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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Marcos 8.1-38

Leitura do dia 22/10.

Continuamos caminhando pelas páginas de Marcos.

Nas postagens anteriores vimos Jesus contar a parábola do semeador, da lâmpada, da semente crescendo e da semente de mostarda. Ele acalma a tempestade. Exerce autoridade sobre demônios. Cura em resposta à fé, de Jairo e da mulher que sofria durante doze anos de hemorragia.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-41-41.html;
http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-51-43.html

Foi rejeitado em Nazaré. Envia os Doze.

Ficamos sabendo da morte de João Batista. Vimos a primeira multiplicação de pães. Jesus anda sobre as águas. E cura a muitos. http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-61-56.html

Também vimos Seu ensino sobre pureza. O que contamina é o que está dentro do homem.

A mulher siro-fenícia se humilha diante de Jesus. Ele crua um surdo com dificuldade de fala.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/11/marcos-71-37.html

Hoje caminharemos através dos capítulos oito a dez de Marcos.

Naqueles dias, uma grande multidão foi até Ele. Passaram três dias com Jesus. Mais uma vez, ficaram sem comida.

Jesus chamou Seus discípulos dizendo ter compaixão da multidão. Não tinham mais nada para comer. Não queria mandá-los embora com fome. Podiam desfalecer no caminho.

Meu coração se ilumina diante dessas palavras. Percebo Seu cuidado com aquelas pessoas. Pode ter sido duro em muitas situações, mas também era sensível. Percebia as necessidades. Mesmo as mais simples. Quando era duro, era por Seu compromisso com a Verdade. Afinal, Ele é a Verdade.

Os discípulos parecem ter esquecido que haviam presenciado uma multidão ser alimentada com cinco pães e dois peixes. Agora, pelo menos, não pensaram em dinheiro. Mas, perguntaram onde poderiam encontrar, naquele lugar deserto, pão suficiente para alimentar tanta gente.

Será que isso também acontece conosco? Esquecemos o que Jesus já fez? Comigo, infelizmente, sim.
Jesus não responde. Ah, como amo esse Seu jeito. Simplesmente faz outra pergunta. Quer saber quantos pães eles têm.

Precisamos, desesperadamente, aprender a ver as situações como o Senhor vê. Quando falou que queria alimentar a multidão, sabia onde encontraria o alimento. Talvez a pergunta certa dos discípulos fosse "como" e não "onde". Ou com "o quê"?

Responderam que tinham sete pães e alguns peixes. Problema resolvido.

O Senhor ordenou que a multidão se sentasse. Tomou os pães e os peixes, deu graça, partiu-os, entregou aos discípulos. Os discípulos entregaram o alimento à multidão.

Todos comeram até ficarem satisfeitos. Ainda sobraram sete cestos cheios. Eram quatro mil homens, sem contar as mulheres e crianças.

Depois que Jesus alimentou a multidão, Ele a despediu. Entrou no barco e foi para a região de Magadã (ou Dalmanuta).

Jesus não se importa apenas com as necessidades da nossa alma e nosso espírito. Importa-se também com nosso corpo. Que estejamos bem alimentados, que não desfaleçamos pelo meio do caminho, num lugar deserto, onde não teremos como buscar socorro e alimento.

Ele nos alimenta. Através daqueles que são, hoje, Seus discípulos. Nós somos responsáveis para alimentar a multidão. Nós temos os pães e os peixes necessários, que nas mãos do Senhor, se multiplicam.

Nós Lhe entregamos nossos recursos, Ele abençoa, multiplica e nos devolve, para que alimentemos a outros. Tudo que é dado a Ele, é multiplicado para abençoar. Sempre.

O que temos à nossa disposição que podemos entregar a Ele? É nosso dever, como discípulos, alimentar a multidão. Com o que temos, mesmo que seja pouco.

Temos em nós essa mesma sensibilidade que havia em Jesus? Ou deixamos que a multidão (ou alguém) vá, sem receber o alimento, correndo o risco de desfalecer em um lugar deserto, onde não encontrará o socorro necessário?

Prestemos atenção. Tomemos cuidados. Precisamos ser como nosso Mestre e Senhor.

Novamente alguns fariseus vieram encontrar-se com Ele. Eles O puseram à prova exigindo um sinal do céu. Quem pensam que são para exigir um sinal? Quem pensam que Ele é. Tenho vontade de rir. “Se acham”.

Jesus suspira profundamente. Pergunta por que insistem com isso. Não dará nenhum sinal a esta geração. Assunto encerrado. Retirou-se. Não perdia tempo com discussões que não levam a nada.

Dali, foram para o outro lado do mar da Galiléia. Os discípulos se esqueceram de levar pão. Jesus lhes disse para estarem atentos e terem cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes.

Os discípulos ainda estão muito preocupados com o natural. Começaram a discutir entre si dizendo que não haviam levado pão. Jesus, percebendo a discussão, pergunta por que estão discutindo sobre não ter pão. Ainda não compreenderam? Seus corações ainda estavam assim tão endurecidos?

Será que temos compreendido o que Jesus tem feito em nossas vidas?

Jesus precisou lembrá-los das duas multiplicações dos pães e de como as multidões foram alimentadas naquelas ocasiões. Não era de pão que estava falando. Era do ensino dos fariseus e de Herodes.

Lembram da história que lhes contei de quando fui fazer o calzone e o excesso de fermento estragou toda a massa? Assim era o ensino desses homens. Ensinavam regras sobre regras. Enchiam a massa de fermento, até que estivesse estragada. Não possuíam vida, apenas religiosidade.
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/a-parabola-do-fermento.html

Que tenhamos cuidado com os fariseus e saduceus de hoje que, ao invés de produzir alimento sadio, enchem a massa de fermento.

Fermento em excesso fede, estraga a massa, que só serve para ser jogada fora. Como o sal insípido. Como a luz que não se acende quando deveria estar acesa. http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/somos-sal-e-luz.html

Que nosso fermento seja no ponto certo, introduzido em massa de trigo puro, sem mistura, que produz vida a todos que se achegam a nós, como acontecia com nosso Senhor Jesus.

Agora, estamos em Betsaida. Alguns trazem um cego até Jesus. Suplicam que o toque. Ele toma o cego pela mão e o leva para fora do povoado. Nós os seguimos. O que acontecerá?

O Senhor não apenas toca no homem. Ele cospe em seus olhos! Então, pergunta se ele está vendo alguma coisa.

O homem levanta os olhos e responde que vê pessoas, mas elas parecem árvores andando.

Se você está vendo pessoas parecidas com árvores que andam, alguma coisa está errada com sua visão. Decididamente pessoas não parecem com árvores que andam.

Novamente o Senhor coloca Suas mãos sobre os olhos do homem. Agora, seus olhos são totalmente abertos. Passa a ver tudo claramente, com nitidez. Não vê mais os homens parecidos com árvores andando.

Jesus manda-o direto para casa. Fala para não entrar no povoado. Estava preservando-o do assédio que sofreria.

Nós encontramos uma pedra. Acredite, em Israel é muito fácil encontrar uma. Sentamos à beira do caminho. Precisamos pensar.

A multidão pede que toque no cego. Ele o toma e o leva para fora do povoado. Como havia feito com o homem surdo que mal podia falar.

Só posso pensar que esse homem precisa de algo diferente. Apenas tocá-lo não ativará sua fé. Precisa de algo mais.

O Senhor cospe em seus olhos. Cospe! Parece tão drástico! Por que não apenas toca?

Ah, quantas vezes precisamos que o Senhor cuspa em nossos olhos! Estamos tão cegos que não conseguimos ver absolutamente nada! E quantas vezes "Seu cuspe" ainda é pouco? Precisa colocar Suas mãos em nossos olhos pois, além de estarmos cegos, quando acreditamos que nossos olhos se abriram, apenas enxergamos imagens desfocadas. Olhamos e nos esforçamos, mas vemos apenas homens que parecem árvores andando. Não conseguimos enxergar a verdade. Apenas meia-verdades. Só depois que coloca Suas mãos é que realmente conseguimos enxergar.

A multidão continua esperando por um bom tempo. Querem ver o cego enxergando. Clamaram por ele. Levaram-no até Jesus. Mas Ele ordena que não entre no povoado. Até parece que Jesus não é muito adepto a propagandas, não é mesmo?

Ah, mas será que aquele homem não precisa de um tempo? Um tempo para processar tudo que está enxergando? Um tempo para digerir sua cura? Um tempo para diferenciar totalmente homens de árvores e tantas outras coisas? Um tempo para pensar, sonhar, imaginar, planejar como será sua vida agora que enxerga?

O Senhor nos conhece como ninguém. Mais uma vez vemos, através das Escrituras, que nos cura individualmente. Para ele não somos um número. Somos pessoas únicas, com necessidades diversas. E Sua atenção a isso só me faz prostrar e adorá-Lo. Junte-se a mim.

Jesus deixa a Galileia e vai até à região de Cesareia de Felipe. Já vimos, em Mateus, que assim era chamada, em homenagem a Felipe, filho de Herodes, que dominou aquela região. Antes, chamava-se Panias, em homenagem ao deus pagão Pan, associado aos campos e rebanhos.

Estive na caverna que havia sido consagrada a este deus Pan. Ali, declaramos o nome de Jesus, como o único Rei e Senhor do Universo.

Jesus escolheu essa região, dedicada a um falso deus, para perguntar a Seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era.

Os discípulos responderam que uns achavam que era João Batista, outros Elias e ainda outros um dos profetas.

Então, faz a maior pergunta de todas as perguntas que podem ser feitas: “E vocês? Quem vocês dizem que Eu sou?”.

Em algum momento de nossas vidas, na verdade em vários deles, temos que responder a essa pergunta. A maior pergunta do Universo.

Quem dizemos que Ele é? Um profeta? Um revolucionário? Um humanista? Um hippie? Um filósofo? Um homem bonzinho que falava coisas mansas e curava as pessoas? O Filho do Deus vivo? Quem pensamos que Ele é?

Nossa resposta a essa pergunta irá definir nossas vidas. Completamente.

A grande pergunta do Universo não é quem eu sou, é quem Ele é. Quando sabemos, Ele nos revela quem somos. É maravilhoso. Sua identidade em nós nos revela nossa identidade.

Pedro respondeu que Ele é o Cristo.

E eu? Quem digo que Ele é? O Cristo, Ungido, filho do Deus vivo?

E você? Quem você diz que Ele é? A resposta a essa pergunta define nossas vidas. Define tudo.
Imagino estar sentada ali, junto àquela caverna dedicada a Pan, um falso deus, ouvindo o Senhor perguntar: “E vocês? Quem dizem que Eu sou?”

Sei que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Meu Senhor e Salvador. Meu dono. O Amado da minha alma. Aquele a quem seguirei. Todos os dias. Sempre. Para sempre.

Isso me faz lembrar que nessa mesma região, Tito, no ano 70 d.C, após destruir Jerusalém, levou vários judeus ali e os massacrou, em espetáculos de jogos. Olho ao longo da história. Quantos foram martirizados porque reconheceram verdadeiramente quem Jesus é! Pedro foi um desses. Praticamente todos Seus apóstolos. E tantos outros. Inclusive hoje, longe de nossas confortáveis casas, muitos morrem por responder a essa pergunta como Pedro respondeu.

Quando temos a revelação de Sua identidade, como Pedro teve, não há como O negarmos.

Estou disposta a responder, mesmo em meio às lutas e tribulações? Mesmo diante da morte, se essa pergunta me for feita?

Eu quero conhecer Jesus, como Ele é, a cada dia. E você?
https://www.youtube.com/watch?v=rBVjbjGVVjo

Jesus ordenou que os discípulos não contassem a ninguém que era o Cristo. Ainda não era a hora.

Então, começa a explicar-lhes a necessidade de ir a Jerusalém, sofrer nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e mestres da lei, até ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

Após terem a revelação de quem o Senhor Jesus é, Ele passa a dizer o que irá acontecer. É sempre assim. Um passo após o outro. Uma revelação após outra. Como as águas de Ezequiel, que iam ficando cada vez mais fundas à medida que ele prosseguia (Ezequiel 47).
http://www.espalhandoasemente.com/2019/09/ezequiel-461-4835.html

Pedro, que anteriormente havia tido uma revelação do Pai, agora se deixa ser usado pelo inimigo de nossas almas. Chama Jesus de lado e começa a repreendê-Lo por dizer aquilo. O Senhor nem pestaneja. Simplesmente o repreende. Está pensando nas coisas terrenas e não nas celestiais. Pensando apenas do ponto de vista humano. Não da perspectiva de Deus.

Temos tido a revelação do Pai de quem Jesus é e, baseados nessa revelação temos deixado que edifique Sua igreja em nós e através de nós? Ou temos sido pedra de tropeço, pensando no que é humano e não no que é de Deus? http://www.espalhandoasemente.com/2017/12/que-tipo-de-pedra-temos-sido.html

Todos os dias precisamos fazer essa escolha. À semelhança de Jesus, por sermos Seus seguidores, somos pedras. Somos pedra que pode ser usada para edificação ou para tropeço. O que tenho sido? E você? Já reparou que essa pergunta sempre está diante de nós? Joio ou trigo? Árvore que produz bons frutos ou maus? Terra boa ou má? Andar por fé ou vista? Crer ou duvidar? Pedra de sustentação ou pedra de tropeço? http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/somos-joio-ou-trigo.html
http://www.espalhandoasemente.com/2016/03/que-tipo-de-arvores-somos.html
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/espalhando-semente.html
http://www.espalhandoasemente.com/2015/12/jairo-aquele-que-ilumina.html
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/a-ordem-e-nao-temas.html

Jesus continua falando. Cada vez mais sério. Se quisermos acompanhá-Lo, precisamos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo. Será que temos essa disposição? Negar a si mesmo envolve muita coisa. Colocar o Senhor e Sua vontade antes da nossa não é fácil. Nossa natureza é normalmente egoísta.

Fala que se alguém quiser salva sua vida, a perderá, mas quem perder sua vida por Sua causa, a encontrará. Posso dizer que essa verdade tem acontecido em minha vida. “Não estou dizendo que já obtive tudo isso, que já alcancei a perfeição. Mas prossigo a fim de conquistar essa perfeição para a qual Cristo Jesus me conquistou. Não, irmãos, não a alcancei, mas concentro todos os meus esforços nisto: esquecendo-me do passado e olhando para o que está diante de mim, prossigo para o final da corrida, a fim de receber o prêmio celestial para o qual Deus nos chama em Cristo Jesus” (Filipenses 3.12).

Não existe nada melhor do que encontrar nossa vida em Jesus. Descobrir quem Ele é e quem somos.

Continua dizendo que não adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma. Daríamos qualquer coisa em troca dela. É o que temos de mais importante.

Nossa alma é eterna. Devemos então, focar nosso desejo, nossos projetos e nossa vida no que é eterno. Seguir ao Senhor, tomando nossa cruz, a cada dia. Não dia sim, dia não, ou apenas em um dia da semana, para aplacar nossa consciência. Todos os dias. Segui-Lo. Negando nossa vontade, muitas vezes, para obedecê-Lo.

Quando era adolescente, li um livro, “Em seus passos, o que faria Jesus”?. Até hoje, anos depois, quando tenho qualquer dúvida, penso nessa pergunta. “O que Jesus faria? Como Ele agiria? O que Ele responderia? Ele responderia? Ele perdoaria? Ele"... Precisamos viver assim para seguirmos o Senhor, para acompanhá-Lo, caso contrário ficaremos para trás e, quando abrirmos nossos olhos, já estará bem distante de nós. Precisaremos correr, talvez por lugares onde o correto seria ir agachados, engatinhando, tamanho perigo. Não podemos caminhar sozinhos. Temos que acompanhá-Lo. Precisamos segui-Lo.

Ah, Ele faz uma promessa maravilhosa, digna de confiança. Virá na glória de Seu Pai, com Seus anjos. Não podemos nos envergonhar dEle agora, para que não se envergonhe de nós, quando voltar.
Ele é maravilhoso o suficiente para querermos segui-Lo a cada dia, mesmo nas dificuldades, mesmo quando não queremos nos negar ou temos dificuldade em obedecê-Lo, ainda assim, se O seguirmos, seremos recompensados. Estaremos com Ele para sempre. É muito além do que podemos imaginar.
E, acredite, não tem nada a ver com ficar sentado em uma nuvem tocando harpa, quase morrendo de tédio. O Senhor é muito mais que isso. Ele é ação, é ordem, é movimento.

Negar-se não é fácil, mas valerá a pena. Por Ele. https://www.youtube.com/watch?v=tZDKWhMfnSQ

Após ter dito essas palavras tão sérias e profundas, falou que havia alguns ali que não morreriam antes de ver o Reino de Deus vindo com grande poder. Os discípulos levaram seis dias para entender o que estava dizendo, talvez mais.

Veremos na próxima postagem.

Espero você. Até lá.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Mateus 15.1-39




Leitura do dia 15/10.

Na postagem anterior vimos a morte de João Batista. A primeira multiplicação dos pães e peixes. O Senhor andar sobre as águas. Os enfermos tocando-O e recebendo cura. 
http://www.espalhandoasemente.com/2019/10/mateus-141-36.html

Agora, entramos através das páginas do capítulo quinze de Mateus.

Aparentemente Jesus continua em Genesaré, se não, naquela região, porque alguns fariseus e mestres da lei, vindos de Jerusalém, foram até Ele.

Quando lemos até aqui, podemos ficar animados, pensando que, finalmente, aqueles homens resolveram ouvir Jesus. Mas não, eles tinham perguntas. E foram logo perguntando, sem preâmbulos: “Por que seus discípulos desobedecem à tradição dos líderes religiosos”?. E, para o caso de Jesus não entender, citam a transgressão: “Eles não respeitam a cerimônia de lavar as mãos antes de comer!".

Mais uma vez gostaria de ter uma placa nas mãos, escrita: “Aplausos”. Jesus também era direto. Seu compromisso era com a verdade. Gosto quando responde uma pergunta com outra. Nos leva a pensar.

Também responde à queima-roupa, perguntando: “E (esse "e" aqui é muito importante) por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição”?. E, para o caso de não entenderem ao que está se referindo, cita um dos dez mandamentos, o que fala sobre honrar pai e mãe.

Os fariseus e mestres da lei usavam como desculpa a tradição para não cuidarem de seus pais. Diziam que o que podiam lhes oferecer haviam dado em oferta ao Senhor. Interessante notar que, absurdamente, podiam ficar de posse e administrar essa oferta. Logo, não ofertavam ao Senhor. O que faziam era não cuidar de seus pais e invalidarem o mandamento usando uma tradição como desculpa. Jesus foi bem claro ao dizer que estavam anulando a palavra de Deus por causa de suas tradições.

Continua, chamando aqueles homens de hipócritas. Sinceramente, estou boquiaberta. Fico olhando, paralisada e maravilhada. Esse é o meu Senhor. Completamente comprometido com a verdade. Corajoso. Não tem medo de “bater de frente” com os líderes religiosos de Seu tempo, mesmo sabendo da grande influência que exerciam nas autoridades civis.

Para não deixar nenhuma dúvida do que estava falando, “quem tem ouvidos, ouça”, Jesus cita Isaías. Ele é transparente como água. “Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo”... O texto é direto. Era um povo que honrava ao Senhor com os lábios, mas o coração estava longe dEle. Adoravam ao Senhor em vão. Seus ensinamentos não passavam de regras, ensinadas por homens.

Continuo com minha plaquinha levantada. Não satisfeito em dizer a verdade aos fariseus e mestres da lei, que a essa altura deviam estar com “cara de tacho”, rangendo os dentes de raiva, Jesus chama a multidão para junto de Si. Todos deviam ouvir o que iria falar. “Ouçam e entendam”, foi como começou Seu discurso.

Explica a todos que o que contamina o homem não é o que entra através da sua boca, mas o que sai. Já havia dito anteriormente que o que sai da boca é o que está no coração. E o que sai do coração é o que realmente contamina o homem.

Olho para os discípulos. Estão boquiabertos também. Meio temerosos, percebo. Acho que até suando um pouco. Se aproximam dEle e perguntam: “Sabe que os fariseus ficaram ofendidos quando ouviram isso"?. Como se Ele não soubesse.

Jesus responde que toda planta que o Pai não plantara seria arrancada. Se houvesse entre aqueles homens alguém que de fato ouvisse e entendesse, se arrependeria de suas práticas. A verdade deve ser dita. E foi além, os discípulos não deviam se preocupar com eles. Eram cegos. Guiando outros cegos. Indo diretamente para um buraco.

Pedro pediu que lhes explicasse a parábola do que contaminava o homem. Jesus demonstra espanto por ainda não terem entendido. Seus ensinamentos sempre eram voltados para o interior do homem, já estava na hora de entenderem.

Por que o que contamina o homem é o que sai do próprio homem? Tudo começa em nossos corações. Todas as palavras ditas, todos os atos, têm sua raiz no coração. É do coração que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas nascem no coração para depois tomar vida, tornar-se realidade. 

Comer sem lavar as mãos não tem o mesmo peso. Não torna o homem impuro. Apenas cerimonialmente impuro. É completamente diferente.

Os fariseus não se importavam com o coração, somente com a aparência.

O Senhor enxerga além. Dentro dos nossos corações. Onde nascem nossos pensamentos, ideias, atos. É o nosso coração, acima de qualquer coisa, que deve estar limpo. É com nosso coração que devemos nos preocupar.

Claro, vamos lavar as mãos antes das refeições, por questão de higiene, não por questão de caráter.

Ainda com minha plaquinha na mão, fico ali sentada, em meio à multidão. Como tem estado meu coração? O que tem permeado meus pensamentos? O que tem me levado a agir a cada dia? Não esqueço de lavar as mãos antes das refeições, mas tenho mantido meu coração limpo e reto diante dEle? http://www.espalhandoasemente.com/2018/08/guardando-meu-tesouro.html
http://www.espalhandoasemente.com/2018/08/como-guardar-meu-unico-bem.html
http://www.espalhandoasemente.com/2017/12/o-que-e-mais-importante-tradicao-do.html

Percebo mais uma vez que o importante é quem somos, por dentro. Por isso o conselho do sábio, Salomão, que infelizmente andou um bom tempo por aí, sem guardar seu coração.

“Acima de todas as coisas, guarde seu coração,pois ele dirige o rumo de sua vida.” – Provérbios 4.23

Qual tem sido a disposição do meu coração? E do seu?

É dessa disposição que depende toda nossa vida.

Jesus retirou-se daquele lugar e foi para a região de Tiro e Sidom. Tiro ficava na Fenícia, hoje Líbano.

Uma mulher daquele lugar foi até Ele, desesperada, gritando: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemoninhada e sofrendo muito”.

Observo essa cena com olhos arregalados. Aquela mulher não pertencia ao povo de Israel, é chamada no texto de “cananeia”. No entanto, sabia quem era Jesus. Dirigiu-se a Ele, clamando, chamando-O de Senhor e Filho de Davi.

Meus olhos quase saltam quando vejo o Senhor sequer se mexer. Não disse uma palavra. Olho atentamente. O que irá acontecer?

Os discípulos vão falar com Ele. Fico parada. Atenta. Quero ouvir. Pedem a Jesus que mande a mulher embora. Não estão aguentando o grito dela atrás deles. Minha boca fica seca. Não posso acreditar em uma cena dessas.

Uma mulher clamando misericórdia. Jesus sem responder. Os discípulos pedindo que a mande embora. Não que Ele atenda a mulher, mas que a mande embora! Meu coração está a ponto de sair pela boca. E partido. Não sei o que está acontecendo. Não entendo.

Jesus responde que foi enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel. O que está fazendo então em uma região com tantos gentios? E os outros gentios que atendeu? E Ele não é afinal, a luz para os gentios (Isaías 49.6)?

Nem sequer pisco. Aquela mulher vai sair furiosa dali, gritando horrores. Falando mal de Jesus.

Mas não. Ela O adora. De joelhos. E suplica: “Senhor, ajuda-me”!.

Como ver uma cena dessas e não me desfazer em lágrimas? Ela clama desesperadamente pela filha, que jaz endemoninhada em casa. Encontra um Jesus que se cala e depois diz que foi enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel e ela se prostra diante dEle, adorando-O.

Que diferença para os mestres da lei, fariseus e saduceus, que só se aproximavam dEle para questionamentos ridículos. Ela o adora. Fico pasma! Que mulher é essa?

Agora Jesus vai curar sua filha, penso. Não sei você, não consigo piscar. Meu coração bate na boca, prestes a saltar. Jesus responde que não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos. Meu estômago revira. Minha boca está aberta. Agora a mulher vai sair jogando poeira em cima de todos. Foi isso mesmo que ouvi? Jesus chamou a mulher de cachorrinho? Sei que os judeus costumavam chamar os gentios assim, mas esse é Jesus. Alguma coisa está errada.

Para meu total espanto, a mulher concorda com Ele. Concorda. Ela responde: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

Continuo chorando. Aquela mulher concordou que era um cachorrinho, que não pertencia ao povo de Israel, mas sabia que podia ficar com algo simples como uma migalha. Aquele era o Senhor, Filho de Davi, o Messias que devia vir ao mundo. Libertar sua filha de demônios era como uma migalha para Ele.

Meu coração acelera. Vejo algo em Seu rosto. Ele responde: “Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja”. Naquele mesmo instante, sua filha foi curada. Ufa! Esse é o Jesus que conheço. Misericordioso. Acessível a todos.

Já vi muitas explicações sobre esse texto. A mulher precisava ser tratada de seu orgulho e tantas outras coisas. Mas acredito que esse texto foi escrito para mim. Talvez para você também.

Jesus foi até aquela região, habitada por muitos gentios. Sempre curava a todos. Não ia deixar de curar. Os discípulos não se apiedaram dela. 

Será que temos agido assim também? Não suportando gritos atrás de nós clamando por socorro, clamando por Jesus?

Jesus elogiou sua fé. Era isso que queria ver? Sua perseverança? Até onde ela iria para conseguir o que queria? Até onde iria por quem amava?

Ele jamais iria até lá para não fazer nada. O único empecilho de milagres era a falta de fé, como aconteceu em Nazaré. Todos que se aproximaram dEle, com fé, receberam o que desejavam, precisavam.

Estou sentada no meio do caminho. Não consigo prosseguir agora. Preciso pensar. Sente-se comigo.

Quando os obstáculos vem, achamos que não quer nos abençoar? Desistimos, virando as costas?

Em nenhum momento aquela mulher pensou nisso. Continuou a clamar e adorar, mesmo sendo, aparentemente, rejeitada por Jesus.

Temos sido perseverantes? Temos clamado, até que ponto, por quem amamos?

Diante do não do Senhor, viro as costas emburrada ou me prostro aos Seus pés e O adoro? 
http://www.espalhandoasemente.com/2017/04/quando-deus-diz-nao.html

Diante de Seu silêncio, continuo adorando, esperando por Ele? Ou viro as costas para Aquele que sei ser o único que tem todas as respostas às minhas perguntas, abandonando-O no caminho?
Saio pisando duro quando diz algo que não me agrada? Ou me ordena a fazer algo que não concordo? http://www.espalhandoasemente.com/2015/12/naama-e-o-processo.htmll

Muito a pensar. Muito a aprender com a atitude dessa mulher. Se fosse eu naquela situação, será que agiria da mesma forma? Ou gritaria impropérios para Ele, me sentindo injustiçada, deixando que o ódio e o ressentimento tomassem conta de mim? Será que me prostraria aos Seus pés e o adoraria? Ou cuspiria a Palavra como uma arma contra Ele, dizendo que aquilo não era justo?
https://www.youtube.com/watch?v=80SJ8XHqKqM

Depois desse acontecimento,, Jesus saiu da região de Tiro e Sidon. Foi para a beira do mar da Galileia. Lá, subiu a um monte, onde se assentou.

Uma grande multidão foi até Ele. Essa multidão levou aleijados, cegos, mancos, mudos e muitos outros, que eram colocados aos Seus pés. Ele os curava. O povo ficava admirado vendo os mudos falando, os mancos curados, os aleijados andando e os cegos vendo, embora esse resultado fosse o esperado, uma vez que estavam levando aquelas pessoas até Jesus. Eles viam, se admiravam e louvavam ao Deus de Israel.

Depois de três dias, Jesus chamou Seus discípulos dizendo ter compaixão da multidão pois não tinham nada para comer. Não queria mandá-los embora com fome. Podiam desfalecer no caminho. Estavam ali há três dias!

Meu coração se ilumina diante dessas palavras. Percebo Seu cuidado com aquelas pessoas. O Senhor pode ter sido duro em muitas situações, mas também era sensível. Percebia as necessidades. Mesmo as mais simples. Quando era duro, era por Seu compromisso com a Verdade. Afinal, Ele é a Verdade.

Os discípulos, parecem ter esquecido que haviam presenciado uma multidão ser alimentada com cinco pães e dois peixes e perguntam: “Onde conseguiríamos comida suficiente para tamanha multidão neste lugar deserto?". 
http://www.espalhandoasemente.com/2017/12/continuamos-nossa-viagem-atraves-do.html

Será que isso também acontece conosco? Esquecemos o que Jesus já fez? Comigo, infelizmente, sim.

Jesus não responde. Ah, como amo esse jeito dEle! Simplesmente faz outra pergunta: “Quantos pães vocês tem”?. Precisamos, desesperadamente, aprender a ver as situações como o Senhor vê. Quando falou que queria alimentar a multidão, sabia onde encontraria o alimento. Talvez a pergunta certa dos discípulos fosse "como" e não "onde". Ou com "o quê"?

Eles responderam que tinham sete pães e alguns peixes. Problema resolvido. O Senhor ordenou que a multidão se assentasse. Tomou os pães e os peixes, deu graça, partiu-os, entregou aos discípulos. E os discípulos entregaram o alimento à multidão.

Todos comeram até ficarem satisfeitos. Ainda sobraram sete cestos cheios. Eram quatro mil homens, sem contar as mulheres e crianças.

Depois que Jesus alimentou a multidão, Ele a despediu. Entrou no barco e foi para a região de Magadã.

Jesus não se importa apenas com as necessidades da nossa alma e nosso espírito. Ele se preocupa também com o nosso corpo. Que estejamos bem alimentados, que não desfaleçamos pelo meio do caminho, num lugar deserto, onde não teremos como buscar socorro e alimento. Ele nos alimenta. Nos alimenta através daqueles que são, hoje, Seus discípulos.

Nós somos responsáveis para alimentar a multidão. Nós temos os pães e os peixes necessários, que nas mãos do Senhor, se multiplicarão. Basta partir, dividir, compartilhar. É assim que Ele multiplica. Através da divisão. Nós entregamos nossos recursos a Ele, Ele abençoa, multiplica e nos devolve, para que alimentemos a outros. Tudo que é dado a Ele, é multiplicado para abençoar. Sempre.

Hoje, ficamos por aqui.

O que temos à nossa disposição que podemos entregar a Ele? É nosso dever, como discípulos, alimentar a multidão. Com o que temos, mesmo que seja pouco. Temos em nós essa mesma sensibilidade que havia em Jesus? Ou deixamos que a multidão (ou alguém) vá, sem receber o alimento, correndo o risco de desfalecer em um lugar deserto, onde não encontrará o socorro necessário?

Amanhã prosseguimos. Leremos a partir do capítulo dezesseis. Até o dezoito.

Espero você. Até lá.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mateus 14.1-36

Leitura do dia 15/10.

Na postagem anterior vimos as diversas parábolas que o Senhor Jesus contou.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/10/mateus-131-58.html

Agora, prosseguimos nossa viagem através do capítulo quatorze de Mateus.

Por esse tempo, Herodes, o tetrarca, assim chamado por ser o governador da quarta parte de uma região, ouviu falar de Jesus. Achou que era João Batista ressuscitado dos mortos.

A última vez que soubemos dele, foi quando perguntou a Jesus se era o que havia de vir ou não. Agora, Mateus relata sua morte. http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/jesus-nos-chama-aprender-com-ele.html

Herodes mandou prender e amarrar (o texto fala desse jeito) João, colocando-o na prisão, por causa de Herodias. Será que tudo isso era medo? Prender e amarrar um homem que não andava armado, que apenas falava a verdade.

Herodias era mulher de Filipe, irmão de Herodes, que morava em Roma. E Herodes a tomou como sua esposa.

João Batista, sempre falo, é um dos meus preferidos. Amo. De paixão.

Esse homem, cheio de ousadia e verdade, disse a Herodes, o tetrarca: “Não te é permitido viver com ela”.

Herodes desejava matá-lo. João era a Voz que lhe dizia a verdade, que lhe lembrava quem era. E não era nada agradável. Herodes, quero nos lembrar, o tetrarca, tinha medo de João, o batista, porque o povo o considerava profeta. Em seu aniversário, a filha de Herodias dançou e agradou a todos. Ele lhe prometeu o que quisesse, e ela, influenciada por sua mãe, pediu a cabeça de João Batista, em uma bandeja. Interessante perceber que Herodes ficou aflito, mas por causa do juramento e dos convidados, mandou matar João e o apresentou numa bandeja. Não era comprometido com a verdade ou com a justiça. Era comprometido com sua reputação. Apenas.

Os discípulos de João sepultaram-no e foram contar a Jesus. Quando Jesus ouviu o que havia acontecido, retirou-se de barco, em particular, para um lugar deserto.

Quero chamar nossa atenção para algumas coisas. A primeira é a influência que podemos, e temos, sobre as pessoas. A filha de Herodias, podia pedir o que quisesse. Que lhe fosse construído um palácio, ou que se casasse com algum nobre guerreiro interessante. Foi influenciada, por sua mãe, a pedir a cabeça de João Batista.

Herodias deveria ser um instrumento positivo de influência para a filha. Usou a filha para ser o instrumento da sua vingança.

Que tipo de influência temos sido?

João, o Batista, tinha total conhecimento de quem era. A voz. E como voz, não se calava. Denunciava a mentira, proclamando a verdade. Não importava a quem doesse. Como dizem por aí, ele “dava nome aos bois”. Não temia a verdade. Era comprometido com ela, a ponto de morrer.

Com o que somos comprometidos?

Herodes tinha medo de João porque o povo o considerava profeta. Acreditou que Jesus era João ressuscitado. Mas ficou por aí. Não se aprofundou. Não desejou realmente saber quem era um e quem era outro. Apenas informações superficiais, que não provocam qualquer mudança.

Temos procurado conhecer a verdade?

E como tem sido nosso julgamento com relação ao sucesso ou não das pessoas que nos cercam? João não escreveu um livro, não teve um filho, provavelmente não plantou uma árvore. Não empreendeu um negócio. Pertencia à linhagem dos sacerdotes, mas não servia no templo. Era a voz. Que proclamava a verdade no deserto. Estava no lugar que o Senhor o colocou. Não onde os homens acreditavam que devia estar. Cumpriu seu propósito.

Jesus testemunhou sobre ele, dizendo que “dos nascidos de mulher, ninguém foi maior que João”.
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/joao-o-batista.html
http://www.espalhandoasemente.com/2016/04/joao-batista-em-um-dia-ruim.html

Qual testemunho Jesus daria de mim? E de você?

De quem temos dado testemunho?

E quanto à filha de Herodias, seja qual for seu nome? A quem temos pedido conselhos? Analisamos os conselhos recebidos ou nem pensamos a respeito? Saímos logo pedindo a cabeça de João Batista na bandeja, nos deixando ser manipulados?

Quem são nossos conselheiros? http://www.espalhandoasemente.com/2016/03/quem-sao-os-meus-conselheiros.html

Ao ouvir sobre a morte de João, Jesus se retirou para um lugar deserto. Façamos o mesmo. Pensemos um pouco. Deixemo-nos ser consolados pelo Pai, quando preciso.

Como temos nos posicionado? Como João? Como Herodes? Como Herodias? Como sua filha? Quem dará testemunho de nós? Como será esse testemunho? Cumpriremos nosso propósito como João cumpriu?

Jesus retirou-se de barco, em particular, para um lugar deserto, após ouvir sobre a morte de João Batista.

Não conseguiu ficar muito tempo sozinho. Assim que ouviram, as multidões saíram das cidades e o seguiram a pé. Quando Jesus saiu do barco, viu a grande multidão, teve compaixão e curou seus doentes.

Como ver uma multidão sedenta, ovelhas correndo atrás de um pastor e não se compadecer?

Gosto de observar a preocupação dos discípulos. Quando estava ficando tarde, pediram a Jesus que despedisse a multidão. Afinal, estavam em um lugar deserto e precisavam se alimentar. Deviam ir aos povoados próximos para conseguir alimento.

A resposta de Jesus me deixa boquiaberta: “Eles não precisam ir. Deem-lhes vocês algo para comer”.
Sua ordem soa atual em meus ouvidos. Nós somos os responsáveis. Não podemos e não devemos despedir ninguém sem estendermos nossas mãos. Não há necessidade de irem atrás de solução. Somos nós que precisamos ter essas soluções. Mesmo que tenhamos pouco a oferecer.

Os discípulos responderam: “Tudo o que temos...” Tudo o que temos é apenas a vontade de ajudar, ou é apenas um sorriso, ou algumas roupas a doar, ou um abraço a oferecer, ou um copo de água, ou um talento para contar histórias, ou...

Prestemos atenção à resposta de Jesus: “Tragam aqui para mim”.

"Tudo o que temos" pode ser pouco, como eram aqueles dois peixes e cinco pães. Nosso papel? Levar a Jesus aquilo que temos. Ele irá abençoar, multiplicar, transformar, usar.

Jesus tomou aquele recurso, tão escasso diante de tão grande multidão. Mas era o suficiente. Mandou que as pessoas se assentassem. Deu graças. Partiu. Entregou aos discípulos. E estes, os discípulos, entregaram à multidão.

Somos os instrumentos do Senhor na terra. É através de nós que pessoas são alcançadas, abençoadas, alimentadas, transformadas. Ou não. Precisamos fazer a escolha correta.

Não podemos despedir a multidão, dizendo onde encontrar o alimento. Precisamos ser aqueles que alimentam a multidão. Mesmo se os recursos, aos nossos olhos, forem escassos. Nós alimentamos, o Senhor multiplica.

Quando repartimos, o Senhor multiplica.

Lembro que uma vez um amigo foi almoçar na casa da mamãe. Eu havia dito a ela que quando o convidasse para almoçar, devia ter muita comida, pois ele comia muito. Era enorme. Foi sem avisar. Mamãe ficou apavorada. Mas orou. Só tinha um pouco de macarrão. Fez uma deliciosa macarronada. Mas era pouca. Era tudo o que tinha. “Tudo o que temos”. Pois bem, ele comeu e comeu e ficou extremamente satisfeito. E não apenas ele, todos os que estavam à mesa. E ainda sobrou. O Senhor literalmente multiplicou aquele macarrão. Quando o compartilhamos.

Nosso papel é nos dispor. É oferecermos o que temos. É repartir. Compartilhar. O resto é com o Senhor. É pouco? Melhor ainda. Mais o Senhor irá multiplicar. E todos saberão que foi Ele e não eu ou você.

Naquele dia, os que comeram foram cerca de cinco mil homens. Sem contar as mulheres e as crianças. Imagino que, no mínimo, dez mil pessoas.

Não há limites para o que o Senhor possa fazer. Basta que nos disponibilizemos a deixar que nos use. Sempre. Ele abençoa nossos recursos. E os multiplica.

O que eu posso oferecer? O que você pode oferecer? No Senhor, temos as respostas.
http://www.espalhandoasemente.com/2016/05/eliseu-voce-e-eu-disponiveis-para.html

Após a multiplicação dos pães e peixes, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem para o outro lado, enquanto Ele despedia a multidão. Imagino-O conversando com um ou outro, dando algum conselho ou ensino em especial.

Depois da despedida, subiu sozinho ao monte para orar. Ao anoitecer, continuava ali orando. O barco já estava distante da terra. Fustigado pelas ondas, indo de encontro ao vento.

Quando já era madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Não nadando, andando.

Quando os discípulos O viram, acharam que era um fantasma. Estavam aterrorizados. Gritavam de medo. Homens barbados. Muitos pescadores experientes. Completamente aterrorizados. Achando que estavam vendo um fantasma!

Imediatamente Jesus lhes disse: “Coragem! Sou Eu. Não tenham medo!". Jesus não deixou que ficassem ali, desesperados, acreditando estarem vendo um fantasma. Não. Imediatamente se identificou. “Sou Eu”. Não falou, "sou Eu, Jesus". Apenas, "sou Eu". Eles conheciam Sua voz. E apenas ouvir "sou Eu", bastou.

Pedro, ainda desconfiado, conseguiu responder que se realmente era o Senhor, queria ir até Ele, sobre as águas. Jesus respondeu: “Venha”. Pedro saiu do barco. Andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas aí, algo aconteceu.

Ele reparou no vento. Quando reparou no vento, deixando de olhar para Jesus teve medo. Quando teve medo, começou a afundar.

Sempre que deixamos de olhar para Jesus, olhamos as circunstâncias e damos a elas mais valor que à Sua presença conosco. Como Pedro. O vento nos enche de medo. É verdade, não é fraco. É verdade, está soprando fortemente. O vento é real. É noite também. É verdade, é tudo apavorante. Mas Jesus também é real. Se olharmos para Ele, não afundaremos. Se, no entanto, repararmos o vento, real, barulhento e forte, não será possível ficar em pé. E ainda há a escuridão e as águas turbulentas.

Pedro começou a afundar. Foi inteligente. Não esperou chegar ao fundo do mar da Galileia para só então gritar por socorro. Não. Assim que começou a afundar, gritou: “Senhor, salva-me”!. E o Senhor, o nosso maravilhoso Senhor, imediatamente estendeu Sua mão e o segurou. Jesus também não esperou que Pedro afundasse. Assim que Pedro clamou, socorreu. Como sempre faz conosco. Assim que clamamos, estende a mão.

Depois de socorrer Pedro, Jesus lhe faz uma pergunta interessante: “Por que você duvidou”?, Não perguntou porque havia olhado para o vento, ou porque teve medo. Perguntou porque duvidou.

Por que duvidamos de algo? Normalmente é por não acreditarmos na pessoa em questão. Pedro duvidou de Jesus. Por isso a pergunta. Jesus não lhe deu nenhum motivo para duvidar. Nenhum. Nunca.

Apenas quando os dois entraram no barco, o vendo cessou. Seus discípulos O adoraram, reconhecendo quem Ele é.

Quantas vezes temos olhado para o Senhor, em ocasiões inusitadas e O temos confundido com um fantasma? Ou, quando vamos até Ele, paramos de enxergá-Lo e reparamos no vento? Quantas vezes duvidamos dEle, embora nunca tenha falhado?

Daqui a pouco chegaremos ao outro lado. Por enquanto, pensemos no que aconteceu com Pedro e no que acontece conosco, cada vez que duvidamos dEle.

Lembremos que "o perfeito amor lança fora todo o medo". - 1 João 4.18b

Continuemos.

Jesus e os discípulos, mais uma vez, atravessaram o mar da Galileia. Chegaram a Genesaré.

Creio que os discípulos ainda estavam impactados com o que viram nessa travessia. Aquele, de fato, era o Filho do Deus vivo. Eu estaria. E estou.

Andar sobre as águas, para mim, é algo simplesmente fantástico. Não sei nadar. Tive medo de me afogar até no Mar Morto, onde a sanilidade e a altitude baixa, nos impele a boiar.

Quando os homens daquele lugar reconheceram Jesus, espalharam a notícia em toda a região. Levaram seus doentes até Ele, suplicando-Lhe que apenas pudessem tocar na borda do seu manto. Todos que nEle tocaram, foram curados.

Jesus não conseguia mais entrar e sair em uma cidade sem ser percebido. Sua fama havia se espalhado. Quando Jesus transforma, de fato, alguém, não há como esconder.

Gostaria de lembrar aqui, de dois milagres acontecidos anteriormente. Aquela mulher, que não sabemos seu nome, e ficou conhecida pelo mal que a atormentou durante doze anos, a mulher do fluxo de sangue, tocou nas vestes de Jesus e foi curada.
http://www.espalhandoasemente.com/2015/12/uma-mulher-fraca-cheia-de-coragem.html
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/a-ousadia-de-uma-mulher.html

Essa história deve ter sido contada e recontada de tal maneira que agora as pessoas suplicam ao Senhor que toquem em Suas vestes. Não era apenas Jesus quem tocava nos doentes. Os doentes tocavam nEle. E eram curados.

Outro milagre que esse texto me lembra foi a libertação do endemoninhado gadareno. Aquele, que ninguém podia passar perto dele. Marcos nos conta em seu livro, no capítulo cinco, que após os homens daquela região pedirem a Jesus para que fosse embora, o homem estava pronto para entrar no barco e seguir a Jesus. Jesus, no entanto, falou que deveria voltar à sua família e contar o que o Senhor havia feito. Aquele homem anunciou o Senhor em toda a Decápolis (região de dez cidades de cultura grega na proximidade do mar da Galileia).
http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/porcos-ou-pessoas-o-que-importa.html

Acredito que o testemunho daquele homem alcançou a região de tal maneira que todos queriam ver Jesus, ser tocado por Ele e tocá-Lo.

Infelizmente, ao longo da história, temos visto o nome de Jesus ser usado indevidamente. Ódio foi semeado em Seu nome. Guerras foram travadas. Afastando as pessoas de Jesus, ao invés de aproximá-las. Hoje não estamos livres dessa semeadura infeliz. Continuamos vendo absurdos feitos em nome de Jesus.

Nossas vidas devem ser testemunhas do que Ele fez por nós. E Ele tem feito maravilhas. Temos contado o que nos fez? Nosso testemunho tem sido espalhado? As pessoas querem saber mais sobre Jesus depois que nos conhecem? Desejam tocá-Lo? Ser tocadas por Ele?

Como temos vivido? Nossas vidas aproximam as pessoas de Jesus? Ou as afastam dEle?

Talvez você não seja de falar muito. Não importa. As pessoas precisam ver Jesus através das nossas atitudes. Atitudes impactam para sempre.

Ficamos por aqui. Observando Seus milagres. Observando que simplesmente todos, todos os que se chegaram a Ele foram curados.

Continuamos na próxima postagem. Leremos o capítulo quinze.

Espero você. Até lá.