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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Jairo, aquele que ilumina



Um dos meus versículos preferidos: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação: a quem temerei? O Senhor garante a minha existência; o que eu haveria de recear”? Amo a Bíblia. Para mim, literalmente, ela é viva e eficaz. Com toda certeza mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Nosso arqui-inimigo fica totalmente desesperado quando a amamos e a “engolimos” porque sabe o poder que ela tem e exerce sobre nós. Está tudo escuro? Não enxergo um palmo adiante do meu nariz? Ela é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho. Estou morrendo de fome? Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Ela ensina. Conforta. Anima. Exorta. Então, ame-a! Apegue-se a ela! Leia! Quando estiver com vontade e quando não estiver também. É sua arma. A espada do espírito.

Somos guerreiros. Precisamos estar revestidos de TODA a armadura de Deus! Precisamos estar embraçando sempre o escudo da fé. É com ele que vamos apagar todos os dardos inflamados do maligno. E a fé vem como? Pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Deus! Então, se alimente dela diariamente. Ele é a Palavra. O Verbo que se fez carne. O Pão Vivo que desceu do céu.

Marcos 5.21-43 é sem dúvida um dos meus textos preferidos. Jairo. Era um dos chefes da sinagoga. Um homem que tinha um excelente status na religião. Ainda assim, teve a humildade de, em meio a uma grande multidão, lançar-se AOS PÉS de Jesus, implorando-lhe que curasse sua filhinha. Não apenas pediu a cura para sua filha, "implorou encarecidamente", tal foi a intensidade com que se humilhou. Não apenas ajoelhou-se aos pés de Jesus, lançou-se! Praticamente agarrou-se aos Seus pés!

Como foi humilde! Não se importou com sua reputação. Cria que Jesus poderia curar sua filha se O quisesse e era o que importava. Enquanto Jesus ia com Jairo até sua casa, para no meio do caminho, no meio de uma multidão, e fala: “Quem me tocou”?

Me imagino na cena. Como se estivesse no Holodeck em Star Trek. Nós dois estamos ali. Não queremos perder essa visita de Jesus à casa de Jairo. Não sei você, eu estou boquiaberta, queixo caído. “Como assim? Quem me tocou”? Uma multidão nos aperta de todos os lados e Ele para e perguntar quem O tocou? Decididamente, não entendo Jesus! E eu que sou lógica pura, embora seja coração também, fico angustiada. Temos que correr, antes que seja tarde. E embora eu ame detalhes, não quero saber desse. Quem tocou a Jesus no meio dessa multidão não tem a menor importância. Vamos logo, antes que seja tarde! Me angustio.

Mas Ele continua ali parado, olhando. Esperando alguém se manifestar. Minha agonia é tão grande que estou quase indo lá, eu mesma para puxá-Lo pelo braço e explicar a situação. Jesus não deve ter entendido! Olho para Jairo.  Está a ponto de desmaiar de tanto desespero! Transparente! Meu estômago dá voltas!

Finalmente! Uma mulher. Não é conhecida. Aproxima-se. Prostra-se aos Seus pés e conta sobre sua hemorragia que já durava doze anos! Uau! Começo a entender porque Ele parou.

Mas enquanto eu escutava, minha atenção se volta para algumas pessoas que chegam. Ah não! O que elas estão falando? Meu coração quase para! Eles estão dizendo que sua filha morreu! Não há necessidade de incomodar mais o mestre! Não há mais esperança! Afinal, quem pode com a morte?

Está aí outro que creu contra a esperança! Aquelas pessoas ministraram desânimo e derrota. Mas elas estavam falando a verdade. Me seguro em você. Acho que vou desmaiar. Já havia imaginado toda a cena: Jesus chegando e curando a menina!  E a alegria voltando àquela casa! Agora isso! Tenho que usar todo meu auto controle para não me jogar no chão aos prantos!

E agora? COMO Jesus vai se desculpar com Jairo? Não há desculpas para isso! Se Ele tivesse andado mais rápido. Se não tivesse parado! Tudo gira ao meu redor. Se eu não estivesse segurando no seu braço teria sido pisoteada, porque estou a ponto de cair.

Então, vejo que Jesus não deu a mínima atenção àquelas palavras. Ele simplesmente diz a Jairo: “Não temas, tão somente continue crendo”! Estou sem fôlego! O que vai acontecer agora? Meu coração novamente se enche de ânimo e esperança. Volto a respirar! Aperto seu braço.

Embora Jairo soubesse que seus familiares falavam a verdade, preferiu crer nas palavras de Jesus! Creu no impossível! Sempre a escolha! Fé ou vista?

Quando da cura daquela mulher, Jairo recebeu dois tipos de ministrações. Como o povo de Israel em Números 13.1-14, quando os espias voltaram de Canaã. "Jesus ficou se importando com o simples fato de alguém tocar-Lhe enquanto minha filha está naquele estado. Sua lentidão vai fazer com que não haja mais cura! Onde já se viu? Parar por causa de uma simples mulher do povo, ao invés de ir correndo até minha filha? A filha de um dos principais da sinagoga"! A outra ministração: "Essa mulher foi curada somente por ter crido em Seu poder. Ter tocado nEle! E nem foi Ele quem a tocou! Mais uma prova de que Ele, impondo Suas mãos, vai curar minha filha! Ele sabia o que ia acontecer! Não iria me acompanhar para simplesmente ir comigo ao enterro”! Essa foi a ministração que escolheu. A de vitória! A que aparentemente era a verdade, ele rejeitou. Não aceitou. Sua escolha era: "E agora? Escolho o real, o aparente, o que se vê? Que é tão terrível, tão triste, tão sem retorno, tão sem vitória! Ou escolho o impossível? O que não se vê, que é tão bom mas tão irreal"!?

Para sua felicidade e de sua família, escolheu as absurdas palavras de Jesus e continuou até sua casa! Por certo ia pensando a cada passo: "Ele vai colocar Suas mãos nela e curá-la. Ela não está morta! Ele mandou eu crer. Não ter medo. Crer somente! Ele vai curá-la. Ela vai viver. Vai viver. Vai viver! Eu creio. Eu creio. Eu creio"! Nunca aquele caminho foi tão longo. Não aguento mais andar. Alguém trocou sua casa de lugar. Nunca chega! Ufa. Finalmente.

Mas quando chega à sua casa tudo era contra o que Jesus havia dito! As pessoas que faziam o velório lá estavam. Jairo se agarra às palavras de Jesus! Não andou por vista, mas por fé! Naquela hora poderia ter dito: "É Jesus, não adiantou mesmo. Pode voltar. Obrigado por Sua boa vontade, mas agora não há mais solução. Tudo acabou. A fé foi em vão”! Mas não falou nada! Continuou crendo nas palavras de Jesus, ainda que tenham rido dEle, continuou crendo! E mais uma vez creu no impossível. Jesus disse que a menina apenas dormia! Ora, se fosse de fato "real", os "veladores profissionais" não estariam ali! Mas ele creu!  E Jesus, mais uma vez ministrou fé ao seu coração e mais uma vez Jairo escolheu Sua ministração ao invés de crer no aparente. "Ela não está morta. Está dormindo. Só dormindo. Eu creio. Creio! Ele vai impor Suas mãos e ela será curada! Essas pessoas é que estão loucas. Não Ele! Ele diz a verdade! Ele é o Criador da Vida. O médico-mor. Ela está dormindo. Não morreu. Só dorme. Ele vai curá-la. Ela vai viver! A derrota não é real. Real é o que Ele falou. O mundo natural é que está mentindo. O espiritual é que é verdadeiro. Ela está dormindo. Não morreu"! Essa sou eu. Fico repetindo o que Deus me fala. Até crer!

Jairo entrou em sua casa com Jesus! Impossível entrar sem Ele. Até aqui não havia visto sua filhinha. O momento crucial: entrar no quarto onde a menina está! Meu coração acelera. Foi aí que Jairo viu sua filha! Pálida. Inerte. Sem cor. Sem respirar! Morta! "Ela não está morta. Ele disse que ela só dorme. Ele fala a verdade! Ele é a Verdade. Não vou olhar para a aparência. Vou olhar para Ele. Não vou "ouvir" esse silêncio mortal, mas a voz dEle"! Seus olhos focam Jesus!

Então Jairo presencia sua fé e o poder de Jesus mudarem aquela situação! Novamente viu Jesus ministrar cura. Vida. Vitória. Jesus tomou a mão de sua filhinha e falou. Simplesmente falou com ela e ela se levantou! Como das outras vezes em que Ele havia falado desde que Jairo o encontrara. Ele falou novamente. O mesmo tipo de palavra. Cheia de certeza. De verdade. De poder. Pouquíssimas palavras, porém verdadeiras, que produziram ação!

Ele viu sua filha se levantar. Sair andando com a maior disposição. Sua palavra é digna de aceitação. Mesmo que pareça absurda. Impossível. Irreal. É a palavra dEle! Ele falando. O Logos. O Verbo Encarnado. Aquele que estava com Deus no princípio. Aquele que criou os mundos pela Sua palavra. Imutável e poderosa! Criativa! Curadora! Solucionadora! Palavra que produz ação! Palavra que não volta vazia! Que maravilha! Quando Ele fala, o mundo espiritual move o natural e o natural move o espiritual. Na terra como no céu. Não é lenda! É real!

Fico maravilhada com a fé de Jairo. Continuou crendo no poder de Jesus para solucionar sua situação catastrófica mesmo recebendo tanta ministração contrária. No caminho. Até mesmo antes de falar com Jesus. Em frente à sua casa. Quando viu sua filha. Mesmo assim creu. Creu até o fim. Contra todas as evidências. Como Paulo, combateu o bom combate. Até o fim. E guardou a fé. Não permitiu que ela se perdesse pelo meio do caminho, à  vista das circunstâncias. Continuou acreditando em Jesus. Ministrando Sua palavra à sua mente.

Jairo honrou seu nome. Jairo, o iluminador, o que ilumina. Clareou a situação, mesmo sendo negra. Sua fé em Jesus fez com que sua situação se iluminasse por completo. A negra morte não conseguiu vencer. Venceu a luz!  A vida! Tudo porque olhou para Jesus. Seus olhos estavam fitos nEle e não na aparência negra e insolucionável da situação! Fé ou vista? Que disposição para crer!

Quando nos deparamos com situações em que sabemos que só Jesus tem poder para solucionar e depois "vemos" que não há solução, que "nem Jesus pode", quantas vezes ouvimos e acreditamos no "Não temas, cré somente"? Quantas vezes não O deixamos ali plantado, no meio do caminho, impedindo-O de ir conosco até o desfecho da situação, até à hora da solução? Não deixamos que Ele venha conosco. O abandonamos no meio do caminho e vamos correndo preparar o enterro já que agora "nem mesmo Jesus" pode solucionar ou fazer algo! Somos nós quem O abandonamos no meio do caminho e escolhemos seguir o restante sozinhos, para ver e chorar o nosso morto!

Ah quantas vezes agi dessa forma! Mas não deve ser assim.  Não pode ser assim. Para Deus, NADA é difícil. Ele sempre tem a solução. Ele é a solução. O EU SOU! Ele NUNCA chega tarde demais. Nunca age tarde demais. Sempre no momento certo. A derrota NUNCA triunfa sobre Ele!

Como é importante o lugar para onde estamos olhando. O modo como estamos olhando. Olhar para Jesus. Não para as circunstâncias. Ele tudo sabe. Tudo pode. Se nossos olhos olham apenas o aparente, o natural, que situação tenebrosa teremos! “Se a nossa luz são trevas, quão grandes trevas serão”!

Jairo ignorou o mundo natural.  Recusou-se a olhar o aparente. Dirigiu seus olhos para Jesus. Seus olhos se encheram de luz e as trevas foram dissipadas!

Ah, Senhor, ensina-nos a seguir esse exemplo. Ensina-nos a prosseguir até o fim. Crendo somente na Tua palavra. Ignorando as evidências contrárias a ela. Ensina-nos quão importante é o modo como olhamos. Como enxergamos cada situação. Ensina-nos a entender que tudo depende de como vemos! Ensina-nos a olhar com os Seus olhos. Sob o Seu ponto de vista!  Ensina-nos a ouvir Tua palavra, que diz: "Não temas, crê somente".

Que nossos olhos olhem direito. Para frente. Sem olhar para trás.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sr. Ressonância Magnética

Sexta feira. Um dia depois do meu aniversário.

Amo o dia do meu aniversário. Bendito o dia em que nasci. Bendito o dia em que disseram: "É uma menina." E dei meu primeiro grito. Para tirar o ar dos meus pulmões e respirar. Como é bom viver!

Mas tenho que enfrentar o gigante Golias, Sr. Ressonância Magnética, o Grande Contraste!
Entro no ônibus. Um calor escaldante. O termômetro marca 36 graus. Está mais. Muito mais. Engarrafamento. Ônibus cheio. Sentada. Mesmo assim apertada. Janela pequena. Cabeça dói. Lateja. Acho que vou chegar atrasada. Vou ter que andar bastante. Quase correr. Os sinais fechados. O ônibus dá uma volta enorme. É melhor descer aqui ou ali? Na próxima. Desço. Caminho. Quase corro. Voo.

Lembro que bebi água. Será que podia? Cheguei. Ufa. Pego a senha. Olho a hora. Em cima. O jejum era só de comida. Ainda bem. Se tem que enfrentar Golias, melhor que seja logo. Odeio lembrar dos gritos dele. Assino a papelada. Passo pela recepção. Me acompanham até o elevador. Desço um andar. Passo por fotos de filmes. Matt Damon. Amo. Mas nem vi que era ele. Só depois que a Fernanda me falou. Só enxergo Golias. Embora nem saiba ainda onde ele está. Escuto seus gritos. Me afrontando.

Deixo todas as minhas coisas em um armário. Ah, ainda posso ficar uns minutos com o celular. Que bom! Posso contar a alguns amigos que estou escutando os gritos de Golias!

Fernanda chegou. Um rosto amigo. Abrigo. Descanso depois do enfrentamento.
Estou sentada na recepção. Veia pulsionada. Em trinta dias, essa mesma veia já foi atacada umas oito vezes. Nem sofre mais. Não reclama. Só se oferece. Sangue pronto. Disponível.

Tenho que ficar sozinha. Falo com alguns amigos ao mesmo tempo. Bendito celular.

Pergunto quanto tempo vou ficar dentro de Golias. Uns trinta e cinco minutos. "Senhor", pergunto, "o que vou fazer lá dentro?" E me programo. Orar, cantar, sonhar, lembrar de tudo que ouvi, li e vi no meu aniversário. Imaginar como será minha festa amanhã? "Senhor, é muito tempo para me concentrar dentro daqueles gritos!" Espero.

Daqui a pouco vou estar dentro de Golias. Dentro dos gritos dele. Odeio gritos. Amo música. Canto da hora que acordo à hora que vou dormir. Canto dormindo. Mas odeio gritos.

Meu consolo é a Fernanda me esperando. E a Júlia chega hoje. Vou estar com minhas três filhas lindas. Só vai faltar o Dudi. E amanhã, a festa que elas estão organizando. E excelência é o nome delas.

Chegou a hora. Desço uma rampa. Enorme. As fotos não são mais do Matt Damon, lindo em Identidade Bourne. Não sei se são de filmes sobre o Holocausto ou se do próprio Holocausto. Não entendo. Estamos indo enfrentar Golias. Por que não colocam um campo florido? Podia até ser Girassóis da Rússia, mas Holocausto? É para aumentar nosso pavor?

Lembro do meu herói. Ele venceu. Com uma funda. E pedrinhas. Vou cantar. Vou cantar. Vou cantar. Vou ficar dentro de Golias e vou cantar.

A enfermeira manda eu sentar em um corredor. Sento. Tem cinco Golias. Todos gritando. Um barulho ensurdecedor. Uma enfermeira sai de dentro de uma sala e lacra um. Lacra. Como se fosse um submarino. E penso, "Senhor, por favor, não quero ficar lacrada, dentro de Golias!" Minha vontade é sair correndo. Sei que não posso. Vou cantar. Vou cantar. Vou cantar.

Vejo dois arquivos. Me lembram Star Trek. Por um instante me desligo daquele horror. Mas não estou na Enterprise. Estou prestes a entrar na boca de Golias.

Percebo que há um quadro atrás de mim. Me levanto. Um alento. Johnny Depp. Simplesmente lindo. Maravilhoso. Sentado num campo florido. Não entendo. Por que a cadeira não está do outro lado? Fico em pé. Um colirio em meio àquele horror. Quase coloco a cadeira do outro lado. Mas fico simplesmente ali, em pé. Lembrando daquele filme. Até que canso. Sento. De costas para o Johnny Depp. Um verdadeiro absurdo. Quando vão me chamar?

Golias, continua gritando. Não apenas um. Vários. Com pessoas lacradas dentro deles. A sala de controle é lá embaixo e os Golias ao meu lado. E se eu passar mal? Não vou poder sair correndo. A porta lacrada. Até alguém subir uma rampa enorme da sala de controle até um dos Golias. "Senhor, tem misericórdia!"

Tenho que ir. Uma enfermeira chama meu nome. Ao lado da sala de controle. Glórias a Deus. Golias está ficando menor. Desço mais uma enorrrrrrme rampa. A porta que ela abre não é de lacrar. É uma maçaneta comum. Glórias a Deus! Golias diminui mais um pouco. Entro na sala. Sua boca é do meu tamanho. Mas é aberto do outro lado. Vou cantar. Vou cantar. Vou cantar.

A enfermeira é doce. Deito. Me cobre. Coloca um fone. Brinco com ela dizendo que podia ter uma música bem gostosa no fone. Ela brinca de volta. Penso que podia ter uns quadros na sala. Do Tyrese Gibson estava bom. Estaria ótimo! Enfim, entro dentro de Golias. Fone no ouvido. Dois protetores. Mais um. Outro. 40 graus lá fora. Ela me oferece um cobertor. Aceito. Frio. Muito frio. Me explica tudo. Nos mínimos detalhes. O contraste só no final. Uma sensação fria. Depois quente.

Entro completamente dentro de Golias. Fecho os olhos. Daqui a pouco ele vai começar a gritar. Berrar. Resolvo que vou orar. E começo a conversar com meu Pai. Golias berra freneticamente. E eu oro. Sorrio. Meu coração por vezes acelera tão alto Golias grita. Não abro os olhos para não me sentir claustrofóbica. Agradeço. A enfermeira pergunta se está tudo bem. Me avisa do contraste. Já? Ela disse que seria somente no fim. "Senhor, me ajuda." Da outra vez, tive uma crise terrível de asma. O contraste é injetado. Remotamente. Minhas veias gelam. Golias berra mais alto. Tento raciocinar. Canto. "Mesmo na escura noite, eu correrei pra Ti meu Pai, és o que preciso, és quem eu procuro ..."

Não consigo cantar com esses berros. Oro. Orar consigo. Minhas veias esquentam. Meu coração acelera. De repente, os berros param. Ela manda eu levantar as pernas. Está ao meu lado. Estou surda. Manda eu levantar. Pergunta se estou bem. Terminou. Estou só um pouco zonza. "Meu Deus, estou ótima."

Acabou. Foi muito mais rápido do que imaginei. Foi mais fácil. Golias é morto. Não me mete mais medo. É uma máquina morta.

Gentilmente ela sobe comigo duas rampas. Fernanda me aguarda. Subimos mais um andar. Estou só um pouco tonta. Acho que mais por fome. Barriga roncando. Vamos almoçar! Vamos comprar uma roupa bem linda para a Duda Linda ir à minha festa de aniversário! Porque a vida é bela e os gigantes estão aí para serem enfrentados e derrubados!

E amanhã é um lindo dia!