segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A criatividade de Deus é ilimitada

Ainda falando sobre as estratégias do Senhor.

Volto a Gideão e vejo os trezentos contra um incontável exército montado em camelos. Percorro I Samuel novamente, meu livro preferido. E me encontro com Jônatas, a quem tanto amo.

E tenho que falar novamente desse admirável guerreiro. 

“Um dia, Jônatas ordenou ao seu jovem escudeiro: Vamos, atravessemos até o posto avançado do exército filisteu que está posicionado do outro lado.” – I Samuel 14.1

Todos estavam parados. Esperando que algo acontecesse. Jônatas tomou uma atitude. Foi, juntamente com seu escudeiro. Passaram por desfiladeiros e penhascos. E Jônatas propôs ao seu escudeiro que avançassem até onde os filisteus estavam. Ele sabia tudo o que precisava saber. “Não existe nada que possa impedir a vontade de Yahweh de nos dar a vitória, quer sejamos muitos ou poucos!” – I Samuel 14.6

Para o Senhor agir, não há necessidade de um grande exército. E aqui quero dizer que não há necessidade de quase nada. Só uma coisa é necessária: a vontade do Senhor! E, como sempre falo, alguém disponível.

O Senhor possuía uma estratégia para libertar o povo de Israel do Egito. E encontrou Moisés. Que aceitou o chamado.

O Senhor possuía uma estratégia para libertar o povo de Israel dos midianitas. Encontrou Gideão. Que aceitou o desafio.

O Senhor possuía uma estratégia para libertar o povo de Israel dos filisteus. Encontrou Jônatas. Que soube agir.

O Senhor é criativo. Criatividade faz parte de Sua natureza. Pode agir de diversas maneiras, conforme lhe apraz. Não há limite para o Criador de todo o Universo.

Então, voltemos a Jônatas. Ele e seu escudeiro foram até o acampamento dos filisteus. Jônatas teve uma ideia. Não havia tempo para novelo seco, novelo molhado como no caso de Gideão. Ou esperar alguém ter um sonho. Ou qualquer outra coisa. O exército estava ali. Diante dele. Havia uma decisão a ser tomada. E deveria ser imediata. Jônatas propôs duas alternativas ao Senhor. Não sem se expor. Ah, acredite, esse tipo de exposição agrada ao coração de Deus.

Eis o que propôs: “Partiremos na direção deles, de peito descoberto.” Há batalhas, situações, que precisamos enfrentar de peito descoberto. Nós, o Senhor e a coragem. “Se aqueles homens nos advertirem: ‘Não vos movais até que cheguemos perto!’, ficaremos parados e não avançaremos sobre eles. Entretanto, se nos convidarem: ‘Subi até nós!’, então subiremos, porque é sinal que Yahweh nos dará a vitória e os entregará em nossas mãos!” Simples assim. Não sei o que aconteceria se os filisteus falassem para eles não se moverem. Era um risco que Jônatas estava disposto a correr. Muitas vezes, riscos são necessários. É preciso prevê-los e aceitá-los ou não.

Bem, não era tão simples se você pensar exatamente naquela cena. O exército dos filisteus acampados contra Israel. Uma guarnição inteira em Micmás. Todos armados. O exército de Saul, apenas seiscentos homens. Só Jônatas e Saul tinham espadas. Mais ninguém. E, de repente, dois homens, apenas um com espada, resolvem aparecer de peito descoberto diante do inimigo. Que disposição e coragem!

Mas foi o que Jônatas fez. Confiando que o Senhor pode livrar com muitos ou com poucos. Com armas ou sem. E os filisteus gritaram que eles fossem até lá. Nesse momento Jônatas entendeu e afirmou ao seu escudeiro: “Conserva-te atrás de mim, porque Yahweh acaba de entregá-los nas mãos de Israel.” Como? Não importa! Era o Senhor quem faria. E ele foi. Engatinhando. Seu fiel escudeiro atrás. Um só coração. Uma só vontade.

Jônatas sabia quem era. Seu escudeiro e ele, peito descoberto, avançaram sobre os filisteus. A informação que precisava, era sua. O Senhor havia entregue os filisteus nas mãos de Israel. Jônatas ia atacando e derrubando os filisteus e seu escudeiro os ia matando. Mataram cerca de vinte homens. Mas o exército era enorme!

Então, há como amo esses “então” que encontramos na Bíblia, um terrível pavor tomou conta de todo o exército filisteu. Tenho que rir. Em I Samuel 14.15, fala que o pavor atingiu os que estavam no acampamento, no campo, nos destacamentos e até nas tropas de ataque. Ocorreu um terremoto e grande medo de Deus caiu sobre todos.

Deus fez sua parte! Depois que Jônatas se expôs e cheio de coragem enfrentou os filisteu, de peito descoberto.

Do outro lado, as sentinelas de Saul observaram que os soldados filisteus se debatiam e corriam para todos os lados, desnorteados.

Naquele tempo a arca da aliança estava no meio de Israel e era o costume perguntar a orientação do Senhor, diante dela. Saul pediu ao sacerdote que trouxesse a arca para saber o que fazer mas, enquanto o sacerdote foi buscar, o tumulto no acampamento dos filisteus crescia de uma maneira tão violenta que não havia mais dúvidas. Deus estava nesse negócio. Saul falou ao sacerdote que não precisava de outra resposta. A resposta estava diante dele. Bem à sua frente.

Naquele momento, Saul e seus homens partiram para o local de batalha. Ao chegar lá, encontraram todos em total confusão, atacando uns aos outros. Alguns hebreus que estavam ali, desertaram e ficaram ao lado de Saul. E o povo os perseguiu. I Samuel 14.23 afirma que o Senhor concedeu plena vitória a Israel naquele dia.

Muitas vezes pensamos e até esperamos que o Senhor nos responda com fogo ou sei lá mais o quê, mas suas respostas podem vir das maneiras mais diversas. 

Sempre volto ao Salmos 32.8 onde o Senhor fala que nos guiará com os Seus olhos. Não é raro que as respostas que procuramos nos venham de maneira muito mais simples e diversa do que esperamos.

Precisamos conhecê-Lo para que aprendamos a discernir Sua vontade. O quê, o como e o quando sempre vem depois de com quem. Ele deve ser nosso objetivo. Sua presença em nós e conosco. Seu altar restaurado em nós. Todos os outros altares derrubados, extintos. Assim, ou como lemos acima, “então”, Ele nos concederá plena vitória. 

Precisamos ter coragem como Jônatas e seguir em frente. Em toda circunstância. A cada dia. Se somos com Ele, certamente Ele será conosco.

"E eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." - Mateus 28.20



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Deus, um estrategista totalmente confiavel

A última vez que o vimos, Gideão estava animado. Lá em Juízes, capítulo sete.

Após escutar a narração do sonho do midianita e sua interpretação, ajoelhou-se e glorificou a Deus.

Chegou ao acampamento e bradou: “Levantai-vos, porque o Senhor entregou todo o arraial dos midianitas nas nossas mãos!”

Finalmente, o COMO vencer será revelado.

E eu que amo mapas, planos e estratégias, leio com a maior atenção. E fico intrigada. Que estratégia é essa? Será que dará certo? É tão diferente! E minha mente se enche de novas perguntas. Quando foi revelada? Quando surgiu?

Releio a história novamente. Desde seu início. O Senhor o chama de guerreiro valente. Diz que está com ele. Ordena que liberte Israel dos midianitas. Que derrube o altar de Baal e o poste de Asera. Ordena que ofereça um holocausto. Fala que há muito povo para a guerra, que os covardes voltem e observem. E que Gideão leve os que restaram para beber água. Ele mesmo, o Senhor, irá provar e escolher os que participarão da guerra. Escolhe. Manda Gideão atacar mas, se estiver com medo, que desça ao acampamento dos inimigos.

Não encontro uma palavra dizendo COMO seria a guerra. Quando essa estratégia surgiu ou foi revelada?

Quando só ficaram os trezentos e os que foram embora deixaram suas provisões e trombetas, Gideão já devia saber o COMO, embora não soubesse com quantos. Então, vejamos!

Seu exército: Trezentos guerreiros, corajosos e atentos.

Sua distribuição: Três pelotões com cem soldados cada.

Suas armas: Trombetas em uma mão e jarros com tochas dentro, na outra. Não vejo nenhuma espada.

Sua ordem: "Olhem para mim. O que eu fizer, façam exatamente igual."

O momento da ação: Quando ele estivesse chegando à fronteira do acampamento.

A posição: Gideão à frente de um dos pelotões. E os outros dois pelotões ao redor do acampamento.

Seu grito de guerra: "À espada, por Yahweh e por Gideão." (Continuo sem ver nenhuma espada.)

Sua ação: Tocar as trombetas e bradar o grito de guerra como se fossem uma só voz. Depois, todos deveriam ficar imóveis.

O horário da ação: Um pouco depois da meia-noite, após a hora da vigília, quando as sentinelas fossem trocadas.

O fim da ação: Após o toque das trombetas, o despedaçar dos jarros com as tochas dentro e o grito de guerra, deveriam manter-se imóveis, cada um no seu lugar, ao redor do acampamento.

As instruções acabam assim. Parece loucura! E com certeza é.

Não sei quando nem como Gideão soube qual seria a estratégia, mas aí está, nos mínimos detalhes. Bem do jeito que eu gosto.

Se o Senhor falou com ele, se lhe deu um sonho, se a ideia surgiu em seus pensamentos, não sei. O fato é que, de repente, do nada, o "meu" tão esperado COMO apareceu. Em detalhes. E nessa hora aprendo muito com Gideão. Como eu aprendo!

Esqueço que fiquei admirada quando o Anjo do Senhor o saudou com um "Valente guerreiro", embora estivesse se escondendo.

Esqueço que achei um absurdo aquela história de novelo molhado, novelo seco para ter certeza de que o Senhor era com ele. Afinal, essa era a principal informação e não o "meu" COMO. Era o que importava, Sua presença!

Esqueço tudo. E concordo com o Senhor. Que homem corajoso! Que valente guerreiro!

Releio. Preciso fazer isso! E não encontro, em nenhum momento, Gideão reclamando com o Senhor sobre a estratégia. Não o vejo fazendo as contas que eu faria. "Comecei com 32 mil, agora, na hora da batalha, são só 300. Menos de um por cento. Quantos inimigos para cada guerreiro? Como vou cobrir todo o acampamento inimigo? Socorro! Preciso de reforços!"

Enxergo um homem que confiou ao Senhor a escolha de seus guerreiros, de acordo com os Seus critérios.

Não o vejo choramingando por suas armas. Trombetas e tochas. Continuo não enxergando nenhuma espada! Ah, o que importa? O Senhor era com ele. E a espada estava no grito de guerra daquele exército.

Enxergo um valoroso guerreiro, aos brados, afirmando ao seu exército, que o Senhor havia entregue o inimigo em suas mãos, antes da guerra, de fato, ter acontecido.

Recordo que o inimigo era uma multidão que não podia ser contada, espalhada pelo imenso Vale de Jezreel.

Enxergo um líder que vai à frente do seu exército. Um homem que tem a ousadia de dizer: "Olhem para mim. Façam exatamente o que eu fizer."

Enxergo um homem confiando no Senhor. "Faremos nossa parte, em seguida ficaremos imóveis e Ele fará a parte dEle." Sem nenhum plano "b". Sem nenhum desespero no "e depois, faremos o quê?"

Enxergo um exército confiável. Que segue seu líder. Que acredita em sua palavra. Que confia em sua estratégia. Que olha para seu líder e não para as circunstâncias e o imenso exército inimigo espalhado por todo o vale. Homens dignos de honra.

E qual o resultado disso? O arraial dos midianitas virou uma agitação só. E, gritando, todos fugiram. Completamente desesperados.

Pois enquanto, exatamente enquanto os trezentos homens soavam suas trombetas, o Senhor fez uma confusão em todo o acampamento inimigo. Cada um levantou sua arma contra o seu companheiro. E fugiram apavorados!

Não havia possibilidade de ser diferente, depois de uma entrega tão completa. Trezentos. Contra milhares.

A obediência sempre move o coração de Deus.

Recordo-me de uma frase por mim ouvida inúmeras vezes: "Um com Deus é maioria, dois é covardia." - Marcos de Souza Borges, Coty

Você consegue imaginar a cena? Lembra que era um pouco após a meia noite. A maior escuridão. As sentinelas haviam acabado de ser trocadas. Uns haviam acabado de acordar, ainda um pouco atordoados. Os outros, cansados com sono. De repente, escutam um toque de trombetas. Um barulho estranho que não conseguem dizer do quê (os jarros quebrando). Olham e enxergam uma luz que não sabem de onde vem. E uma gritaria: "À espada, por Yahweh e por Gideão." Pelo menos dois deles tinham certeza de que seriam derrotados pelo Deus de Gideão. O que sonhou e o que interpretou. Imagino a gritaria, o desespero! Então, o Senhor ainda os confunde e eles se atacam, uns aos outros. Só restava fugir desesperadamente!

Enquanto os homens soavam as trombetas, Deus agia no meio do acampamento do inimigo, confundindo-os.

Lembro de Abraão, em Gênesis 12.1. Sair da sua terra e ir para uma terra que o Senhor iria mostrar. Enquanto ele caminhava.

Lembro da água sendo transformada em vinho, lá em João, capítulo dois, enquanto os jarros eram levados para o vinho ser provado pelo mestre-sala. E de tantos milagres que Jesus operou enquanto as pessoas estavam "indo".

Que aprendamos a amar a companhia do Senhor, Sua presença. Sabendo que, no momento certo, o COMO, o com quem e o quando nos serão revelados, ao modo dEle, um Deus totalmente confiável. O maior estrategista de todo o Universo. O Senhor dos Exércitos, Poderoso nas batalhas. O Invencível. Que está conosco, todos os dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28.20).

domingo, 7 de agosto de 2016

Obediência sempre move o coração de Deus

Vamos voltar a Gideão? Capítulos 6 e 7 de Juízes.

Já lemos que enquanto Gideão viu ao Senhor, O adorou, lhe construiu um altar, derrubou o altar de Baal, o poste de Asera e ofereceu um holocausto, os inimigos vieram do leste e se reuniram no Vale "O Senhor Semeia". 

Parece um paradoxo. Mas como ter vitória se não houver um embate? 

Com os inimigos reunidos, no imenso vale de Jezreel, Gideão é tomado pelo Espírito do Senhor, toca a trombeta de convocação, conclama homens para a batalha e é respondido. 

Meu coração acelera ao virar a página. Finalmente o Senhor lhe dirá COMO vencer os midianitas. 

Mas Gideão ainda quer outro sinal para ter certeza que o Senhor realmente salvará Israel por seu intermédio. Essa é sua grande dúvida. O Senhor é com ele? Ainda que o Anjo do Senhor houvesse lhe falado, queimado o holocausto, recebendo sua oferta e o Espírito do Senhor o tivesse tomado, o medo e a dúvida permeiam seu coração. 

O sinal que Gideão pede é interessante. Ele deixa uma porção de lã onde malha o trigo e pede ao Senhor que o orvalho da noite molhe o novelo e deixe tudo seco em volta. Acontece. 

Mas, pensa, isso é possível. O chão pode ter secado e a lã ainda não. E Gideão volta a pedir. Agora, quer um sinal que considera impossível. Tudo em volta molhado e a lã seca. Novamente o Senhor lhe responde. Não há mais dúvidas. 

É agora, me empolgo, o Senhor vai dizer a ele COMO vencer os midianitas. 

Ao raiar do dia, Gideão e seu exército estão acampados. Prontos para a guerra. O Senhor olha. "Hum, muito povo reunido. Esse exército está muito grande. Assim não dá." O Senhor fala a Gideão que o povo que está com ele é numeroso demais. Venceriam e se encheriam de soberba, acreditando que foi a força deles e não do Senhor que os fez vencer. 

O Senhor ordena a Gideão que passe o exército em revista. Aqueles que estiverem tremendo de medo, que voltem. E que observem do monte Gileade. Observem! E aprendam! E deixem de ser covardes a partir dessa observação. 

Fico pasma! Vinte e dois mil homens, que haviam atendido ao chamado para a guerra, voltam. Com medo. 

Penso, é agora! Ficaram apenas dez mil homens. E o vale de Jezreel está forrado de inimigos.

Mas a matemática do Senhor é diferente da minha.

O Senhor diz a Gideão que ainda é muita gente. Ordena que todos desçam à beira da água. Lá, o próprio Senhor irá provar os homens para Gideão. E lhe dirá quem deve ir e quem deve ficar. 

Minha curiosidade é aguçada. Imagino aqueles homens descendo às águas e o teste aplicado pelo Senhor. Quantos será que passarão? Quantos irão para a guerra?
 
O vale de Jezreel forrado. Dez mil soldados apenas e o Senhor diz que é muito. Vamos ver quantos sobram e qual Sua estratégia. Finalmente. A prova é simples. Não manda ninguém mergulhar em apneia, cronometrando o tempo. Ou nadar até à outra margem. Ou uma corrida tipo triatlo. Nada disso. "Que todos bebam água. Separa quem beber lambendo igual a um cachorro de um lado. Quem se ajoelhar para beber, separa do outro lado."
 
E agora? Que prova é essa? Quem vai? Fico observando a cena. Dez mil homens bebendo água. Gideão começa a separar. O número dos que se ajoelharam é muito maior. Ficou muito fácil para contar. Somente trezentos bebem a água como cachorro. 

Você consegue perceber a sabedoria nesse teste? Os trezentos já estavam em guerra. Prontos para a batalha. Atentos. Alertas. Os outros, não.

E o Senhor informa a Gideão que entregará os midianitas em suas mãos, com esses trezentos. Meu coração dispara novamente. No começo dessa história eram trinta e dois mil homens, agora somente trezentos.

Gideão deve mandar todos os outros para suas casas. Os trezentos ficaram com as provisões dos que foram embora e suas trombetas. Mas, estranho, não se fala em armas. 

Naquela noite o Senhor ordena que Gideão desça ao vale e ataque os midianitas. Mas se ainda tem medo de ir ao ataque, que desça com seu servo até o acampamento do inimigo e escute. "Escuta o que dizem. Você ficará animado e terá coragem para atacar."

Deus sempre me impressiona. Me surpreende. Aos soldados que estavam com medo, manda que voltem e observem. A Gideão, chama de valente guerreiro, atende seus pedidos e ainda lhe dá um encorajamento extra. Assim é com você. Assim é comigo. 

Gideão e Purá, seu servo, descem ao posto avançado do acampamento inimigo. Novamente sinto meu coração acelerar. O povo ali reunido era como grandes nuvens de gafanhotos. Por um momento penso se foi uma boa ideia o Senhor mandá-lo ali. É tanto inimigo reunido! Como a areia do mar. Não se podia contar.

Gideão chega ao acampamento no exato momento em que um homem contava ao seu companheiro um sonho. Um pão de cevada rolava para dentro do acampamento. Batia com força em uma tenda. Ela caía, virava ao avesso e ficava estendida na terra. Que sonho é esse? Não consigo entender. 

Mas prontamente, o companheiro daquele homem afirma que só pode haver uma interpretação para o sonho. "Isto quer dizer que Deus entregou os midianitas e todo o acampamento nas mãos de Gideão!"

Assim que Gideão ouviu, ajoelhou-se e glorificou ao Senhor. Como não fazê-lo?

Imediatamente voltou ao acampamento de Israel e bradou, cheio de fé e coragem. Animado como o Senhor afirmou que ficaria: "Levantai -vos, porque o Senhor entregou todo o arraial dos midianitas em nossas mãos!"

Ah, finalmente veremos a estratégia do Senhor para a tão esperada batalha. Mas falaremos dela outro dia. Hoje, gostaria que pensássemos algumas coisas. 

Antes do COMO, o Senhor, de alguma forma, nos faz saber que está conosco. Nos fala de várias maneiras, a mesma mensagem, "sou contigo". 
O Senhor fala conosco como e quando quer. Nosso primeiro passo é a obediência. 


Muitas vezes, antes do COMO, precisamos saber com quem. Os covardes não devem ser nossa companhia. Que eles observem e aprendam. Tomem coragem e depois guerreiem. 

Nem todos os corajosos estão preparados para a guerra. É preciso coragem e atenção. Já estamos em guerra. Não é amanhã que devemos estar prontos. É hoje. O inimigo pode atacar de qualquer lado, a qualquer momento. Precisamos estar alertas. "Sede sensatos e vigilantes. O diabo, vosso inimigo, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem devorar." - I Pedro 5.8 
Não podemos nos distrair, mesmo quando formos beber água! 

Não importa se você está malhando trigo num tanque, morrendo de medo dos midianitas. Se Ele disse que você é corajoso, acredite. Você é. 

Obedeça, derrube os altares e ídolos. Adore e ofereça sua vida e suas ofertas apenas ao Senhor. Seja cheio do Seu Espírito e conclame todo o povo para a guerra. Mas tenha a humildade e sabedoria de obedecê-Lo. Não leve os covardes, mesmo que tenham atendido ao seu chamado. Não leve os desatentos, mesmo sendo corajosos. Leve os que forem testados pelo Senhor. Apenas estes. Mesmo que sejam poucos. Mesmo que seja impossível. O Senhor é contigo. 

Só posso fazer dupla com Paulo e dizer: "A que conclusão, pois, chegamos diante desses fatos? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" - Romanos 8.31

Depois de tudo isso, você ainda duvida de que Gideão irá derrotar os midianitas? 

Podemos até não saber COMO, mas estamos certos que ele vencerá. Obediência sempre move o coração de Deus. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O Deus que olha além das aparências. E conta conosco

Vamos percorrer juntos o livro de Juízes? Capítulo 6.

Israel havia se distanciado de Deus e estava sendo oprimido pelos midianitas. A opressão foi tão terrível que Israel empobreceu. Então, pobres e necessitados, clamaram por socorro. Ao Senhor.

O Senhor enviou um profeta para lhes falar o porque estavam vivendo aquela opressão. Mas não ficou só nisso. O Senhor buscou alguém que pudesse ser usado por Ele. Para libertar Israel.

Gideão estava malhando trigo. Não numa eira, lugar onde se malha o trigo. Mas num tanque de prensar uvas.

O anjo do Senhor senta-se sob uma grande árvore e fala a Gideão: "O Senhor está com você, poderoso guerreiro."

Para mim, essa afirmação é, no mínimo, espantosa. Poderoso guerreiro? O Senhor está com você?

Pare um minuto. Leia novamente. Imagina a cena. Sinceramente só consigo perceber um simples agricultor apavorado. Morrendo de medo de perder sua colheita para os midianitas, seus opressores. E ficar sem alimento. Não consigo enxergar nada além disso. Nenhuma das palavras que o Senhor lhe falou. Se fosse eu, ia olhar para os lados e dizer que Ele havia aparecido no lugar errado. Se enganou de pessoa.

Gideão não faz assim, mas questiona: "Se o Senhor está conosco, por que aconteceu tudo isso? O Senhor nos abandonou." Começo a enxergar alguma coragem nele.

Uma das coisas que mais me impressiona no Senhor é o fato dEle muitas vezes parecer ignorar nossas perguntas. Não que Ele não esteja interessado, é que Ele nos fala o que precisamos ouvir, não o que queremos ouvir.

O Senhor já havia enviado um profeta que informou o porque estavam sendo oprimidos. Nem se deu ao trabalho de repetir. E responde a Gideão, dando-lhe uma ordem: "Com a força que você tem, vá libertar Israel. Eu estou lhe enviando."

Gideão, imagino eu, com taquicardia e apavorado retruca: "Como posso libertar Israel? Sou insignificante."

Novamente a resposta do Senhor é intrigante. Não desenhou uma estratégia no chão, não usou uma mesa com bonecos representando Gideão, Israel e os midianitas explicando como faria. Simplesmente respondeu: "Eu estarei com você. Você derrotará todos os midianitas." Simples assim. "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" - Romanos 8.31b

A dinâmica perfeita. Já falada na saudação. O Senhor era com ele. Ele era um poderoso guerreiro. Quem pode contra uma dupla dessas?

Gideão então, passa para a próxima fase. "Será verdade? O Senhor é comigo mesmo? Posso contar com o Seu favor?"

Ora, foi o Senhor quem se dirigiu até ele e não o contrário.  Ele pede um sinal. "Peço-te que não vá embora até que eu volte e traga minha oferta." O Senhor, sempre paciente, responde que ia esperar até Gideão voltar. Imagina se fosse você ou eu? Será que desistiríamos de Gideão? Esperaríamos?

Gideão foi. Preparou um cabrito. Ao molho. E fez pães sem fermento. Não foi em um microondas. Ou num forno elétrico ou industrial. Sequer num forno à gás. Aquilo demorou. E o Senhor ficou ali, sentado sob a árvore, esperando. Quanto tempo demorava para preparar um cabrito? E fazer pães?

Gideão voltou. E os ofereceu. O Senhor tocou aquela oferta com a ponta do seu cajado. Fogo subiu da rocha. E consumiu a carne e os pães. Consegue pensar em Gideão vendo aquilo? Deve ter colocado a mão à boca, apavorado. Pernas tremendo. Não sei. O fato é que exclamou: "Ah, Senhor Soberano! Vi o Anjo do Senhor face a face!" O Senhor respondeu: "Paz seja com você! Não tenha medo. Você não morrerá".

Gideão construiu um altar em honra ao Senhor e lhe deu o nome "O Senhor é paz". Impossível ter uma revelação do Senhor e não ter a atitude de adorá-Lo. Não Lhe construir um altar.

Agora, pensamos, o Senhor finalmente irá pegar um mapa, uma maquete, sei lá, qualquer coisa, e lhe falar COMO vencer os midianitas. Fico em suspense. Já imagino o Senhor com um monte de apetrechos, pronto para explicar tudo a Gideão. Mas o Senhor ordena que ele derrube o altar de Baal. Não um simples altar. Mas um que pertencia a seu pai. Usado por toda a cidade. Corte o poste de Asera, que ficava ao lado deste altar. E ofereça um holocausto ao Senhor. Um outro novilho.

Nada ainda sobre como derrotar os midianitas. Mas calma! Gideão, assim como você e eu, precisava dos processos. Primeiro, questionou ao Senhor. Depois O reconheceu. Ofereceu uma oferta, que lhe custou tempo e dinheiro, numa época de escassez e opressão. Descobriu um dos Nomes do Senhor. Estava começando assim, um relacionamento com o Senhor.

Se queremos vencer uma guerra, contando com o Seu favor, precisamos lidar com nossos pecados, não importa quão íntimos sejam. Temos que derrubar e cortar tudo o que nos liga ao nosso passado sem Deus. Se queremos saber como venceremos os midianitas, antes precisamos nos desvencilhar de tudo que nos prende e que pode impedir nossa vitória. E precisamos desenvolver intimidade com Ele.

Gideão pede ajuda a dez servos, e com medo de sua família e dos homens da cidade, faz tudo à noite. Às escondidas. Esse é o poderoso guerreiro, escolhido pelo Senhor. Esse sou eu. É você. Mas, ele obedeceu. Ainda que à noite.

Claro que descobriram que foi ele. Quando queimamos nossos ídolos e altares particulares, mais cedo ou mais tarde, todos perceberão.

Os homens daquela cidade quiseram matar Gideão. Mas seu próprio pai o defendeu.

E olha o que acontece "naquele meio tempo": todos os midianitas, amalequitas e outros povos que vinham do leste, uniram os seus exércitos e acamparam no vale de Jezreel. Se você já esteve lá, consegue perfeitamente imaginar aquele povo reunido ali. Se não esteve, acredite, é um vale imenso e cabe muita gente!

Mas note, Jezreel significa "O Senhor semeia"! Era o próprio Deus agindo, trabalhando a favor de Gideão.

O quê? Como assim? Era o exército dos inimigos, opressores, se reunindo. Enquanto Gideão obedecia.

Mas como derrotar um exército se ele não estiver reunido? Se não formos ao campo de batalha?

Nessa hora, aconteceu algo simplesmente maravilhoso. Dou pulos de alegria. Até faço uma dancinha. Gideão não saiu correndo choramingando. Não! O Espírito do Senhor se apoderou dele, e ele, com o toque de trombetas, convocou os abiezritas para seguí-lo. E enviou mensageiros a Manassés, Aser, Zebulom e Naftali.

O mesmo homem, agricultor e insignificante. Agora cheio do Espírito, convoca algumas tribos de Israel à guerra. E eles vão!

Até agora, o Senhor não falou absolutamente nada sobre como derrotar o exército inimigo. Mas Gideão começa a se transformar no guerreiro poderoso saudado pelo Senhor.

O que acontece? O Senhor finalmente falará Seus planos? Sua estratégia?

Hoje, gostaria apenas que você pensasse, comigo, que é necessário um processo antes de conhecermos Seus planos. Olhe para a vida de Gideão. Veja suas atitudes. Seus questionamentos. Identifique-se com ele. Aprenda com ele. Veja o que o Senhor lhe falou. Enxergue-se como Deus enxerga você.

Logo veremos o que Ele tem planejado para Gideão. E para nós.