles é aconchegante. A família uma delícia. Os filhos maravilhosos. Apaixonei.
Enfim, deitamos em uma cama confortável.
Amanhã é um novo dia. Um novo ano.
Surpresas virão.
Nosso Senhor é bom. Ele é bom demais.
Continuo amanhã. Espero você.

Até lá.

Diário de Bordo Angola, dias 30 e 31/12/2019

O avião pousou. O Comandante deu as boas vindas.
Estou em Angola. Mas, parece que o aeroporto é terra de ninguém. Lembro de Tom Hanks, no filme O Terminal. Só vou acreditar quando sair.
Foi demorado sair do aeroporto. Fui a última a ter meu passaporte carimbado. A última!
E, depois, ainda ficamos detidos um tempo por causa da bagagem.
Enfim, saímos.
Cada cidade tem um cheiro diferente. Luanda.
Não era como imaginava.
O trânsito é uma loucura. Ou, pelo menos, nosso motorista ê.
Passamos por avenidas largas. Muitas passarelas. Muita gente linda na rua. O mar ao longe.
Parece que o céu é diferente. Mais claro. Mais próximo. A água do mar, mais viva.
O trânsito, cheio de motos e vans. Lotadas. Não vejo ônibus.
Olho para todos os lados tentando absorver o máximo de detalhes que meus olhos e cérebro consigam. Que meu coração consiga.
Enquanto vamos para o local onde ficaremos reunidos nos próximos dias, vemos um grupo de mulheres entrando no cemitério.
Fico abismada. E encantada. Estão todas com roupas coloridas. Enfeites na cabeça, do mesmo tecido que suas roupas. Não sei como conseguem amarrar os enfeites. Só sei que são lindos.
Elas cantam e dançam alegremente. Parece uma festa.
Meu coração cede mais um pouco de espaço a esse povo lindo, pelo qual sou apaixonada.
Último dia de 2019. Estou em Angola. Parece inacreditável.
Como será meu réveillon? Família e amigos do outro lado do Oceano.
Que surpresas me aguardam em 2020?
Continuo amanhã.
Espero você. Até lá

Diário de Bordo Angola, dia 30/12/2019


.Não dormi nada. Coração a mil.
Que meu abraço abençoe.
Despedi dos meus queridos. Queria que todos fossem comigo.
O voo até São Paulo foi tranquilo.
Passei o dia no aeroporto em Guarulhos.
Encontramos a equipe.
Vamos ficar uns dias em Luanda. Depois, nos dividiremos.
Meu coração está aos pulos.
Quando vi o avião, minha vontade era ir dançando, cantando, pulando.
Minha amada Angola, finalmente aí vou eu.
Que surpresas me esperam na terra que tanto amo?