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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Jesus anda sobre as águas

Seguimos nossa caminhada através do capítulo 6 de João. Do versículo 16 ao  24.

Ontem vimos que Jesus havia multiplicado os pães e os peixes para uma grande multidão.
http://www.espalhandoasemente.com/2018/05/jesus-faz-uma-pergunta-que-ninguem.html;
http://www.espalhandoasemente.com/2017/12/continuamos-nossa-viagem-atraves-do.html

Alguns da multidão quiseram fazer dEle um rei, à força, por não entenderem que Seu reino não é daqui. Por não entenderem que veio para servir e dar Sua vida em resgate de muitos.

Ele sai do meio da multidão. Sobe ao monte. Sozinho.

Anoitece. Seus discípulos despedem a multidão e descem para o mar da Galileia. Entram em um barco e começam a travessia para Cafarnaum.

Jesus não está com eles.

Quando estive no mar da Galileia, pude ver como escurece rapidamente. De repente, tudo está escuro. Não se enxerga praticamente nada. Hoje, em pleno século 21. Imagine dois mil anos atrás!

Escurece. Breu. Jesus ainda não foi ao encontro deles.

Sopra um vento forte. As águas estão agitadas. Algo comum ali, em função da localização do mar da Galileia.

Mas eles continuam. Remam cerca de cinco ou seis quilômetros. Estão cansados.

De repente alguém se aproxima do barco, andando sobre o mar. Quem poderia vir andando sobre as águas? Ficam completamente aterrorizados.

São homens adultos. Alguns, pescadores experientes. Mas estão completamente aterrorizados. Nunca viram nada parecido. Será um fantasma? http://www.espalhandoasemente.com/2017/12/a-duvida-de-pedro.html

Então Jesus lhes diz: “Sou Eu! Não tenham medo!”

Eles se animam. Corações vão voltando ao normal. Pernas vão parando de tremer.

Recebem-No no barco. E logo chegam à praia para a qual iam.

Já parou para pensar como as coisas parecem tenebrosas no escuro? Como imaginamos vultos e perigos que não existem? Como ruídos parecem estrondos? Como ventos viram furacões? E nossos corações disparam. Nossas pernas tremem. Nossos dentes batem.

Precisamos que Jesus se identifique. Precisamos que Ele, nossa Luz, clareie nossa escuridão. Assim, os medos vão embora. Podemos recebê-Lo em nosso barco e chegarmos ao lugar onde estamos indo. Com Ele, clareando nosso caminho, chegaremos ao porto seguro.

No dia seguinte, a multidão que ficou do outro lado, percebe que apenas um barco estivera ali e que Jesus não havia entrado nele, com Seus discípulos. Eles haviam partido sozinhos.

Alguns barcos de Tiberíades, aproximam-se do lugar onde a multidão havia comido pão, após o Senhor agradecer.

Quando a multidão percebe que nem Jesus nem Seus discípulos estão ali, entra no barco e vai para Cafarnaum em busca dEle.

Encontrarão? Estarão com Ele?

Se sua vida está em escuridão, clame e peça que Ele a clareie. Ele o fará.

Amanhã prosseguimos.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O fermento dos fariseus e saduceus


Entramos no capítulo 16 de Mateus.

Novamente os fariseus e os saduceus aproximaram-se de Jesus. Eles O puseram à prova pedindo-Lhe um sinal do céu.

Jesus responde que eles sabiam olhar para o céu e ver se o dia seria de tempestade ou de sol, mas não sabiam interpretar os sinais dos tempos.

Queriam um sinal do céu quando deveriam olhar para os sinais dos tempos. http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/jesus-nos-chama-aprender-com-ele.html

Jesus, sempre comprometido com a verdade, os chamou de geração perversa, que praticava o que era ruim e prejudicava as pessoas, e adúltera, pois haviam abandonado ao Senhor verdadeiro e serviam a si mesmos.

Disse ainda que nenhum sinal seria dado a eles, a não ser o sinal de Jonas. E se retirou. Assunto encerrado. Ele não perdia tempo com discussões que não levam a nada.

Assim como Jonas havia ficado no ventre do peixe, Jesus ficaria no ventre da terra. E como Jonas saiu, Jesus ressuscitaria. Não acredito que eles entenderam. Não tinham olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para entender. Olhavam para si. Ouviam o que lhes era conveniente. E não entendiam a verdade da Palavra.

Dali, foram para o outro lado do mar da Galiléia. Os discípulos esqueceram de levar pão. Jesus lhes disse para estarem atentos e terem cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus.

Os discípulos ainda estavam muito preocupados com o natural. Começaram a discutir entre si dizendo que não haviam levado pão.

Jesus, percebendo a discussão, pergunta: “Homens de pequena fé, por que vocês estão discutindo entre si sobre não terem pão? Ainda não compreendem”?

Será que temos compreendido o que Jesus tem feito em nossas vidas?

Jesus precisou lembrá-los das duas multiplicações dos pães e de como as multidões foram alimentadas naquelas ocasiões, então, os discípulos entenderam que Ele estava falando do ensino dos fariseus e saduceus.

Lembram da história que lhes contei de quando fui fazer o calzone e o excesso de fermento estragou toda a massa? Assim era o ensino desses homens. Ensinavam regras sobre regras. Enchiam a massa de fermento, até que estivesse estragada. Não possuíam vida, apenas religiosidade. http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/a-parabola-do-fermento.html

Que tenhamos cuidado com os fariseus e saduceus de hoje que, ao invés de produzir alimento sadio, enchem a massa de fermento.

Fermento em excesso fede, estraga a massa, que só serve para ser jogada fora. Como o sal insípido. Como a luz que não se acende quando deveria estar acesa. http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/somos-sal-e-luz.html

Que o nosso fermento seja no ponto certo, introduzido em massa de trigo puro, sem mistura, que produz vida a todos que se achegarem a nós, como acontecia com nosso Senhor Jesus.

Amanhã prosseguimos viagem. Até lá.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jesus dorme em meio à tempestade? E agora?

Continuamos nossa viagem através de Mateus. Capítulo 8, dos versículos 23-27.

Esse mesmo texto está compartilhado em Marcos, capítulo 4, dos versículos 35-41. http://www.espalhandoasemente.com/2015/12/a-tempestade-em-meio-ao-mar.html

Jesus havia passado tempo ensinando através de várias parábolas. Depois curou a muitos.

Sabemos que precisamos que nos ensine, também, através de acontecimentos. Situações. Circunstâncias. Aí é mais difícil não? Muitas vezes nos perdemos no meio do caminho e precisamos levar uma chacoalhada dEle.

O Senhor pediu aos discípulos, ao cair da tarde, para que passassem para o outro lado. Na última vez que fui a Israel, atravessamos o Mar da Galiléia ao cair da tarde. Num instante virou noite. Breu. Tudo o que víamos era a silhueta da cidade e a luz de alguns barcos. Nada das montanhas e da paisagem que me fascinou quando andamos ali durante o dia. Se hoje, pleno século XXI, estava o maior breu, que dirá nesse dia. Dois mil anos atrás.

Num instante virou noite. Jesus deitou na popa e dormiu. Temos a tendência de esquecer que Ele era homem, sujeito às mesmas coisas que você e eu. Estava cansado. Arrumou um "travesseiro". Dormiu.

Levantou um tremendo vendaval. O texto diz que as grandes ondas se jogavam para dentro do barco, que se enchia de água. O fato de Jesus nos mandar "subir no barco" e atravessar o mar não nos isenta de tempestades. Mesmo tendo sido Ele, as ondas se lançam para dentro do barco, querendo afundá-lo. Na verdade, é quase sempre o que acontece. E ficamos meio aturdidos. Até desnorteados.

É complicado ficar sem norte. Na escuridão. No breu. E ainda dentro da água. No meio de uma tempestade. Nesse caso, só uma coisa para nos socorrer. Seu Nome. Sua identidade. "... Aquele que tem caminhado nas trevas, sem nenhuma luz, ponha sua confiança no nome de Yahweh, tome como arrimo e total apoio, o seu Deus". - Isaías 50.10 Ah, amo esse versículo.

Quantas vezes entrei nesse barco que Ele me chamou enxergando tudo e logo em seguida o breu caiu sobre mim e a única alternativa era confiar.

Às vezes pego a pontinha do travesseiro e deito ao Seu lado. Está tão escuro que mal consigo enxergar Sua face, mas escuto Sua respiração tranquila e me convenço de que se Ele está dormindo, posso dormir também e deixo "o pau quebrar". Outras vezes esqueço tudo que Ele ensinou. Tudo que vivi. E o pavor me engole. Não posso me deitar ao seu lado! Vamos perecer! É demais para mim! Não posso deixá-Lo dormindo sossegado. Quero chacoalhá-Lo. Então, dou um grito como os discípulos fizeram e O desperto. Às vezes gritando por socorro, às vezes dizendo na maior cara de pau: "Não te importa que pereçamos? Não está vendo que o barco vai afundar? E foi o Senhor quem nos colocou nessa situação”! Ah, como Ele sempre é paciente e bondoso comigo! E age na hora certa!

Nunca O vi virar para o outro lado e continuar dormindo, alheio ao meu desespero. Ele sabe que se eu cair na água, já era! Afogamento certo! Morte certa! Ele se levanta, com a maior calma, sem nenhum "chilique". E simplesmente fala ao vento e ao mar: "Aquieta-te! Silencia-te!" Fico olhando para Ele boquiaberta. Tenho certeza que vi uma covinha de riso em Seu rosto. Completa bonança! Não é que diminuiu o vendaval. Acabou!  E antes que eu tenha tempo de esboçar uma reação, Ele me repreende: "Por que a covardia? Você ainda não tem fé”?

Um filme passa pela minha cabeça. Ele é amor. O perfeito amor lança fora o medo! Da próxima vez vou me deitar. Segurar na Sua mão, só para ter certeza que Ele está comigo. Às vezes não me basta simplesmente ouvir Sua respiração tranquila e dormir ao Seu lado. No mesmo travesseiro. Preciso sentir Sua mão.

E o filme continua passando e olho incrédula para mim! Quantas vezes já atravessamos esse mesmo mar? De dia. De noite. Na tempestade. No sol escaldante. No frio congelante. Na calmaria. Em outros vendavais. E até tsunamis! Nós dois. Sozinhos. Eu, de olhos fechados, com medo de abrir, e olhar o tamanho das ondas. Correndo às vezes daqui para ali. Deixando o barco estável. Porque, como um dia li, às vezes Ele acalma a tempestade e às vezes o marinheiro. O fato é que hoje, Ele simplesmente ordenou e tudo se fez bonança!

E mais uma vez só o que posso fazer é prostrar-me a Seus pés. Agradecer e adorar. "Quem é esse que acalma a tempestade e o mar obedece”? 

Sei quem Ele é. Conheço o Seu nome!  E como João, tenho que cantar: "Oh Rei das nações quem não temerá, quem não glorificará Teu nome”? https://www.youtube.com/watch?v=FuAU17sJTAA

E gentilmente, ah como Ele é gentil! E como amo Sua gentileza! Com firmeza ordena ao mar e ao vento. Me repreende com amor, mas gentilmente me aquieta, e com Sua doçura, coloca a mão sobre Seu travesseiro e me chama para descansar ao Seu lado. “Vem! Deita aqui comigo! Vamos chegar ao outro lado. Calma! Aquieta-te”!

Percebo que fala comigo as mesmas palavras ditas ao vento e ao mar. Mas comigo Seu tom é diferente. Encharcado de amor. Atendo Seu convite e deito. Mãos dadas com Ele. Deus lindo! Como não confiar? Como não amá-Lo? Como não querer agradá-Lo? Não dá para imaginar um barco afundando com Ele dentro! Descansar é a palavra chave!

Digo a mim mesma, mas olhando em Seus olhos - está escuro, mas agora O vejo: "Da próxima vez, vou confiar.” Seu olhar me diz que ainda que eu grite, Ele vai entender e me socorrer! Sabe que estou "no processo" e que preciso desesperadamente dEle. Então diz baixinho: "Sem mim, você não pode fazer nada". É Ele quem age em meu favor! Em qualquer circunstância! Sempre! Lembro que embora tenha me concedido tantas maravilhas, só preciso dEle!

Sim, Ele é tudo que preciso! O Amado da minha alma! E percebo que não apenas meus olhos estão fitos nos dEle. Seus olhos estão fitos em mim. Tenho Sua total atenção. Nada O distrai! Sou dEle. E Ele é meu! Estou segura! Vamos sim, chegar ao outro lado! E ali, no mesmo travesseiro que Ele, sob o olhar incrédulo dos outros, adormeço sem perceber!

Sei que Ele continua sendo bom. Ele continuar sendo Deus. https://www.youtube.com/watch?v=c5U6FDoaCvQ

Amanhã prosseguimos nossa viagem. Terminaremos o capítulo 8.

domingo, 5 de novembro de 2017

Começa o ministério de Jesus

Vamos continuar o capítulo 4 de Mateus?

Depois que Jesus foi batizado por João Batista e foi levado ao deserto pelo Espírito Santo para ser tentado, somente depois, Ele começou a pregar.

Jesus morava em Nazaré. Ouviu sobre a prisão de João Batista e mudou-se para Cafarnaum, cidade que ficava junto ao mar da Galileia. Tive o privilégio de estar nesses lugares quando visitei Israel. Na realidade o mar da Galileia é um grande lago, parece realmente o mar. Hoje é conhecido como o Lago de Tiberíades. Um lugar lindíssimo. Sua mudança para Cafarnaum não se deu à toa, mas para que se cumprisse o que havia sito dito pelo profeta Isaías (Is 9.1,2).

Jesus começou a pregar uma mensagem de arrependimento, à semelhança de João Batista.

Arrepender-se significa mudar de direção, mudar de mente. Não se pode receber os ensinamentos do Senhor Jesus sem antes mudarmos nossas mentes e atitudes. Veremos claramente essa ideia quando estivermos lendo o chamado “Sermão do Monte.” As ideias de Jesus eram revolucionárias, e só quem passava pelo arrependimento, quem mudava de mente, poderia acompanhá-Lo.

Depois que começou a pregar Sua mensagem de arrependimento, Jesus chamou Seus primeiros discípulos. Andando à beira do mar da Galileia, o Senhor viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro e seu irmão André. Eles não estavam à toa. Estavam lançando suas redes ao mar, pois eram pescadores. O Senhor os chamou dizendo: “Sigam-me e eu os farei pescadores de homens”. Fico imaginando a autoridade de Sua presença, aqueles homens imediatamente deixaram suas redes e O seguiram. Não esperaram o dia seguinte, ou a “temporada da pesca” terminar. Eles O seguiram imediatamente. Indo adiante, viu outros dois irmãos, Tiago e João, que também não estavam à toa. Eles estavam no barco com o pai, preparando suas redes. Jesus os chamou e eles também, imediatamente, deixaram seu pai e o barco e O seguiram.

Os primeiros quatro discípulos de Jesus eram duas duplas de irmãos! Ah, o Senhor ama a família. Deixaram sua profissão de pescadores de peixes para aprenderem a pescar homens.

Jesus foi por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo. “Etimologicamente, doente é o que sente dor, o que sofre, o que padece; enfermo é o que está debilitado, enfraquecido pela doença”. – https://revistas.ufg.br

Acho maravilhoso que noticias sobre Ele se espalharam por toda a Síria e lhe trouxeram todos os que sofriam de vários males e tormentos, e Ele os curou. Não mandou fazer duas filas. De um lado os que eram de Israel e de outro os estrangeiros. Ele simplesmente curou a todos.

Então, grande multidão começou a seguí-Lo, da Galileia, onde havia uma mistura de povos, de Decápolis, dez cidades onde predominava a cultura grega, Jerusalém, Judeia e da região do outro lado do Jordão.

O que mais me impacta neste texto é a autoridade de Jesus. Ele fala a quatro pescadores: “Sigam-me” e eles O seguem, imediatamente.

Devemos ter em mente quem Jesus era. Muitas vezes, levados pela tradição, imaginamos um Jesus tímido, quietinho, mas veremos através das próximas páginas que Ele era um homem que sabia falar, ousado, que demonstrava autoridade.

Bom, amanhã continuamos nossa viagem com o capítulo 5. Até lá.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A tempestade em meio ao mar


Vamos ler hoje Marcos 4.33-41?
Jesus havia passado o dia ensinando aos discípulos através de várias parábolas. Mas sabemos que não é o suficiente. Precisamos também, que nos ensine através de acontecimentos. Situações. Circunstâncias. Aí é mais difícil não? Muitas vezes nos perdemos no meio do caminho e precisamos levar uma chacoalhada dEle.

O Senhor pediu aos discípulos, ao cair da tarde, para que passassem para o outro lado! Na última vez que fui a Israel, atravessamos o Mar da Galiléia ao cair da tarde. Num instante virou noite. Breu. Tudo o que víamos era a silhueta da cidade e a luz de alguns barcos. Nada das montanhas e da paisagem que me fascinou quando andamos ali durante o dia! Se hoje, pleno século XXI, estava o maior breu, que dirá nesse dia. Dois mil anos atrás.

Num instante virou noite. Jesus deitou na popa e dormiu. Temos a tendência de esquecer que Ele era homem, sujeito às mesmas coisas que você e eu. Estava cansado. Pegou um travesseiro. Dormiu.

Levantou um tremendo vendaval. O texto diz que as grandes ondas se jogavam para dentro do barco, que se enchia de água. O fato de Jesus nos mandar "subir no barco" e atravessar o mar não nos isenta de tempestades. Mesmo tendo sido Ele, as ondas se lançam para dentro do barco, querendo afundá-lo. Na verdade, é quase sempre o que acontece. E ficamos meio aturdidos. Até desnorteados.

É complicado ficar sem norte. Na escuridão. No breu. E ainda dentro da água. No meio de uma tempestade. Nesse caso, só uma coisa para nos socorrer. Seu Nome. Sua identidade. "... Aquele que tem caminhado nas trevas, sem nenhuma luz, ponha sua confiança no nome de Yahweh, tome como arrimo e total apoio, o seu Deus". - Isaías 50.10 Ah eu amo esse versículo.

Quantas vezes entrei nesse barco que Ele me chamou enxergando tudo e logo em seguida o breu caiu sobre mim e a única alternativa era confiar.

Às vezes eu pego a pontinha do travesseiro e deito ao Seu lado. Está tão escuro que mal consigo enxergar Sua face, mas escuto Sua respiração tranquila e me convenço de que se Ele está dormindo, posso dormir também e deixo "o pau quebrar". Outras vezes esqueço tudo que Ele ensinou. Tudo que vivi. E o pavor me engole. Não posso me deitar ao seu lado! Vamos perecer! É demais para mim! Não posso deixá-Lo dormindo sossegado. Então, dou um grito como os discípulos fizeram e O desperto. Às vezes gritando por socorro, às vezes dizendo na maior cara de pau: "Não te importa que pereçamos? Não está vendo que o barco vai afundar? E foi o Senhor quem nos colocou nessa situação”! Ah como Ele sempre é paciente e bondoso comigo! E age na hora certa!

Nunca O vi virar para o outro lado e continuar dormindo, alheio ao meu desespero. Ele sabe que se eu cair na água, já era! Afogamento certo! Morte certa! Então, Ele se levanta, com a maior calma, sem nenhum "chilique". E simplesmente fala ao vento e ao mar: "Aquieta-te! Silencia-te!" Fico olhando para Ele boquiaberta. Tenho certeza que vi uma covinha de riso em Seu rosto. Completa bonança! Não é que diminuiu o vendaval. Acabou!  E antes até que eu tenha tempo de esboçar uma reação, Ele me repreende: "Por que a covardia? Você ainda não tem fé”?

Um filme passa pela minha cabeça. Ele é amor. O perfeito amor lança fora o medo! Da próxima vez vou me deitar. Segurar na Sua mão, só para ter certeza que Ele está comigo. Às vezes não me basta simplesmente ouvir Sua respiração tranquila e dormir ao Seu lado. No mesmo travesseiro. E o filme continua passando pela minha cabeça e olho incrédula para mim! Quantas vezes já atravessamos esse mesmo mar? De dia. De noite. Na tempestade. No sol escaldante. No frio congelante. Na calmaria. Em outros vendavais. E até tsunamis! Nós dois. Sozinhos. Eu, de olhos fechados, com medo de abrir, e olhar o tamanho das ondas. Correndo às vezes daqui para ali. Deixando o barco estável. Porque, como um dia li, às vezes Ele acalma a tempestade e às vezes o marinheiro. O fato é que hoje, Ele simplesmente ordenou e tudo se fez bonança!

E mais uma vez só o que posso fazer é prostrar-me a Seus pés. Agradecer e adorar. "Quem é esse que acalma a tempestade e o mar obedece”? Eu sei quem Ele é. Conheço o Seu nome!  E como João, tenho que cantar: "Oh Rei das nações quem não temerá, quem não glorificará Teu nome”? E gentilmente, ah como Ele é gentil! E como amo Sua gentileza! Com firmeza ordena ao mar e ao vento. Me repreende com amor, mas gentilmente me aquieta, e com Sua doçura, coloca a mão sobre Seu travesseiro e me chama para descansar ao Seu lado. “Vem! Deita aqui comigo! Vamos chegar ao outro lado. Calma! Aquieta-te”!

Percebo que fala comigo as mesmas palavras ditas ao vento e ao mar. Mas comigo Seu tom é diferente. Encharcado de amor. Atendo Seu convite e deito. Mãos dadas com Ele. Deus lindo! Como não confiar? Como não amá-Lo? Como não querer agradá-Lo? Não dá para imaginar um barco afundando com Ele dentro! Descansar é a palavra chave!

Digo a mim mesma, mas olhando em Seus olhos - está escuro, mas agora O vejo: "Da próxima vez, vou confiar.” Seu olhar me diz que ainda que eu grite, Ele vai entender e me socorrer! Sabe que estou "no processo" e que preciso desesperadamente dEle. Então diz baixinho: "Sem mim, você não pode fazer nada". É Ele quem age em meu favor! Em qualquer circunstância! Sempre! Lembro que embora tenha me concedido tantas maravilhas, só preciso dEle!

Sim, Ele é tudo que eu preciso! O Amado da minha alma! E percebo que não apenas meus olhos estão fitos nos dEle. Seus olhos estão fitos em mim. Eu tenho Sua total atenção. Nada O distrai! Eu sou dEle. E Ele é meu! Estou segura! Vamos sim, chegar ao outro lado! E ali, no mesmo travesseiro que Ele, sob o olhar incrédulo dos outros barcos, adormeço sem perceber!