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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O valor de uma herança

Continuamos nossa caminhada pelo livro de 1 Reis.

Na última postagem vimos que Acabe deveria ter destruído Ben-Hadade, inimigo de Israel. Ao invés disso, fizeram um acordo.
http://www.espalhandoasemente.com/2018/09/acordos-sem-aprovacao.html

Hoje, caminharemos através do capitulo vinte e um.

Depois desses acontecimentos, Nabote, o jezreelita, formou uma boa plantação de uvas em Jezreel. Ficava ao lado do palácio de Acabe, em Samaria. Jezreel significa “Yahweh Semeia”.

Certo dia Acabe foi conversar com Nabote, para que ele cedesse sua vinha. Queria transformá-la em horta, já que estava junto ao palácio. Disse-lhe que em troca daria uma vinha melhor, ou, se preferisse, pagaria em dinheiro o seu valor.

Nabote respondeu ao rei: “Yahweh me livre de te entregar a herança de meus pais!”

Não se vendia a herança. Não se passava a outra pessoa que não fosse o herdeiro legítimo. Era sagrado.

Ainda que a vinha não fosse uma herança, seria terrível ter que cedê-la, depois de tanto trabalho para formar uma boa plantação de uvas, transformá-la em uma horta. Mas esse não era o problema para Nabote. O que ele valorizava era a herança que havia sido entregue pelo Senhor aos seus antepassados. Em meio a um Israel idólatra e infiel, ainda havia homens que valorizavam algo entregue pelo Senhor.

Acabe foi para o palácio, irritado e muito aborrecido, por causa da resposta de Nabote. Afinal, ele havia dito francamente: “Não lhe entregarei a herança de meus pais!” Que homem corajoso!

O rei deitou em sua cama, voltou o rosto para a parede e não quis comer nada.

Dá para imaginar a cena? Um rei quer a herança de alguém e, além disso, para transformar uma excelente vinha em uma horta. Só porque era ao lado do palácio. E isso é motivo para perder o apetite? Ficar deprimido? Ele, mais que qualquer pessoa, deveria preservar a herança do seu povo. Valorizá-la.

A esposa de Acabe, Jezabel, foi até ele. Percebeu que estava chateado. Perguntou-lhe o que havia acontecido a ponto de estar, o rei, tão chateado que até perdera o apetite, rejeitando a comida.

Acabe lhe contou que havia falado com Nabote, o jezreelita, propondo que vendesse sua vinha ou se preferisse, trocasse por outra. Mas ele recusou, dizendo que não entregaria sua vinha.

Jezabel, sua mulher, ficou indignada: “É assim que governas sobre o reino de Israel?”

Disse que Acabe deveria levantar, comer e alegrar seu coração. Ela mesma resolveria tudo e lhe daria a vinha de Nabote.

Ela escreveu cartas em nome de Acabe. Selou-as com o selo real. Enviou-as aos anciãos e aos nobres que habitavam na mesma cidade de Nabote.

Nessas cartas estava escrito que deveriam proclamar um jejum geral. Fazer Nabote sentar-se entre os primeiros do povo. Depois, deveriam comparecer diante dele dois homens inescrupulosos que o acusassem de ter amaldiçoado a Deus e ao rei. Crime digno de morte. Por apedrejamento.

Os homens da cidade de Nabote, suas autoridades e os notáveis que ali viviam, fizeram tudo como Jezabel havia escrito nas cartas que lhes enviara. Os notáveis! Deixaram os caminhos retos.

Conforme o costume, decretaram um tempo de jejum. Expuseram Nabote no meio do povo. Em seguida, dois homens, filhos de Belial, sem escrúpulos, se postaram na frente dele. Acusaram-no, diante do povo reunido, de haver blasfemado contra Deus e contra o rei.

Conduziram-no para fora da cidade. Sentenciaram-no ao apedrejamento público.

Mandaram dizer a Jezabel que havia sido executado por apedrejamento e morto. Assim que foi informada, falou para Acabe se levantar e tomar posse da vinha de Nabote. A vinha que ele recusou entregar. Nabote já não vivia mais, estava morto.

Quando Acabe ouviu que Nabote estava morto, não fez sequer um questionamento, levantou-se e dirigiu-se até à plantação de uvas. Tomou posse dela. Como um menino mimado que a todo custo quer um brinquedo, ainda que de outro, que só possui aquele e nada mais.

O Senhor falou com o profeta Elias. Ordenou-lhe que fosse ao encontro de Acabe, em Samaria. O Senhor lhe disse que Acabe estava visitando a plantação de uvas de Nabote. Havia ido até lá para tomar posse do lugar. Quando o encontrasse deveria perguntar-lhe: “Assassinastes teu semelhante e ainda tens a impiedade de se apossar de sua propriedade?”

E mais: O Senhor estava determinando que no mesmo local onde os cães lambiam o sangue de Nabote, lamberiam seu sangue. Sim, era isso mesmo. Todo o seu sangue seria lambido ali.

Quando Acabe viu Elias, lhe disse: “Então, finalmente, me encontraste, meu inimigo!”

Elias disse: “Sim, eu te encontrei.” E perguntou-lhe porque havia se vendido para fazer o que era abominável diante do Senhor. Por isso, o Senhor lhe dizia que traria desgraça sobre ele. Devoraria seus descendentes. Exterminaria de sua família todos que eram capazes de urinar na parede e que viviam em Israel, fossem escravos ou livres. Faria com toda a sua casa como havia feito com Jeroboão, filho de Nebate, e com Baasa, filho de Aías, porque Acabe o havia provocado à ira e induzira Israel ao pecado.

Mas não parou aí. O Senhor falou também a respeito de Jezabel. Disse que os cães devorariam Jezabel junto ao muro de Jezreel.

E quem morresse da família de Acabe na cidade, os cães o devorariam. Quem morresse no campo, as aves do céu consumiriam seus cadáveres.

O autor de Reis nos conta que jamais houve alguém de caráter semelhante ao de Acabe, que foi capaz de se vender para fazer o que era mau perante o Senhor, sendo influenciado por Jezabel, sua esposa.

Ele tomou atitudes horríveis, seguindo os ídolos, a exemplo de tudo que fizeram os amorreus, os quais o Senhor expulsou de diante dos filhos de Israel, justamente por causa desses pecados.

Porém, quando Acabe ouviu as palavras do profeta, rasgou suas vestes, cobriu-se de pano de saco e jejuou. Deitou sobre panos grosseiros e caminhava triste e abatido, com toda a mansidão entre as pessoas.

Então o Senhor falou com Elias, o tesbita: “Viste como Acabe tem se humilhado diante de mim? Considerando, pois, que tem sido humilde em seu proceder diário, não mais trarei a desgraça que prometi sobre ele, durante sua vida e reinado, mas a trarei durante o império de seu filho”.

Embora tenha sido um homem terrível, quando se arrependeu, o Senhor olhou para ele. Percebeu suas atitudes, seu coração. Concedeu-lhe misericórdia.

O Senhor sempre é misericordioso. Sempre está disposto a perdoar. Seu filho também teria a chance de se arrepender. Bastava escolher o arrependimento, como seu pai o fez.

Que possamos dar valor à nossa herança, dada pelo Senhor, como Nabote fez.

E que tenhamos o cuidado para andar em Seus caminhos. Que ninguém nos influencie a deixá-los. Mas se acontecer, que tenhamos a humildade de nos arrepender e voltar ao Caminho. Como Acabe. Ele nos perdoará. E nos levantará. https://www.youtube.com/watch?v=XEa2jjT9SyQ

Não existe nada melhor que andar com o Senhor.

Na sexta-feira prosseguimos. Espero você.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Que tipo de lavradores somos?

Finalizando o capítulo 21 de Mateus.

Ontem vimos o Senhor afirmar aos “Seus ouvintes” que os publicanos e as prostitutas estavam entrando no Reino dos céus antes deles.

Hoje Ele conta outra parábola. Começa dizendo: “Ouçam outra parábola.”

É a parábola dos lavradores maus. Prestemos bastante atenção. Abra seus olhos e ouvidos.

Havia um proprietário de terras. Esse proprietário plantou uma vinha. Colocou uma cerca ao redor, para protegê-la. Cavou um tanque para prensar as uvas, para fazer vinho. E construiu uma torre. Para vigiar sua vinha. Principalmente na época da colheita, é muito importante essa vigilância. Há salteadores e intempéries.

Depois que o proprietário da terra fez tudo isso, deixando tudo pronto, arrendou sua vinha e fez uma viagem.

Quando estava próxima a época da colheita, enviou seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe pertenciam. Quando uma terra era arrendada, parte da colheita pertencia ao arrendatário e a outra parte ao proprietário da terra.

Quando aqueles servos foram receber essa parte que era devida ao proprietário, os lavradores agarraram e espancaram aqueles homens. A outros, também enviados, mataram. Os próximos foram apedrejados.

O proprietário enviou outros servos, em maior número, mas os lavradores trataram-nos da mesma forma.

Por último, aquele proprietário resolveu enviar seu filho acreditando que a ele, respeitariam. Ledo engano. Quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: “Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e ficar com a herança”. Foi o que fizeram. Agarraram-no, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.

Jesus pergunta “quando vier o dono da vinha, o que fará àqueles lavradores?”

Ele não questiona se o dono da vinha virá. É certo que virá. Mataram seus servos e por último seu filho, seu herdeiro. Então, o que ele fará quando vier?

Estamos ali, atentos a cada palavra. Aqueles homens responderam que o proprietário da vinha irá matar de modo horrível aqueles lavradores e arrendará a vinha a outros, que deem sua parte quando for o tempo da colheita.

Jesus pergunta se eles nunca leram nas Escrituras sobre a pedra que os construtores rejeitaram e tornou-se a pedra angular. E afirma, com todas as letras, novamente sem meias palavras: “O Reino de Deus será tirado de vocês e será dado a um povo que dê os frutos do Reino.”

Minha boca está aberta. Meu queixo cai. Quero erguer minha plaquinha, mas estou tão chocada que não consigo me mexer. Mal consigo respirar. Meus olhos devem estar esbugalhados.

Realmente o Senhor não tem medo de ficar sem ouvintes. Novamente Ele demonstra, de maneira completamente clara, Seu compromisso com a verdade.

Não bastasse o que acabou de falar, ainda acrescenta que aquele que cair sobre esta pedra angular (Ele próprio) seria despedaçado e aquele sobre quem a pedra cair seria reduzido a pó.

Estou a ponto de engasgar. Nunca vi alguém tão comprometido com a verdade. Isso me emociona. Me choca. Enche meu coração de admiração. De amor. De paixão. Quero seguí-Lo. Quero serví-Lo. Todo o tempo. Todos os dias. Onde quer que vá. Para sempre. Esse é o Senhor que quero sobre mim. Que não abandona a verdade por nada. Que não é politicamente correto. Que não é político. É correto. E ponto. O que o sim é sim e o não é não.

Os chefes dos sacerdotes e os fariseus, quando ouviram essas parábolas, entenderam que Jesus falava a respeito deles. Estava muito claro. Podiam não querer arrependimento, mudança de vida. Mas entendiam Sua mensagem.

Começaram a procurar um meio de prendê-Lo, mas tinham medo das multidões, pois consideravam Jesus um profeta. Não era a hora ainda de acontecer. Estava próxima. Ele havia ido a Jerusalém para tal. Sabia o que O esperava. Mas ainda não era a hora.

Tenho que parar aqui. Preciso me recompor. Sua ousadia me abala. Será que estou comprometida com a verdade como meu Senhor? Será que amo mais a verdade que “meus” ouvintes? Afinal, esses ouvintes são os conhecedores das Escrituras, os estudiosos. Qual meu comprometimento com Ele? Será que procuro colocar "panos quentes" em algumas situações? Será que a verdade para mim é sempre verdade? Será que ainda me pego "dando um jeitinho brasileiro" em alguma situação?

Penso no Senhor da vinha. Ele vem, é certo. Sua vinda está próxima. Tenho sido fiel? Ele vem receber a parte que Lhe cabe na colheita. Estou disposta a entregar essa parte ou quero tudo para mim? Que tipo de "mordomo" tenho sido? Acertarei tudo com Ele, corretamente? Meu coração dispara.

Fique comigo. Sondemos mais uma vez nossos corações.

Amanhã prosseguimos.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A bondade dEle e minha "justiça própria"

O capítulo 19 de Mateus termina com uma frase intrigante: “Contudo, muitos primeiros serão últimos e muitos últimos serão os primeiros”.

E conta uma parábola, também intrigante, sobre o Reino dos céus que é semelhante a um proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Por volta das 9h horas, depois às 12h, às 15h e até às 17h ele faz o mesmo.

Um denário era o valor devido ao trabalhador por um dia de serviço.

Vamos imaginar o Reino dos céus.

Aqui o Senhor o compara a uma vinha. É necessário muitos trabalhadores para uma vinha. Então o proprietário saiu cedo e encontrou alguns trabalhadores disponíveis. E os contratou. Mas não foram suficientes. Precisava mais.

Por volta das 9h saiu de novo e contratou mais trabalhadores. Todos os que estavam disponíveis. Ainda assim não foi suficiente.

O Reino dos céus é semelhante a essa vinha, e o Senhor tem recrutado trabalhadores. Todos os que estão disponíveis. Todos os que estão dispostos a trabalhar. Seja trabalhar muito, seja pouco. O trabalho em uma vinha deve ser minucioso, feito com cuidado. Uvas são delicadas e preciosas.

Às 15h aquele proprietário saiu e contratou mais trabalhadores ainda. Faltavam apenas três horas de trabalho. Ainda assim contratou. A vinha precisava ser trabalhada.

Quando foi às 17h, Jesus nos conta que aquele proprietário saiu novamente. Foi até à praça onde costumavam se reunir os homens à espera de trabalho e ali encontrou trabalhadores que estavam desocupados. Preste atenção! Trabalhadores que estavam sem ocupação. Ele não os contratou. Antes perguntou porque estavam desocupados. Responderam que ninguém os havia contratado. Ele também os mandou para a vinha. Faltava apenas uma hora de trabalho. Mas eles foram. Provavelmente imaginaram que receberiam apenas uns “trocados” devido à hora avançada, mas foram assim mesmo.

Fico imaginando a história da humanidade. Quantos foram “contratados pelo Todo-Poderoso” e trabalharam arduamente “o dia todo”. Ou quantos foram “contratados” desde a infância e também trabalharam arduamente “o dia todo”, a vida toda, até à sua velhice. Outros foram “contratados” no meio da sua mocidade. Outros ainda no final de suas vidas. O ladrão que morreria ao lado de Jesus, foi “contratado” nos “acréscimos”, à porta da morte.

Pois bem. O dia de trabalho chegou ao fim. 18h. O proprietário daquela maravilhosa vinha (que precisava de tantos trabalhadores), mandou ao seu administrador que pagasse aqueles homens, começando dos que foram contratados por último até os primeiros.

Os que trabalharam apenas uma hora receberam um denário, o pagamento de um dia. Saíram mais que felizes. Não precisaram enfrentar o calor do sol o dia todo e ainda assim ganharam o salário de um dia inteiro.

E assim todos foram sendo pagos. Os últimos, que trabalharam o dia todo, esperaram receber um salário maior, mas receberam um denário como os demais. O que havia sido combinado. O que era justo.

Eles se revoltaram. Algo dentro de mim se revolta também. Fico pensando naquele proprietário. E não entendo. Até que finalmente compreendo o que está acontecendo. Justiça própria. Não importa a hora que fui “contratada para trabalhar em Sua vinha”, sou privilegiada por Ele me chamar. Não importa se trabalhei o dia todo sob o sol quente ou se fui chamada (o) no final dos meus dias. Consigo enxergar Sua bondade aqui. E meu coração se aquieta.

Penso novamente naquele ladrão que, ainda não chegamos lá, morreria ao lado do Senhor e O reconheceu como Messias. E penso em Paulo. Quantas chicotadas! Passou fome, frio, calor, prisões, viagens e perseguições depois que reconheceu o Senhor como o Messias. Ambos receberão a salvação. Paulo não será “mais salvo” porque “trabalhou” mais. Ambos serão salvos. Essa é a bondade do Senhor para todos aqueles que nEle creem.

Continuando a parábola. Os primeiros trabalhadores se revoltarem quando receberam o seu justo salário. Escutaram a resposta do proprietário que disse, com verdade, que não estava sendo injusto. Foram contratados para receber um denário. Foi o que receberam. O proprietário podia fazer o que quisesse com seu dinheiro e foi o que fez.

Uma pergunta parece ecoar em meus ouvidos, mais forte que as outras: “Ou você está com inveja porque sou generoso?” A parábola do filho pródigo, contada em Lucas, capítulo 15 vem à minha mente. O filho mais velho ficou indignado quando o pai foi bondoso com o irmão que havia desperdiçado todos os seus bens enquanto ele trabalhava. Sou assim também? Fico indignada quando Ele estende Sua bondade aos outros de maneira que não entendo, ou não concordo, não achando justo Ele ser bondoso?

Quero parar aqui. Preciso pensar. De novo. Sondar meu coração. Será que minha mente ainda trabalha assim? Será que ainda penso em justiça própria? Será que ainda penso em obras, quando a salvação é apenas pela graça dEle, através da fé, como está escrito em Efésios 2.8? Será que esqueço a magnitude de Seu perdão, oferecido a todos?

Tenho que ser grata. Eu estava “desocupada”, “sem trabalho” e Ele me chamou para “Sua vinha”.

Lembro que não é qualquer um que pode trabalhar em uma vinha. A uva precisa ser colhida com cuidado, para não se estragar (aqui há tanto a pensar).

Não importa se trabalhei o dia todo. Se suei debaixo do sol escaldante. Fui salva. Se outro não suar, que me importa? Foi salvo. Devo ser grata a Ele também por tão grande bondade.

Amanhã prosseguimos.