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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Neemias, um homem de discernimento

Estamos agora no capítulo seis de Neemias. À medida que avançamos nossa admiração vai aumentando.

Neemias, um homem de Deus.

Se você ainda não leu “Neemias, um homem de oração”, “Neemias, um homem de organização” e “Neemias, um homem de autoridade”, antes de continuar conosco, leia. Com certeza, será muito bom.

Ao verem a obra que Neemias estava fazendo em favor de Jerusalém, seus inimigos se levantaram. Tramando matá-lo, enviaram mensagem “convidando-o” a encontrar-se com eles num dos povoados da planície de Ono.

Sua resposta: “Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês?”

Mandaram a mesma mensagem por quatro vezes e por quatro vezes Neemias deu-lhes a mesma resposta. Não satisfeitos, enviaram um homem da confiança deles, com uma carta aberta, cheia de ameaças. Uma carta aberta podia ser do conhecimento de todos, não era lacrada. Seu conteúdo dizia que os judeus estavam tramando uma revolta e Neemias seria declarado rei em Jerusalém. E pior, essas informações seriam enviadas até ao rei Artaxerxes, a não ser que Neemias fosse conversar com eles.

Neemias percebeu que a intenção de seus inimigos era intimidar a todos, enfraquecendo-os e assim impedir a conclusão da reconstrução do muro. Ele não se desesperou. Não se abalou. Simplesmente respondeu: “Nada disso está acontecendo. Isso é mentira.” E voltou-se para quem poderia socorrê-lo. Orou. Clamou ao Senhor. Não que seus inimigos fossem destruídos mas que as suas mãos fossem fortalecidas para que completasse a obra.

Um dia Neemias foi à casa de Semaías. Este estava trancado em sua casa e fez a seguinte proposta: “Vamos encontrar-nos na casa de Deus, no templo, a portas fechadas, pois estão querendo matá-lo; eles virão esta noite.” – Neemias 6.10b

Ah, que atitude Neemias teve! Em meio à ameaça de morte, recusou-se a entrar no templo, o que não lhe era permitido. Não era levita ou sacerdote. E respondeu ousadamente a Semaías: “Acha que um homem como eu deveria fugir? Alguém como eu deveria entrar no templo para salvar a vida? Não, eu não irei!” – Neemias 6.11

Um homem de oração como Neemias não fugia. Uma homem que sabia quem era e qual o seu lugar, não fugia. Orava, analisava, planejava e enfrentava o que precisasse, confiando no Senhor.

O texto nos conta que Neemias percebeu que Deus não havia enviado Semaías. Ele profetizou contra Neemias. Seus inimigos haviam-no contratado para tal. Havia sido pago para intimidá-lo, para que pecasse, fosse difamado, desacreditado, desmoralizado. E não concluísse a reconstrução do muro.

O texto segue contando que não apenas esse Semaías, mas uma profetiza chamada Noadia e outros profetas estavam tentando intimidá-lo. Neemias orou pedindo que o Senhor se lembrasse dessas pessoas. Não pediu a morte de seus inimigos, apenas que o Senhor se lembrasse delas. A sentença, seja qual fosse viria do Senhor, de acordo com a Sua vontade e não de acordo com a vontade de Neemias.

O muro ficou pronto em apenas cinquenta e dois dias. Quando os inimigos souberam dessa notícia ficaram atemorizados. Perceberam que essa obra havia sido executada com a ajuda de Deus. Impossível não reconhecer!

Tobias continuou enviando cartas intimidadoras. Muitos judeus estavam comprometidos com ele por juramento e até elogiavam-no na frente de Neemias. Mas este não se deixou intimidar. Sabia em quem confiava, no Deus verdadeiro.

Aprendamos com Neemias. Um homem que conseguia manter a calma mesmo quando era ameaçado de morte. Mesmo quando as ameaças eram reais e envolviam acusações mentirosas de traição. Aprendamos a ter discernimento. A reconhecer quem é de Deus e quem não é. Aprendamos a dar as respostas corretas. Aprendamos a nos calar, se necessário. E a não fugir. A enfrentar as situações que nos aparecem. A conhecer ao Senhor e à nossa identidade, nosso chamado e missão. Aprendamos a saber qual o nosso lugar, o lugar onde o Senhor nos plantou. E ainda que as ameaças continuem, aprendamos a continuar nossa obra, nosso sonho, nosso projeto. Aprendamos a ouvir a voz de Deus e não a dos homens, ainda que eles “falem em nome de Deus.”

Aprendamos.

Em breve passearemos pelo capítulo sete de Neemias. Espero você.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Neemias, um homem de autoridade

Vamos continuar caminhando pelas páginas de Neemias?

Espero que tenhamos aprendido com ele até aqui.

Se você ainda não leu “Neemias um homem de oração” e “Neemias um homem de organização”, seria interessante ler. Estamos agora no capítulo cinco desse maravilhoso livro.

A Bíblia nos conta que o povo começou a reclamar a falta de dinheiro para se alimentar e o fato de terem suas terras e seus filhos vendidos por não terem conseguido honrar seus empréstimos. Uma situação terrível. Haviam pego dinheiro com juros de seus próprios compatriotas!

Quando Neemias ouviu, ficou furioso! A ira de Deus veio sobre ele.

É muito importante aprendermos aqui. Ficou furioso, mas não agiu. Primeiro fez uma avaliação de tudo. Só então, avaliação feita, questão analisada e comprovada, repreendeu os nobres e os oficiais. Ficou indignado por estarem cobrando juros de seus compatriotas, o que era proibido. E fez uma reunião contra eles.

Era inadmissível que estivessem vendendo seus compatriotas quando os do exílio compraram aqueles que haviam sido vendidos como escravos aos outros povos. Os nobres e oficiais ficaram calados, não havia o que responder diante de tão grande absurdo. Neemias continuou mostrando o grande erro que estavam cometendo. E os exortou a andar no temor do Senhor. Todos os povos deviam olhar para eles e ver uma cultura diferente, um bom exemplo a ser seguido. O próprio Neemias e seus irmãos estavam emprestando do seu dinheiro ao povo, sem a cobrança de juros.

Ele os convocou a acabar com a cobrança, devolver imediatamente o que havia sido tomado, terras, vinhas, oliveiras e casas. Os nobres e oficiais responderam que obedeceriam ao pedido de Neemias.

Neemias os fez jurar solenemente que cumpririam a promessa feita. Que autoridade tinha esse homem! Um homem que ao se irar, não se deixava dominar pela ira, mas examinava a situação, julgava o correto e apontava a solução.

Leia você mesmo: “Também sacudi a dobra do meu manto e disse: Deus assim sacuda de sua casa e de seus bens todo aquele que não mantiver a sua promessa. Tal homem seja sacudido e esvaziado! Toda a assembleia disse: “Amém!”, e louvou o Senhor. E o povo cumpriu o que prometeu.” - Neemias 5.13

Diante de palavras tão duras, louvaram ao Senhor. Era evidente a autoridade de Deus na vida de Neemias.

Neemias também era um homem de exemplo, por isso podemos olhar para ele e vermos o Senhor em sua vida. Durante os doze anos em que foi governador, não comeu a comida que lhe era destinada pois o povo já estava sendo muito oprimido. E ele mesmo alimentava cento e cinquenta homens, além daqueles das nações vizinhas que iam visitá-los. Sem contar, como já vimos anteriormente, sua dedicação pessoal à reconstrução do muro.

Sua oração era que o Senhor se lembrasse dele, por tudo que fez pelo povo.

Ainda há muito o que falar e aprender com esse homem. Mas gostaria de parar aqui e mais tarde retomarmos no capítulo seis.

Neemias, um homem que sabia transformar sua ira em ação corretiva, com resultados, pois analisava toda a situação que lhe era apresentada. Não agia por impulso e sim embasado na Palavra de Deus. Um homem que não usava sua autoridade para oprimir e sim para abençoar. Um homem que se preocupava com a situação do povo e não apenas dos nobres e oficiais. Um homem que não temia confrontar os erros dos grandes. Que alimentava e não extorquia. Que trabalhava lado a lado com o povo. E um homem que continuava em oração diante de seu Deus.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Neemias, um homem de oração

Neemias é um dos meus livros favoritos. Já li muitas e muitas vezes. Sempre aprendo algo novo. Dessa vez, a identidade de Neemias foi despertada em meu coração. Que homem admirável! Que grande exemplo a ser seguido. Que zelo!

Vamos comigo percorrer as páginas desse maravilhoso livro? Estou certa de que você não irá se arrepender.

A história começa com a chegada de Hanani, à cidade de Susã, uma das capitais do império persa, na época de Artaxerxes. Hanani volta de Judá e Neemias pergunta como estavam os judeus que restaram e sobre Jerusalém.

Quando Hanani faz o relato, dizendo que estavam passando por grande sofrimento e humilhação, o muro de Jerusalém havia sido derrubado e suas portas queimadas, Neemias sentou-se e chorou.

Vamos tentar imaginar a cena? Neemias era o copeiro do rei, um homem que ocupava um cargo da mais alta confiança. Um cargo de alta periculosidade. Era quem experimentava o vinho do rei e caso estivesse envenenado, seria ele quem morreria, e não o rei. Esse Neemias, corajoso e valente, sentou-se e chorou quando ouviu o relato dos filhos de Israel sobre a destruição de Jerusalém. Mas não ficou só nisso.

Neemias passou dias lamentando-se, jejuando e orando ao Senhor. Ele clamou por misericórdia e perdão. Confessou os pecados do povo de Israel e pediu que o Senhor se lembrasse das palavras ditas a Moisés. Durante esse tempo de oração, algo foi sendo gerado no coração de Neemias. Um profundo desejo de ir à Jerusalém e reconstruir a cidade. Então, chegou o dia em que deveria fazer um pedido audacioso ao rei Artaxerxes. Clamou ao Senhor que fosse bem-sucedido, e que alcançasse benevolência do rei. E foi ao seu trabalho.

Como sempre, Neemias levou o vinho ao rei, depois de prová-lo. O rei percebeu algo diferente. Neemias estava triste. Nunca antes ele estivera triste em sua presença Neemias era um exilado em terra estrangeira, porém servia ao rei com alegria. Ele não conhecia a palavra “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”. – Colossenses 3.23, mas era o que fazia. Isso é fácil de ser comprovado porque o rei percebeu que ele estava triste, e mais, percebeu que era tristeza do coração.

Neemias, ousadamente respondeu que era impossível não estar triste com a situação em que se encontrava Jerusalém. Ao que o rei imediatamente lhe perguntou: O que você gostaria de pedir? Que copeiro tem uma consideração tão grande direcionada para ele? Ele era o copeiro do rei da Pérsia! E o rei estava perguntando o que ele estava querendo pedir! Ocupava uma posição de confiança mas não de poder.

Neemias, que já havia passado dias em oração e jejum, exatamente com esse propósito, elevou mais uma oração ao Senhor. Aquelas “orações-flechas” que fazemos em milésimo de segundo, quando não temos mais nenhum tempo. Ah, mais o cálice da oração de Neemias já havia transbordando. Ele sabia o que iria pedir. Aquilo que o Senhor havia colocado em seu coração durante todos aqueles dias de oração. Ousadamente pediu que o rei concedesse que fosse à Jerusalém para reconstruí-la. O rei respondeu com uma pergunta: Quando você voltará? Artaxerxes iria ficar sem Neemias, um servo fiel, de total confiança. Precisava saber quanto tempo, para resolver se concordaria ou não. Neemias então combinou um tempo com o rei, que concordou. Neemias voltou à Pérsia doze anos depois! Doze anos de “licença para tratar de assuntos pessoais”. Que benevolência alcançada! E que ousadia em pedir algo tão grandioso.

Mas Neemias não parou por aí. Acrescentou outros pedidos a este. Pediu para levar cartas aos governadores da região, para que pudesse passar até chegar a Judá. Os tempos eram difíceis. As estradas perigosas. E os governadores desconfiados. Pediu também uma carta para o guarda da floresta do rei, para que este fornecesse madeira para as portas da cidade e para a residência que ocuparia, enquanto estivesse em Jerusalém.

Neemias reconhece que em função da bondosa mão do Senhor estar sobre ele, o rei atendeu aos seus pedidos. Mas o rei, não satisfeito com os pedidos de Neemias, ainda enviou uma escolta de oficiais do exército e cavaleiros para que o acompanhasse.

Se o livro terminasse assim, já teríamos muito o que aprender. Mas estamos apenas no começo. Neemias ainda nem saiu da Pérsia.

Normalmente essa viagem levava cerca de quatro meses. Neemias chegou a Jerusalém e depois de três dias, saiu de noite com alguns amigos. Não, ele não foi festejar. Ele ainda não havia falado absolutamente nada a ninguém sobre o que o Senhor colocara em seu coração que ele fizesse por Jerusalém.

Quando gastamos tempo com o Senhor, em jejum e oração, acredite, o Senhor coloca algo em nossos corações. Não saímos de sua presença sem sermos tocados. Não há como sair de sua presença sem um desejo em nosso coração. Uma tarefa nos espera. Não saímos incólumes. Algo sempre nos acontece.

Neemias examinou o muro em toda a sua extensão, vendo tudo que havia sido derrubado, assim como as portas destruídas pelo fogo. Então, somente após examinar a situação em sua totalidade, reuniu aqueles que conclamaria para realizar a obra. Ele os lembrou da situação terrível de Jerusalém e os chamou para reconstruírem os muros, para que saíssem daquela tão grande humilhação. Além disso, Neemias lhes contou como o Senhor havia sido bondoso para com ele, fazendo com que achasse graça aos olhos do rei.

“Eles responderam: ‘Sim, vamos começar a reconstrução’. E se encheram de coragem para a realização desse bom projeto.” – Neemais 2.18b

Mas, sempre há um mas, Sambalate, Tobias e Gesém zombaram deles e os desprezaram. E lhes perguntaram se estavam se rebelando contra o rei. Uma ameaça velada havia em suas palavras.

Neemias assegurou-lhes que o Senhor os faria bem-sucedidos. E que eles começariam a construção.

Estamos apenas no capítulo dois de Neemias. Pare um pouco e pense. Quantas qualidades podemos observar nesse homem, em apenas dois capítulos?

Neemias era um homem de oração. Um homem que se importava com o que o Senhor se importava. Que se permitia ser tocado. Sensível. Audacioso. Corajoso. Um servo fiel, que trabalhava com diligência. Alguém que sabia planejar, que examinava a situação de perto, “in loco”. Reconhecia a bondade do Senhor e Sua mão sobre ele. Dependente do Senhor.

Ah, mas há muito mais sobre Neemias. Ainda temos onze capítulos pela frente. O que nos espera? O que mais podemos aprender com ele? Que tal continuarmos nossa jornada?

Conto com você. Continuamos em breve. Até lá.