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quarta-feira, 2 de março de 2016

Davi e suas últimas palavras


Fico impactada quando leio as "últimas palavras de Davi". Sempre.

Vamos esquecer que ele era rei de Israel. Vamos nos lembrar do homem segundo o coração de Deus. O exemplo a seguir e a não seguir.

Acompanhe comigo o capítulo 23 de II Samuel: “Oráculo de Davi filho de Jessé; diz o homem que foi exaltado, o ungido do Deus de Jacó, o amado salmista de Israel”. Que autoridade! Que conhecimento de Deus e de si mesmo, de sua identidade.

Para mim, um dos motivos dele ter o coração segundo o coração de Deus é ele ter conseguido enxergar quem Deus é e então, enxergar quem ele era em Deus.

São afirmações ousadas demais, profundas demais. Davi fala de si mesmo: o homem que foi exaltado, o ungido do Deus de Jacó, o amado salmista de Israel (Davi, amado).

E continua dizendo que o Senhor falou por seu intermédio. Sua Palavra esteve em sua língua. A Rocha de Israel (amo esse nome de Deus) lhe revelou.

E continua. Fala o que o Senhor lhe revelou: "Quem governa o povo com justiça, quem governa as gentes sob o temor de Deus é como a luz da alvorada ao nascer do sol, num amanhecer sem nuvens. É como os primeiros raios de sol depois da chuva, que faz crescer as plantas da terra." Ah, como precisamos de pessoas que governem dessa maneira! Que trazem crescimento verdadeiro.

E aí, fico chocada com o exame que fez de seu reinado e à conclusão que chega. Ele era esse sol depois da chuva: "Sim, a minha dinastia está em PERFEITA harmonia com Deus." Como Paulo, "Combati o bom combate. Terminei a carreira. Guardei a fé." Que certeza! Perfeita harmonia com Deus.

E mais, Davi afirma que o Senhor estabelece uma aliança eterna com ele, FIRMADA e GARANTIDA em TODOS os ângulos! Que certeza, tenho que repetir! Nenhuma sombra de dúvida. Nenhum sentimento de "será". De talvez. De "pode ser".

E continua: "SEM DÚVIDA, me conduzirá ao sucesso EM TUDO e me proporcionará TODOS os desejos do meu coração".

Esse é o coração que o Senhor se agrada. Fé completa. Não importa a caminhada, não importam os processos, "Ele me conduzirá ao sucesso". E sabemos a longa caminhada e o duro processo pelo qual Davi passou.

Como Paulo, Davi podia dizer "Mas eu sei em quem tenho crido..."

Como o Senhor não se agradará de um coração assim? De uma fé dessas? Como Seu coração não se apegar ao de Davi? Não lhe prometer um trono eterno?

O Salmo 37.4 diz: "Agrada-te do Senhor e Ele concederá os desejos do seu coração."

Que possamos ter essa revelação de quem Deus é. De quem somos! E crer que Ele tem um futuro de paz e felicidade a nossa espera. Basta caminharmos em Sua vontade. Mesmo nos dias mais difíceis. Mesmo quando os caminhos forem solitários e repletos de obstáculos. A caminhada vale a pena. Estamos indo em direção ao nosso destino. E o Senhor é Aquele que nos guia. A nossa Rocha. Estamos seguros nEle. Podemos continuar a caminhada.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Davi e seus trágicos erros


Continuamos percorrendo as páginas de II Samuel. E lendo um pouco mais da vida de Davi.

Vamos, hoje, focar no que não devemos fazer. Em suas escolhas erradas, desastrosas e terríveis. 

Apesar de tudo que fez ou não fez quando deveria ter feito, imito o Pai e recordo-me de seu exemplo positivo. Continuo dando a ele o lugar de meu preferido. Homem, que erra e se arrepende.

Saul havia prometido sua filha mais velha àquele que vencesse o gigante Golias. Davi afirma ao rei que não era digno. Saul então, não a entrega a Davi. Simples assim. Quanto perdemos por esquecer quem somos em Deus! Ele estava certo quando disse que não era pouca coisa ser genro do rei. Mas errado quando esqueceu que era o rei ungido. Era uma grande coisa Merade, filha de Saul, ser sua esposa, o futuro rei de Israel. Enfim, saiu perdendo. Assim como perdemos todas as vezes que dizemos "Não posso, não tenho, não sou", quando Deus diz: "Você pode. Você tem. Você é".

Mical, a outra filha de Saul, entra em cena. Dizendo-se apaixonada. Paixão. É bem diferente de amor. Com toda certeza, não vale a pena. Continuo com vontade de esganá-la. Mical amava aquele Davi que todos viam. O Comandante do exército de Israel. O que tinha boa aparência. O que era mencionado nas canções. Não quem realmente ele era. Não a ponto de fugir com ele. De arriscar sua vida por cavernas e desertos. E aqui, quando mais uma vez surge a oportunidade dele ser genro do rei, me decepciono, quando novamente diz que era pobre, de família e condição humilde. E daí? Era o rei ungido do Senhor. Mas, para provar seu valor, mata duzentos filisteus, quando o rei havia pedido cem, como dote para o casamento. Cem era muito. Na verdade, uma cilada para matá-lo. Davi mata duzentos. E­ se redime comigo. Tudo bem. Posso esquecer essa bobagem que falou. Mas não se redime por ter matado aqueles homens e sim por ter atendido mais uma exigência de Saul. Para mim, ainda o que conta é ele ter enfrentado o leão para salvar sua ovelhinha. Quando ninguém estava vendo. E arrancá-la de sua garganta.

Os anos passam. Davi torna-se rei. E num belo dia de primavera, quando os reis costumavam sair para as batalhas, o rei Davi enviou Joabe, o chefe de seu exército, e seus guerreiros. E permaneceu em Jerusalém. Seu erro começa aqui. Não estava no lugar aonde deveria estar. O exército de Israel acampado em guerra. O rei dormindo tranquilamente, após o almoço. Foi passear no terraço do palácio real. Ele olha. Vê uma mulher tomando banho. Acha-a bonita. Chama alguém para lhe dizer quem ela era. Informam que é a esposa de seu servo, Urias. 

Urias, um de seus valentes, homem guerreiro e leal. Davi poderia ter saído do terraço. Corrido como José. Mas não. Ela era casada. Esposa de seu guerreiro. Aquelas palavras ecoaram, com certeza, em sua mente. Mais uma chance de sair do terraço. De correr. De pegar sua harpa e compor uma canção, prostrado aos pés de seu Senhor. Mas não. Usando seu poder de rei, manda trazê-la. E deita-se com ela. Meu coração chega a doer. Imagina o de Deus.

A guerra continua. Os dias passam. Davi continua em Jerusalém. Bete-Seba lhe informa que está grávida. Davi manda chamar Urias. Que homem esse Urias! Não se deita com sua mulher! Seria uma deslealdade para com Deus. Para com o exército de Israel. Seria como beber a água que Davi derramou, quando seus valentes a trouxeram de Belém.

Como está escrito, um abismo chama outro. E ao adultério, Davi acrescenta o assassinato de um leal e valoroso soldado.

Como o Senhor falou a Caim, o pecado está á porta, mas temos que dominar sobre ele. Nosso inimigo nunca vai desistir de nos tentar, das mais variadas formas. Por isso é tão importante estarmos em Deus. Com nossos olhos nEle. Ouvindo Sua voz. Obedecendo-lhe. Escolhendo-O todos os dias. O dia todo. Caso contrário, somos presas fáceis.

O lindo é que Davi confessa e se arrepende. E não tem como não admirar sua atitude com relação ao filho dele e de Bete-Seba. Yahweh disse que a criança morreria. Davi se humilha diante do Senhor. Com clamor e jejum. Sete dias. A criança morre. Ele ouve um sonoro não de Deus. Claro que doeu. Mas imediatamente se levanta. Toma um banho. Perfuma-se. Troca suas roupas. Entra no Santuário. Adora ao Senhor. Volta para casa. Não fica se lamentando. Não fica lambendo suas feridas. Recordando-se de sua dor. Alimenta-se. Consola Bete-Seba. 

Ter aprendido a ouvir o não do Senhor e ainda assim adorá-Lo agradou o coração de Deus, que lhe deu outro filho. Um filho que o Senhor "muito amou". O Senhor o amou tanto que mandou Natã até Davi para lhe falar. E, embora Davi tenha posto o nome desse filho de Salomão, o profeta passou a chamá-lo de Jedidias, "Amado do Eterno".

Ouvir um não de Deus é algo muito difícil. Principalmente nessa situação. Mas se ainda assim nosso coração for grato e confiarmos nEle, tal atitude abre portas para nos abençoar, muito além do que pedimos ou pensamos. O Senhor não apenas abençoou aquela criança, o Senhor "muito o amou".

Que aprendamos a ouvir o sim e o não do nosso Pai amoroso, com o coração grato, de um verdadeiro adorador.

O Senhor perdoou Davi, mas quanta desgraça aquela permanência no terraço lhe trouxe! Se houvesse uma maneira de voltar atrás, tenho certeza que faria. Amnon seu filho, abusa de sua filha, Tamar, e a seguir, a despreza. Para mim, uma das cenas mais tristes da Bíblia. Não consigo ler sem chorar horrores. Vejo aquela menina, linda, com o coração repleto de sonhos, que trajava uma túnica especial, longa e colorida, própria das filhas virgens do rei, sair pela rua, com cinza na cabeça, rasgando sua túnica, a mão sobre a cabeça, chorando em desespero e alta voz. No meio da rua! Seus sonhos despedaçados. Diante de todos. E vai para a casa de seu irmão Absalão. Seu lugar era na casa do pai. No colo do pai, para ser curada e consolada. Não na casa do irmão. E aí, meu coração se parte em mil pedaços. 

Davi ficou muito indignado, mas não fez nada, porque amava muito a Amnon, seu primogênito. E sua filha? Nem ao menos a chamou para casa. Sua passividade o fez perder Tamar. O fez perder Amnon, que foi morto por Absalão. O fez perder Absalão, que foi morto pelo ódio que fervia em seu coração. O fez perder o trono. Quanta desgraça atingiu sua vida! Quando Davi deveria ter fugido, ficou. Quando deveria ter agido, se esquivou. E, para mim, sua atitude para com Amnon e Tamar é muito mais terrível que o adultério e o assassinato que cometeu. Eram seus filhos. Precisavam de sua ação. De sua intervenção.

É nossa responsabilidade abençoar e proteger nossos filhos, para os projetarmos ao futuro de Deus para eles. Lançá-los como flechas ao alvo. E Davi se esquiva. Não disciplina. Não estende a mão. Não toma nenhuma atitude. Vê tudo acontecendo debaixo do seu nariz e não faz nada. Quanta coisa poderia ter sido evitada se tivesse agido como pai e não como um espectador! Louvo ao Senhor pela história toda ter sido contada, mas não consigo não ficar chocada cada vez que leio. Com o coração apertado. 

Pecado é algo devastador. Para nós! Por isso Deus nos exorta. Por nos amar. Por nos querer inteiros. E não farrapos humanos. Não por Deus ser legalista, mas por nos amar, pois sabe o que o pecado faz ao homem. 

Não sei quanto tempo havia se passado desde a história com Bete-Seba. Davi ainda estava sendo curado? Sentia-se inadequado para agir? Não sei. O pecado nos desconecta de Deus e dos homens. Choro por ele. Quero vê-lo restaurado. Dói muito aprender com o erro de quem quer que seja. É muito triste.

Que aprendamos! A fugir quando precisarmos. A agir quando necessário. Que jamais sejamos espectadores de ações covardes e humilhantes! Que sejamos agentes de mudança, como nosso Senhor Jesus nos ensinou, com Seu maravilhoso exemplo.

Que sigamos o conselho de João: "Caro filhinhos, estas palavras vos escrevo para que não pequeis. Se, entretanto, alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo!" - I João 2.1

Que fujamos do padrão demagógico de santidade, sendo sempre, em todo o tempo, completamente dependentes dEle! Que nos arrependamos sempre que necessário, retomando ao nosso lugar de filhos e santos, o que só conseguimos se estivermos nEle. Em comunhão, intimidade e vulnerabilidade diante dEle.

Que acolhamos os que caíram pelo caminho. Para que sejam curados. Restaurados.

Que o pecado nos entristeça porque O entristece. E não queremos estar longe dEle. Em tempo algum. Pelo simples fato de que Ele nos amou. Entregou-nos o Seu coração. E somos dEle. Assim como Ele é nosso. O amamos. E O queremos em nossas vidas. Sempre. A cada dia. E queremos estar inteiros. Ser inteiros. E acertar o alvo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

1 Samuel, tesouro inesgotável

1 Samuel, que livro rico! Um tesouro inesgotável! Lemos, lemos, lemos e continuamos aprendendo. 

Elcana, um marido que valia mais que dez filhos! 

Penina, uma pedra no sapato. Sempre afrontando Ana. Uma mulher que não sabia exercer graça e misericórdia.

Ana, uma mulher linda e humilde. Pediu, ganhou, doou. E ganhou mais. Encheu a aljava de Elcana.

Eli, compactuou com o pecado de seus filhos. Um profeta que perdeu a visão. Perdeu o privilégio de abençoar gerações. De perpetuar seu ministério.

Samuel, um homem que aprendeu a ouvir a voz do Senhor, ainda menino. Cresceu em comunhão com o Senhor. Ousou repreender Saul. Ousou ungir um simples pastorzinho como futuro rei de Israel, porque Deus assim o orientou.

Saul, o homem que tinha tudo para dar certo. 
Como foi terrível sua decadência! Aquele que havia matado todos os médiuns, no final de sua vida consulta uma. Porque o Senhor havia se calado! Mas como ouvir Sua voz com o ouvido cheio "da cera" do pecado? A alma de Saul inquieta. Ele desesperado. A um passo de se prostrar diante de Deus. Se arrepender. Clamar por perdão. Reconciliação. Reconexão. Mas não o faz. 

O terrível do pecado é que ele nos aprisiona e nos cega. E as coisas só pioram! E aqui, volto mais uma vez a falar do poder das nossas escolhas. Eu escolho! Mas minhas escolhas afetam outras pessoas. Sempre! E Saul cai no monte Gilboa, levando seu filho lindo e raro, à morte junto com ele. Saul, seus três filhos, seu escudeiro e todos os seus soldados morreram naquele dia. Tragédia.

Como isso é sério! Como meu coração partiu e como chorei quando estive naquele lugar! Por todos os Sauls e Jônatas que conheço. Pelos que não conheço também. Pelos seus escudeiros. Pessoas que começaram tão bem e hoje estão afastadas do Senhor. Que a Sua bondade possa alcançá-las através das nossas orações e nossas vidas! 

E no episódio da morte de Saul, é contado sobre duas guerras. Dois protagonistas. Ambos desfalecem. Um cai estendido no chão, tomado de incontrolável pavor, Saul. O outro, mesmo sendo ameaçado em ser apedrejado por seus homens, após ter dado brados de dor e chorado até "se esgotarem as lágrimas", encontra ânimo no Senhor, Davi. Para um, Deus se cala. Para o outro, ao perguntar se deve prosseguir na batalha, Deus não apenas responde o que foi perguntado, Ele dá o resultado da batalha. Um é derrotado e morre, perdendo tudo. O outro, após ser respondido pelo Senhor, ataca seus inimigos e recupera TUDO que perdeu. Ainda despoja os filisteus e presenteia os anciãos de Judá. Quanta diferença entre o que serve e o que não serve a Deus! 

Saul podia ter dado certo. Mas não deu. Escolhas erradas.

Jônatas, maravilhoso demais. Sabia servir. Um amigo mais que precioso. Como Davi disse "o seu amor me era mais precioso que o amor das mulheres". Sabia ser o segundo.

O escudeiro de Jônatas. Sabia a quem servia. E servia de coração.

Golias, o gigante que nos promove. Que nos leva aos lugares certos. 

Davi, meu preferido, um homem segundo o coração de Deus.

Mical, mulher tola. Sua tolice lhe tirou o privilégio de ser mãe.

Urias, um guerreiro corajoso e leal. Não aceitou desfrutar de uma noite de amores enquanto a arca do Senhor e o Seu exército estavam acampados em guerra.

Nabal, um tolo, que esqueceu quem foi Calebe, seu antepassado, um homem que sabia enxergar, um guerreiro. Um conquistador. Tornou-se um cego, inconsequente, que não sabia ouvir.

E por fim, Abigail, minha preferida. Inteligente. Sabia ouvir. Enxergar. Agir. Falar. Honrar. Por isso foi honrada por Deus. Depois da dor, alegria. Meu modelo pessoal.

Que exemplos a serem seguidos e, alguns evitados. Que possamos aprender através das páginas desse livro maravilhoso. Repleto de segredos e surpresas.

E como chegamos até aqui, que tal darmos uma espiadinha em II Samuel? Vamos percorrer algumas páginas e lermos juntos alguns personagens.

Começamos na próxima semana. Espero você.