Leitura do dia 24/10.
Continuamos nossa caminhada através do livro de Marcos.
Ontem vimos a entrada de Jesus em Jerusalém. O ensino sobre a figueira.
Ele purificou o templo, casa de oração para todos os povos. Sua autoridade foi questionada.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-111-33.html
Contou a parábola dos lavradores maus. Ordenou dar o que é de César a César e o que é de Deus a Deus. Falou sobre a ressurreição dos mortos. Os mandamentos mais importantes. Perguntou de quem o Cristo é filho. Criticou os mestres da lei. Elogiou a oferta da viúva pobre. http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-121-44.html
Vimos também o Senhor falar sobre os acontecimentos futuros e os sinais aos quais devemos estar atentos. http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-131-37.html
Hoje, caminharemos a partir do capítulo quatorze de Marcos. Até o capítulo final.
Na primeira postagem, apenas o capítulo quatorze.
Faltam apenas dois dias para a comemoração da Páscoa. Os principais sacerdotes e mestres da lei ainda estão procurando uma oportunidade de prendê-Lo e matá-Lo. Em segredo. Resolvem que só depois da Páscoa, para não causar tumulto entre o povo.
São sacerdotes e mestres da lei. Não sabem quem Ele é. Não sabe que é o Cordeiro que tira o pecado do mundo e que, por isso, deve morrer na Páscoa.
Jesus está em Betânia. Na casa de Simão, conhecido como Simão, o leproso. Com certeza não era mais leproso, uma vez que convivia com as pessoas, em sua própria casa e havia tido um encontro, em algum momento, com Jesus.
Estamos ali, observando aquele jantar. Todos reclinados à mesa. De repente, uma mulher, com um frasco de alabastro, contendo um perfume caro, feito de essência de nardo, entra naquela sala de jantar. Segue até onde Jesus está. Quebra o frasco e derrama o perfume sobre Sua cabeça. Meu coração acelera.
Esse acontecimento é um dos meus preferidos (como tantos!). O perfume se espalha por toda a sala. Quase posso sentir. Amo perfumes. Meus olhos estão arregalados. Jesus desfruta daquele ato de amor. Eu também. É um ato lindo.
De acordo com João, capítulo doze, essa mulher é Maria. Alabastro era um tipo de cerâmica usado naquele tempo. Ainda de acordo com João, esse bálsamo de nardo puro era um óleo perfumado muito caro. Custava cerca de trezentos denários. Lembra que um denário era o pagamento de um dia de trabalho?
Consegue imaginar a cena? Olho de um lado para o outro. A mulher naquele ato de total desprendimento. Um ano de trabalho sendo derramado sobre o Senhor Jesus. O perfume enche o ambiente. O murmúrio é geral. Jesus encharcado de perfume, Sua cabeça e roupas. Ele não reclama. Desfruta.
Alguns que estão à mesa ficaram indignados. Consideram um ato de total desperdício. Falam que o perfume podia ser vendido por trezentas moedas de prata e o dinheiro dado aos pobres. Eles a repreenderam severamente, pelo seu desperdício.
Realmente é muito dinheiro. Mas estou maravilhada com essa cena. Essa mulher desprezou o dinheiro para honrar o meu Senhor. O Senhor dela. O nosso Senhor.
Jesus ordena que não a perturbem. Afirma que ela praticara algo muito bom para Ele. Disse que os pobres sempre estariam com eles. Ele não. Concluiu que, quando ela derramou o perfume, estava preparando-O para o sepultamento. Meu coração dispara novamente.
Sim, faltam apenas dois dias para a Páscoa. Meu Senhor irá mesmo morrer. Por mim. Por você.
Jesus assegurou-lhes que onde o Evangelho fosse anunciado, em todo o mundo, o que ela fez por Ele seria contado, para memória dela. Perceba que falou que o Evangelho seria anunciado em todo o mundo. Essa história seria contada também, em todo o mundo, para memória dela. Tenho vontade de chorar. O que ela fez foi tão precioso para Ele que essa história será contada por todo o mundo. Repito, para memória dela. Como Ele é maravilhoso! Meu amor por Ele aumenta. Como não aumentar?
Estamos aqui hoje, lembrando o que ela fez. Dois mil anos depois. Do outro lado do mundo. Meu coração salta de alegria. Podemos confiar em Sua palavra. Aquela mulher pode não ter visto acontecer, mas nós estamos vendo. Sabemos que o que Ele assegurou, de fato aconteceu. Ele é fiel e verdadeiro. Podemos confiar. Sempre cumpre Suas promessas.
Após o jantar, Judas, chamado Iscariotes, foi até aos principais sacerdotes para combinar de lhes entregar Jesus. Ficaram muitos satisfeitos. Prometeram-lhe dinheiro.
A partir desse momento Judas passou a procurar uma oportunidade para entregar nosso Senhor.
O grande dia se aproxima. É o primeiro dia da festa dos pães sem fermento, quando o Cordeiro Pascal era sacrificado. Os discípulos perguntam onde Ele deseja que preparem a refeição da Páscoa.
Eles não sabem, nós sabemos. Será a última refeição dEle antes de Sua morte.
Jesus envia dois discípulos à Jerusalém. Fala que, ao entrarem na cidade verão um homem carregando uma vasilha de água. Devem segui-Lo. Quando ele entrasse na casa, que falassem ao proprietário daquela casa que o Mestre deseja saber onde é o aposento onde comerá a Páscoa com Seus discípulos. Fala ainda que o homem os levará a uma sala grande no andar de cima. A sala já está arrumada. Que preparassem a refeição.
Claro que gostaria de saber quem é esse homem, tão disponível para o Senhor.
Eles foram. Encontraram tudo como Jesus dissera. Preparam a Páscoa.
Ao anoitecer Jesus chegou com Seus os Doze. Estão comendo. Observamos a cena com atenção.
Jesus, como era o costume, estava reclinado à mesa com os Doze. Enquanto comia, disse que um deles O trairia. Era certo que aconteceria. Os discípulos ficam aflitos. Também ficaríamos se ouvíssemos o Senhor falar assim conosco. Todos disseram “certamente não serei eu”.
Seus corações deviam estar na boca. Sem saber ao certo o que pensar, o que sentir. Não sabiam nem o que aconteceria.
Jesus afirma que o que come com Ele, do mesmo prato, haveria de traí-Lo. Como está escrito em Salmo 41.9. E a triste notícia. O Filho do homem morreria, como estava escrito a Seu respeito. Mas ai daquele que O traía. Melhor seria não ter nascido.
Judas traiu Jesus porque deu lugar ao nojento, inimigo das nossas almas. Amava o dinheiro. Em João 12.6, João nos conta que não se importava com os pobres, era ladrão. Suas escolhas já estavam equivocadas, antes de resolver trair Jesus. Embora andando com o Senhor, como os outros, seu coração estava longe dEle. Seu desejo era juntar riquezas aqui e não nos céus.
Enquanto comiam, Jesus modifica a tradição daquele jantar. Tomou o pão, deu graças, partiu e ordenou que tomassem e comessem. Era Seu corpo. Os discípulos obedecem. Não entendiam exatamente o que estavam fazendo. Ainda não.
Em seguida, tomou o cálice de vinho, deu graças e ofereceu aos Seus discípulos, ordenando que todos bebessem do mesmo cálice. Era Seu sangue. O sangue da aliança, que era derramado como sacrifício por muitos. Da mesma maneira, obedecem.
O Senhor disse que não beberia mais deste fruto da videira, até o dia em que beberia um vinho novo, no Reino de Seu Pai. Nas Bodas do Cordeiro. Com eles. Comigo. Com você.
O jantar está prestes a terminar. Os próximos acontecimentos mudarão a história para sempre.
Este jantar da Páscoa transformou-se no que, mais tarde, seria chamada a “Santa Ceia”. Hoje nós a celebramos para anunciar Sua morte, até que volte, no dia glorioso, conforme 1 Coríntios 11.26.
Que nossos corações estejam sempre guardados no Senhor, para não cairmos no mesmo erro de Judas Iscariotes. Que nossa disposição seja a obediência, não a traição.
"Acima de todas as coisas, guarda seu coração, pois ele dirige o rumo de sua vida". - Provérbios 4.23
O jantar termina. Como era o costume, cantam um hino. E vão ao Monte das Oliveiras. Nós os acompanhamos.
No caminho, Jesus lhes diz que todos irão abandoná-Lo. Estava escrito. O pastor seria ferido. As ovelhas do rebanho seriam dispersas. Mais uma profecia devia se cumprir. Está em Zacarias 13.7. No entanto, mesmo sendo abandonado, disse que depois que ressuscitasse, iria adiante deles para a Galileia. Lá os encontraria.
Pedro, sempre Pedro, meu querido Pedro, mais que depressa responde que ainda que todos O abandonem, ele nunca O abandonaria! Estou prestes a aplaudi-lo. Mas, escuto o Senhor dizer com toda a segurança que, antes que o galo cantasse duas vezes, Pedro iria negá-Lo três vezes. Meu coração se entristece. Sei que é verdade.
Pedro continua afirmando que não. Que mesmo que fosse preciso morrer com o Senhor, morreria e nunca O negaria. Os outros discípulos dizem o mesmo. Observo-os um a um.
Jesus desce com eles ao Getsêmani. É um jardim na parte baixa do Monte das Oliveiras. Estive ali. Repleto de oliveiras.
Getsêmani significa literalmente “prensa de azeite”. Jesus está prestes a ser prensado. Por nós.
Chegando ali, Ele ordena que fiquem sentados enquanto vai mais adiante para orar. Leva os três mais chegados. Pedro, Tiago e João. Nós os acompanhamos. Queremos ver o que acontecerá.
Enquanto ora, começa a entristecer e angustiar-Se. Nosso Senhor começa a ser prensado. Comenta com os três que Sua alma está profundamente triste. Uma tristeza mortal. Pede que vigiem com Ele. Estamos atentos. Coração pesado. Vai mais um pouco adiante. É uma hora só dEle. De total solidão. E angústia.
Prostra-Se com o rosto em terra e ora. Pede ao Pai que se possível, afaste dEle esse terrível cálice que está prestes a beber. Mas, que não fosse feita Sua vontade e sim a vontade do Pai.
Quando volta aos discípulos, encontra-os dormindo. Pergunta a Pedro se não puderam vigiar com Ele nem por uma hora. Não ouvimos resposta. Engulo em seco.
Ele os alerta a vigiar e orar para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. É um alerta para nós também.
Novamente retira-se para orar. Sua angústia é a mesma. Sua oração também. Assim como Sua submissão ao Pai. Vai até aos discípulos. Dormindo. Seus olhos estavam pesados.
Pela terceira vez retira-Se e ora. Mesma angústia. Mesma oração. Mesma submissão. Mesma entrega.
Lucas 22.44 nos relata que Seu suor se transformou em gotas de sangue, tamanha agonia pela qual Sua alma passava. É o relato de um médico, Lucas, descrevendo a agonia de um homem.
Jesus foi feito homem. Viveu como um homem. Sofreu como o homem que era. E continuou puro, santo e irrepreensível. Tudo por amor a mim. E a você.
Sua agonia corta meu coração. Que amor é esse? Eu não entendo. Não mereço. Nunca merecerei. Nem você. Nenhum de nós. Ninguém.
Quando volta, pergunta se ainda dormem e descansam. Fala que chegou a hora. O Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Era hora de levantar e ir! Seu traidor estava chegando.
Ainda está falando quando Judas Iscariotes se aproxima. Não está sozinho. Havia uma grande multidão armada de espadas e varas. Os enviados pelos principais sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos do povo. Meu coração dispara. Apoio-me em seu braço. É hoje. Será preso. Judas está se aproximando cada vez mais.
Ao longe e à noite, todos eram parecidos. Mesmo biótipo. Mesmas roupas. Mesmos cabelos e barbas. Judas havia, por isso, combinado um sinal. Aquele a quem saudasse com um beijo, era Jesus. Deviam prendê-Lo. Estou de queixo caído. Judas dirige-se a Jesus, chama-O de Rabi (Mestre) e O beija. Meu estômago dá voltas. Meu coração está prestes a sair pela boca.
Os homens que estavam com Judas aproximam-se, agarram meu Mestre e O prendem. Minhas pernas estão bambas. Estou em prantos. Sei o que virá em seguida. Um dos discípulos puxa a espada e fere o servo do sumo sacerdote. Decepa sua orelha.
Jesus pergunta se era um revolucionário perigoso para que fossem até Ele com espadas e pedaços de pau. Por que não o prenderam no templo? Todos os dias estava ali, entre eles, ensinando. Mas, aconteceu assim para que as Escrituras se cumprissem. Agora é a hora.
E, como disse que aconteceria, todos os discípulos fogem, abandonando-O. Se estivéssemos ali, faríamos o mesmo.
Um jovem O segue, vestido apenas com um lençol de linho. Quando a multidão tenta agarrá-lo, foge, deixando o lençol para trás.
Ficamos parados, você e eu, perplexos diante de tal cena. Sabemos que mais coisas acontecerão.
Tenho que parar nossa caminhada. Não posso prosseguir. Prostro-me diante dEle. Preciso agradecê-Lo. Adorá-Lo. Foi preso por mim. Por amor.
Junte-se a mim. Adore-O. Como não retribuir tão grande amor?
Ele me amou primeiro. Eu O amarei para sempre. E você? https://www.youtube.com/watch?v=f5v-XbnCYMA
Que amor é esse? Eu não entendo. https://www.youtube.com/watch?v=Q-ky4bX43cM
Continuamos.
Levam-no à casa do sumo sacerdote que está reunido com os principais sacerdotes, os mestres da lei e os líderes religiosos. A intenção deles realmente é matá-Lo.
Pedro O segue, de longe, até o pátio da casa do sumo sacerdote. Entra e senta-se com os guardas. Espera para ver o que acontecerá.
Lá dentro, os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuram um depoimento falso contra Ele, para condená-Lo. Não encontram nada. Por fim, alguns dizem que Ele afirmou que destruiria o templo feito por mãos de homens e em três dias construiria outros, não feito por mãos humanas. Até essa acusação era incoerente, mas quem falava contra o templo podia ser condenado à morte. Meu coração está disparado. Minha boca, seca. Olho para o Senhor. Ele permanece em silêncio.
O sumo sacerdote levanta-se, dirige-se a Ele e pergunta se não vai responder à acusação que lhe fazem. O Senhor continua em silêncio, inabalável.
O sumo sacerdote pergunta se Ele é o Cristo, o Filho do Deus Bendito. Como se quisesse realmente saber.
Jesus responde: “Eu sou”. Completa que eles verão o Filho do homem sentado à direita do Poderoso, vindo sobre as nuvens do céu.
Ninguém se ajoelha perante Ele, sabendo agora quem é. Não. O sumo sacerdote rasga suas vestes, em sinal de indignação e diz que blasfemou. Não precisam mais de testemunhas. Todos ouviram “a blasfêmia” que acabou de ser dita. Pergunta o que acham. Qual sentença lhe cabe. Todos respondem que é réu de morte.
As lágrimas descem pelo meu rosto. A profecia se cumprirá. Como disse, farão o que quiserem com Ele. Para meu total horror, vejo alguns cuspindo em Seu rosto, outros Lhe dando murros e outros, tapas. Vendaram Seus olhos. Rindo, debochando, dizem a Ele para profetizar. Enquanto O levam, continuam Lhe dando tapas.
Enquanto observamos o Senhor sendo julgado e condenado no Sinédrio, Pedro estava sentado no pátio. Aguardava os acontecimentos. Lembre-se, ainda é noite.
Uma criada aproxima-se e diz, não pergunta, afirma que ele também estava com Jesus de Nazaré. Pedro nega. Diz que nem sabia do que ela estava falando.
Esse é o Pedro que dissera algumas horas antes estar disposto a morrer com o Senhor?
Ele segue em direção à porta. O galo canta. A criada o vê. Diz praticamente a mesma coisa. Novamente nega. Tenho vontade de chorar.
Pedro provavelmente conversava, para passar o tempo. As horas passam devagar. A alvorada está quase chegando. Os que estão ali falam que certamente ele era um deles, afinal, era galileu. Pedro começa a praguejar. Jura que não conhece “tal homem”. Ele, que dissera estar disposto a morrer pelo Senhor. Agora diz que não conhece “o tal homem”.
O galo canta pela segunda vez. Olho para Pedro. Ele lembra que Jesus dissera que antes que o galo cantasse duas vezes, ele O negaria três vezes. Começa a chorar. Não o condeno. Quem disse que eu não faria o mesmo? E você?
Continuamos na próxima postagem.
Espero você. Até já.