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terça-feira, 24 de março de 2020

Diário de Bordo Quarentena, dia 24/03/2020

Essa foto já é antiga, mas, vamos lá.
Hoje é o sétimo dia que não saio de casa. Salvo, se quiser considerar, que no sábado levei o lixo na lixeira do andar, desci e subi pela escada ao ir à portaria buscar uns livros que chegaram. Uma parte do meu “Kit Quarentena”.
Estamos aqui. Em reclusão. Falando com os outros filhos e os netos pelo watsapp. Íamos para a casa da Fê, mas ficamos com tantas dúvidas e receios, que resolvemos ficar essa semana por aqui. Na nossa arca de Noé de 30m².
Para Gabi, já era o oitavo dia sem sair de casa.
Tentamos imprimir uma rotina para estabilizar nossas almas. Com momentos para orar, meditar, ler, escrever, fazer as arrumações da casa, a alimentação, exercícios, alongamentos e, à noite, assistir um ou dois capítulos de alguma série e rir um pouco com certos posts. Não podemos assistir todos os noticiários que falam sobre o Covid19, se quisermos manter nossa sanidade.
Hoje, Gabi precisava pegar a receita de um remédio. Tudo bem, dava para esperar mais uns dias. Mas nossas frutas estavam no fim. Nossas verduras também. Então, lá foi ela aventurar-se pelo mundo fora de nossa protegida arca.
Vestiu-se de calça jeans, camiseta, blusa de manga comprida. Nada de brincos, anéis ou qualquer outro acessório. Quis que ela fosse de capa de chuva. Ela apenas levou a sombrinha. Despedimo-nos com um abraço e um beijo. Podemos. Estamos apenas nós duas em nossa arca.
Ela foi. Eu fiquei. Penso no inimigo invisível que está enfrentando. Queria tê-la enrolado com aquele plástico que tem nos aeroportos. Como enfrentará essa saída? O que ficará pensando enquanto está na rua?
Termino de fazer o almoço. Arrumar a cozinha.
Ela demora. Resolvo almoçar.
Quando estamos as duas juntas, há muitos momentos de silêncio. Cada uma em um cômodo de nossa pequena arca, com suas leituras e escritas. Mas sabemos que estamos à distância de um braço da outra. De um grito. Um suspiro.
Agora, como há muito tempo não me sentia, estou sozinha. Parece que foi à rua há dias. Sua demora traz um nó no meu pescoço. Sinto-me fraca. Resolvo almoçar.
Ligo a televisão. Sento no sofá. Tento me distrair com uma etapa do campeonato de Surf. A comida está uma maravilha, uma delícia como gosto de dizer e alguns implicam. Mas é horrível estar sozinha. Oro quase que o tempo inteiro por ela. Que as ruas estejam vazias. O consultório médico. A farmácia. O mercado. A portaria. O elevador.
Deixei tudo preparado para sua chegada. Lavar tudo que puder ser lavado. Passar álcool em gel em tudo que não puder. E até a porta da máquina de lavar, aberta.
Parece que estamos vivendo um filme fatalista. “Senhor”, penso, “essa sou eu”? A mesma pessoa que acabou de animar uma amiga para não ficar ansiosa?
Falo com a Fê no celular. Ela diz que precisa ir ao mercado. Digo que não. O Danilo vai. Ela está no grupo de risco. Instruo a que ele, quando chegar, tire a roupa à porta de casa e corra para o banheiro. E que ela limpe absolutamente tudo que chegar da rua.
Finalmente a campainha toca. Abro a porta. Tenho vontade de abraçá-la. Não posso. Estendo a mão com uma luva de plástico improvisada e entrego o lixo para ser levado, enquanto recolho as sacolas de compras. Fazemos tudo rapidamente. Em sincronia. Num piscar de olhos.
Deixo o álcool em gel na porta. Do lado de fora. Ela volta. Limpa as mãos. Deixa o sapato à porta. Como combinamos. Tira a roupa. Coloca na máquina de lavar. E corre para o chuveiro.
Eu, estou agindo como uma louca. Na maior velocidade. Limpo o pote do álcool em gel. Tiro todos as sacolas. Lavo todas as frutas e verduras. Uma a uma. Com esponja e detergente. Lavo as embalagens dos produtos. Limpo os lugares onde qualquer coisa que veio da rua tenha encostado.
Meu Deus, pela primeira vez na minha vida, tenho compaixão dos neuróticos por limpeza e “desinfectações”. Como uma pessoa consegue sobreviver a uma neura dessas? Não entendo. Não conseguiria.
Faço as limpezas e guardo tudo com uma rapidez tal que pareço estar atrasada para pegar um voo. Meu coração está acelerado. Meus braços pinicam. É como se um milhão de bichinhos (além do normal) estivessem andando pelos meus braços.
Troco de chinelo. Levo as sacolas das compras no lixo. Não sei se posso usá-las e, na dúvida, prefiro eliminá-las.
Volto. Deixo o chinelo à porta. Passo álcool no chão onde as sacolas ficaram.
Penso que se fosse neurótica, com toda certeza, teria morrido há muito tempo. Dou graças ao Senhor por ser uma pessoa calma. Calma já estou assim, imagina se fosse diferente?
Gabi sai do banho. Já desinfetei até o cinto e os óculos dela. Meu Senhor, passei álcool em gel até nas notinhas do mercado e da farmácia.
Tiro minha roupa. Coloco na máquina de lavar. Corro para o chuveiro. Entro debaixo da água com meus óculos, que lavo meticulosamente. Estou tomando banho correndo. Pensando em toda essa loucura. Vários filmes passam pela minha cabeça. Filmes como “Teoria da Conspiração”, “Os Doze Macacos” e “Eu sou a Lenda”.
Lembro que não preciso mais correr. Será que antes precisava? Estava disputando uma corrida com o coronavírus? Não sei. Fiz as coisas tão rápido que daria inveja até na Vó Lourdes.
Desacelero. Tomo meu banho com tranquilidade. Desfruto dele.
Penso que preciso escrever sobre isso. Preciso dizer às pessoas que é um tempo difícil. Que os temores vêm mas, como Davi, precisamos dizer à nossa alma, gritar até, se for preciso que “Quando eu tiver medo, confiarei em ti” (Salmo 56.3). E ir além, como Davi foi, no versículo seguinte “Louvo a Deus por Suas promessas, confio em Deus e não temerei, ...”
É certo que fala de homens. Hoje, nosso inimigo é invisível. Mas, na maioria das vezes, não é um inimigo invisível e real que enfrentamos?
Sim. Todos os dias, em tempo de paz ou guerra. De abraçar ou deixar de abraçar. É um inimigo invisível e real que enfrentamos. E, só um lugar onde encontro descanso. Onde se pode encontrar descanso. Há apenas um. Melhor que minha pequena arca. O abrigo do Altíssimo.
Sim, porque “Aquele que habita no abrigo do Altíssimo encontrará descanso à sombra do Todo-Poderoso. Isto eu declaro a respeito do Senhor: Ele é meu refúgio, meu lugar seguro, Ele é meu Deus e nEle confio. Pois Ele o livrará das armadilhas da vida e o protegerá de doenças mortais”. – Salmo 91.1-3
Estou tão cansada que preciso deitar uns minutinhos. Ordeno que minha alma se aquiete. https://www.youtube.com/watch?v=ANfpF0pNob4
Tenho que levantar e contar a você que sim, o medo vem, mas quando vier, precisamos confiar no Senhor. Dia após dia. Como o Paulo César Baruk canta: “...Dia após dia. Até que venha sobre minha casa o teu socorro...” https://www.youtube.com/watch?v=0EFK9_dMq4A
E Ele virá. É certo. E o livrará.
“O Senhor salva os justos; Ele é sua fortaleza em tempos de aflição”. – Salmo 37.39
Esperemos, pois, com paciência no Senhor.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Salmo 119.113-120

Leitura do dia 23/06.

Ainda caminhando pelo Salmo cento e dezenove.

Uma deliciosa caminhada através de uma maravilhosa canção. http://www.espalhandoasemente.com/2019/06/salmo-119105-112.html

Agora, leremos do versículo cento e treze ao versículo cento e vinte.

Sâmeq
O salmista não suporta pessoas inconstantes, que uma hora seguem o Senhor, outra não. Ele ama Sua lei. O Senhor é seu refúgio. Seu escudo. Sua palavra é sua esperança. Não quer a companhia dos que praticam o mal. Ao contrário destes, obedecerá os mandamentos do Senhor, seu Deus.

Pede que o Senhor o sustente, como prometeu. Para que viva. Que sua esperança não seja frustrada. Se o Senhor sustentá-lo, será salvo. Salvo, poderá meditar continuamente em Seus decretos.

Lembra que o Senhor rejeita todos que se afastam de Seus decretos. Se afastam dEle. Enganando a si mesmos. O Senhor remove os ímpios da terra.

O salmista declara que estremece diante do Senhor. Sente um temor reverente por Seus estatutos.

Que nossa esperança também esteja nEle. Que amemos Sua lei. Que Ele seja nosso refúgio. Nosso escudo. A cada dia.

Que O obedeçamos e tenhamos temor reverente por Seus estatutos. Ah, que não modifiquemos ou interpretemos a Palavra a nosso bel prazer, para nos satisfazer, mas que tenhamos temor reverente. Sua palavra ilumina nossos caminhos.

Continuamos na próxima postagem.

Espero você. Até já.

quarta-feira, 13 de março de 2019

1 Samuel 6.1-21

Leitura do dia 13/03.

Na postagem anterior, vimos a arca do Senhor sendo levada pelas cidades dos filisteus e causando terror. O Senhor é fogo consumidor, mas também é amor. Devemos conhecê-Lo. Não virar nossas costas a Ele.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/1-samuel-51-12.html

Agora, caminharemos através das páginas do capítulo seis de 1 Samuel.

A arca do Senhor ficou com os filisteus por sete meses. Depois de tanto sofrimento, chamaram seus sacerdotes e adivinhos. Perguntaram o que fazer com a arca do Senhor. Como deveriam mandá-la para sua própria terra.

Os sacerdotes responderam que mandassem com uma oferta pela culpa para que a praga que os estava matando, cessasse. Se fossem curados, saberiam que fora a mão dEle que a causara.

Perguntaram o tipo de oferta e seus sacerdotes orientaram que fizessem cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, representando os cinco governantes e a praga que os assolara. Essas ofertas eram para demonstrar honra ao Deus de Israel.

Eles aconselharam o povo a não endurecerem o coração como faraó e os egípcios fizeram e foram destruídos.

Mais uma oportunidade escancarada de voltarem-se para o Senhor e serví-Lo.

Também ordenaram que o povo construísse uma carroça nova. Colocassem duas vacas que tivessem acabado de dar cria e que nunca tivessem sido usadas no arado.

Que deixassem as vacas irem para onde quisessem. Livres.

Se escolhessem o caminho que ia a Bete-Semes, eles saberiam que foi o Senhor que trouxera sobre eles aquela terrível calamidade. Se escolhessem outro caminho, teria sido apenas coincidência.

As vacas foram direto para Bete-Semes, mugindo pelo caminho. Não desviaram para lado nenhum. Os governantes filisteus foram atrás até à fronteira. E ficaram olhando.

Os moradores de Bete-Semes estavam colhendo trigo no vale. Quando viram a arca, ficaram cheios de alegria. A carroça, “conduzida” pelas vacas, entrou no campo de um homem chamado Josué e parou ao lado de uma grande pedra. Estavam prontas para o sacrifício.

Quebraram a carroça para fazer fogo. Queimaram as vacas e as ofereceram ao Senhor.

Os levitas retiraram a arca da carroça, como devia ser, junto com as ofertas. Colocaram em cima de uma grande pedra. http://www.espalhandoasemente.com/2019/01/exodo-251-2721.html

Enquanto o povo de Bete-Semes oferecia sacrifícios e holocaustos ao Senhor, os governantes dos filisteus viam tudo. Depois, voltaram para Ecrom.

Como ver cenas como estas e não se deixar ser tocado pelo Senhor de Israel, o único Deus verdadeiro?

Quando o livro de 1 Samuel foi escrito, esta pedra estava lá, no campo de Josué, como testemunha.

Mas, os homens de Bete-Semes não temeram o Senhor. Abriram a arca e olharam dentro dela, quando nem os levitas que a carregavam podiam tocar. Setenta homens morreram. O povo chorou muito.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/02/numeros-181-32.html

Foi um choro de tristeza, pela morte daqueles homens. Mas não houve arrependimento. Não reconheceram a santidade do Senhor.

Questionaram sobre quem poderia estar na presença do Senhor, o Santo. E perguntaram para onde mandariam a arca. Não queriam ficar com ela.

Davi aprendeu a resposta: "Senhor, quem pode ter acesso a teu santuário? Quem pode permanecer em teu santo monte? Quem leva uma vida íntegra e pratica a justiça; quem, de coração, fala a verdade. Quem não difama os outros, não prejudica o próximo, nem fala mal dos amigos. Quem despreza os que têm conduta reprovável, e honra os que temem o Senhor, e cumpre suas promessas mesmo quando é prejudicado. Quem empresta dinheiro sem visar lucro e não aceita suborno para mentir sobre o inocente. quem age assim jamais será abalado". - Salmos 15.1-5

Mandaram mensageiros a Quiriate-Jearim, pedindo que viessem buscar a arca do Senhor.

Antes de terminar a leitura de hoje, leia o texto "Queremos a arca da aliança em nosso meio?"
http://www.espalhandoasemente.com/2016/01/queremos-arca-da-alianca-em-nosso-meio.html

Continuamos amanhã, através dos capítulos sete a nove.

Espero você. Até lá.