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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mateus 1.1-2.23

Leitura do dia 11/10.

Abra sua Bíblia e vamos lá! Hoje iniciamos a leitura do Novo Testamento. Uma nova e fantástica caminhada!

Ontem lemos sobre o dia futuro de julgamento. O chamado ao arrependimento. A promessa de misericórdia. A necessidade das gerações se converterem umas às outras.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/10/malaquias-31-46.html

Leremos os três primeiros capítulos de Mateus. Na primeira postagem, apenas os dois primeiros. 

De acordo com a Bíblia de estudos e sermões de Charles Haddon Spurgeon, cada evangelho foi escrito com o objetivo único de apresentar Jesus sob as diferentes perspectivas de cada um de seus autores, de acordo com o público a quem são endereçados. Mateus não é um evangelho cronológico. É um evangelho sistemático e tópico. Didático. Pedagógico. De obscuridade e abatimento. De realeza. Oficial e estruturado. De antagonismo e rejeição judaicos, embora seja um evangelho dirigido aos judeus, com sessenta e cinco citações do Antigo Testamento (Bíblia de estudos e sermões de Charles Haddon Spurgeon, Nova Versão Transformadora, Publicações Pão Diário. Usada com permissão).

O livro inicia-se com a genealogia do Senhor Jesus, a partir de Abraão. As genealogias eram muito importantes para os hebreus. E, normalmente, só contavam com o nome do pai. Aqui aparecem cinco mulheres. Tamar, Raabe e Rute. Todas eram estrangeiras, “gentias”. No entanto, fazem parte da genealogia do Senhor Jesus. A quarta foi mulher de Urias e depois de Davi.

Diferente de nós, o Senhor não é preconceituoso. Essas mulheres foram corajosas e lutaram para mudar suas vidas, seus destinos. E o Senhor as valorizou por isso. Estão aqui, inseridas na árvore genealógica do Senhor Jesus.

A quinta mulher é Maria. Virgem, achou-se grávida do Espírito Santo. Deus precisava se tornar homem para cumprir Sua justiça. E o fez. Usando uma adolescente corajosa, que aceitou tal desafio. E um homem maravilhoso, que temia ao Senhor.

José, ainda noivo de Maria, descobriu sua gravidez. O texto não nos conta como José descobriu. Se foi Maria quem contou ou se ouviu algum comentário.

Eram noivos. O noivado naquela época era algo muito sério. Não podia ser desmanchado, a não ser através de uma carta de divórcio. Embora não houvesse relação sexual durante esse período, a noiva era considerada esposa legítima do noivo.

O texto nos fala claramente que, como José era um homem justo, resolveu anular o casamento secretamente. Dessa maneira, evitava que Maria fosse acusada publicamente de adultério e possivelmente, apedrejada até à morte.

Ele acreditava ter sido traído por Maria, no entanto, como era justo, não ia expô-la. Que homem é esse? Exatamente o homem que o Senhor poderia contar para ser o “pai adotivo” de Jesus. Um homem que podia passar por cima de seu orgulho para não prejudicar a mulher com quem deveria se casar.

Mas, assim que pensou em fazer dessa maneira, teve um sonho. Ah, quando queremos ser justos, o Senhor de alguma maneira, nos mostra a verdade e o caminho a seguir! No sonho o anjo contou que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo e ele não deveria temer tomá-la como esposa. O anjo ainda disse como a criança deveria chamar: Jesus, ou em hebraico Yehoshu’a, que significa “O Senhor é Salvação”. Ele salvaria o seu povo de seus pecados. José acreditou. Por mais loucas que essas informações pareçam ser e são, José acreditou. Ao acordar, José obedeceu ao Senhor e recebeu Maria como sua esposa.

E assim, iniciamos a leitura  do livro de Mateus. Eu, completamente apaixonada pelo Senhor, que valorizou mulheres guerreiras, e por José, um homem justo e obediente.

Se você quiser saber um pouco mais sobre a esposa de Urias, leia:
http://www.espalhandoasemente.com/2016/02/davi-e-seus-tragicos-erros.html

E se desejar saber mais sobre Raabe e Rute, leia: 
http://www.espalhandoasemente.com/2016/07/o-deus-que-acolhe-e-transforma.html
http://www.espalhandoasemente.com/2016/05/deus-nao-se-esqueceu.html

Tal qual o rei Davi, Jesus nasceu em Belém. Era necessário para que se cumprisse o que havia sido escrito pelo profeta Miqueias, em seu livro, no capítulo 5, versículo 2. 
http://www.espalhandoasemente.com/2019/09/miqueias-41-515.html

Homens sábios, vindos provavelmente da Pérsia ou do Oriente Médio, que estudavam os tempos e as estrelas, chegaram em Jerusalém perguntando onde se encontrava Aquele que era nascido o rei dos judeus. Estavam ali para adorá-Lo.

Quando o rei Herodes, rei por aliança política com Roma e não por legitimidade, ficou sabendo, perturbou-se. Imediatamente reuniu os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei, para saber onde deveria nascer o Cristo, o Ungido, o Esperado. Eles lhe informaram que seria em Belém.

Por que esses chefes dos sacerdotes e os mestres da lei não foram junto com os sábios do Oriente, para também adorar o Rei? O que adianta conhecer a lei e até ensiná-la se não segui-la, não amá-la? 

Sabiam a lei, mas ela não produzia transformação em suas vidas. Eram aliados de Herodes e estavam satisfeitos. Felizes com suas posições na sociedade. Um novo rei nascendo, ainda que legítimo, implicaria em mudança de vida, de atitude, o que muitas vezes não é nada agradável, principalmente quando se alcança uma determinada posição.

Os sábios, que não faziam parte do povo de Israel, ficaram sabendo seu destino. Continuaram seu caminho e voltaram a ver a estrela, o que fez com que seus corações se enchessem de júbilo. Seguiram-na até que finalmente parou, exatamente sobre o lugar onde estava o menino. Quando O viram, prostraram-se e O adoraram. Que lindo!

Os primeiros homens que adoraram o Senhor Jesus não faziam parte do povo de Israel! Eram estrangeiros. Fico tão empolgada com essa informação que tenho vontade de sair dançando e cantando. Fico realmente emocionada. Meu coração se enche de júbilo, quase como se eu estivesse lá, junto com eles. 

Jesus, o Desejado das Nações, Aquele que iria morrer por amor ao mundo inteiro, conforme está escrito em João 3.16. Ah e se você me conhece, sabe que tenho que dar uma pausa aqui. E chorar. E louvar. E cantar. Como diz uma música, “Ele me amou primeiro e eu O amarei para sempre”. 
https://www.youtube.com/watch?v=uIwcPcZhl-Q
https://www.youtube.com/watch?v=--LgNkYj6zE

Os sábios do Oriente além de adorá-Lo, deram-Lhe presentes. Ouro, incenso e mirra. O ouro remete à realeza, o incenso à oração (vida espiritual) e a mirra ao sofrimento, era usada para aliviar a dor. Além da simbologia, havia a parte prática desses presentes. Podiam ser facilmente carregados e trocados, vendidos por seus proprietários, em qualquer lugar.

Foram avisados em sonho para não voltarem a Jerusalém. Partiram para suas terras por outro caminho.

Depois que os sábios partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho (outro José sonhador?) e o ordenou que se levantasse e fugisse para o Egito. Herodes iria procurar o menino para matá-lo. José deveria ficar lá até o anjo lhe informar o que fazer. 

Ah, cada dia mais gosto de José. Não esperou uma semana, ou um dia que fosse. Não esperou o sol estar mais fraco ou mais forte. Levantou, ainda durante a noite. Tomou Maria e Jesus e fugiu. Foi exatamente para onde o anjo lhe instruiu. Que homem é esse? Tem minha total admiração e respeito.

Ficaram no Egito, até que Herodes morreu. Aqui também havia um propósito. Era necessário que se cumprisse o que havia sido dito pelo profeta Oseias, em Oseias 11.1a que diz “...e do Egito chamei meu filho”.

Tão logo Herodes percebeu que os sábios do Oriente não voltaram a Jerusalém para informá-lo sobre o local exato do nascimento do menino, ficou furioso. Mandou matar todos os meninos com até dois anos, em Belém e região. Mais uma profecia se cumpria sobre o nascimento de Jesus. O profeta Jeremias havia predito que Raquel choraria por seus filhos. Está em Jeremias 31.15.

Após a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu novamente em sonho a José e o instruiu a voltar para a terra de Israel. José, que não procrastinava, levantou-se e foi. Lá ficou sabendo que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes e temeu. Novamente o anjo o instrui. Foram para a região da Galileia, também chamada a Galileia dos “Gentios”, pelo número de "gentios" que ali viviam. Ficaram morando na cidade de Nazaré. Outra profecia se cumprindo.

Aqueles que deveriam esperar o nascimento de Jesus para adorá-Lo e presenteá-Lo não o fizeram. Não tiveram nem a curiosidade de ir junto com os sábios do Oriente para ver o “tal rei nascido”.

Estrangeiros, provavelmente da Pérsia ou do sul da Arábia, aguardavam a vinda do Messias, com o coração, não apenas com a teoria. Estudavam os céus. Viram a estrela que de alguma maneira apontava para esse tão aguardado nascimento e vieram adorá-Lo. Estrangeiros. Os primeiros a adorá-Lo. 
http://www.espalhandoasemente.com/2016/03/o-deus-de-todas-as-nacoes.html

Como José, filho de Israel, José, esposo de Maria, tinha sonhos reveladores. Se desejar saber mais sobre José, filho de Israel, leia: http://www.espalhandoasemente.com/2015/11/amo-filmes.html

José era um homem fascinante. Temente ao Senhor. Obediente. Ágil. Um homem que não procrastinava. Ah, como tenho a aprender com José! Um homem que confiava no Senhor. “Levanta, faz isso”, ele ia. “Levanta, faz aquilo”, ele ia. Como um coração obediente alegra ao Senhor! 
http://www.espalhandoasemente.com/2016/07/obediencia-e-chave.html
http://www.espalhandoasemente.com/2016/08/vamos-voltar-gideao-capitulos-6-e-7-de.html
http://www.espalhandoasemente.com/2018/06/amamos-jesus.html

Continuamos na próxima postagem.

Espero você. Até já.

terça-feira, 26 de março de 2019

2 Samuel 15.1-37

Leitura do dia 26/03.

Continuamos nossa caminhada pelo livro de 2 Samuel.

Nas postagens anteriores, vimos Davi errar o alvo e cair. Não cumpriu "a agenda". Cobiçou. Adulterou. Enganou. Assassinou.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-111-27.html

Natã corajosamente o repreende. Ele se arrepende. E confessa sua culpa. Havia dado a si mesmo uma sentença, de morte. Mas o Senhor o perdoou. Ainda assim, seu filho morre.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-121-31.html

Também vimos a desgraça de Tamar. A omissão de Davi. O ódio profundo em Absalão. Sua vingança. Sua fuga. Sua volta a Jerusalém. Seu afastamento de Davi. E a tentativa de reconciliação entre os dois. http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-131-22.html;
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-1323-1433.html

Agora, caminharemos pelas páginas dos capítulos quinze a dezessete.

Na primeira postagem o capítulo quinze.

Mas, ainda no capítulo quatorze, vimos Absalão pedir a Davi para matá-lo, já que não podia vê-lo. Se seu pai acreditava que havia culpa nele, que o matasse.

A Lei dizia que se um homem forçasse uma mulher a se deitar com ele, devia ser castigado. Davi se omitiu. Era seu filho. Seu filho primogênito. Absalão se ressentiu. Sua irmã foi violada. Ela, que devia ter sido acolhida e protegida por seu pai, foi morar com ele. Ele, com certeza, presenciou sua irmã morrendo a cada dia. Totalmente desolada. E não perdoou.

Seu pai devia ser seu herói. Sua omissão fez com que agisse em vingança. E continuou com o coração cheio de amargura. Viu o pai apenas depois que pediu que o matasse. Não houve reconciliação. No encontro, prostrou-se diante do rei. Não do pai. E o rei o beijou.

Não se abraçaram. Não choraram. Não compartilharam nenhuma dor. Não houve pedidos de perdão. Nada. E a raiz de amargura que penetrara em Absalão foi crescendo.

Um tempo depois de ter se encontrado com o rei, que não fizera justiça à sua irmã, filha do rei, Absalão comprou uma carruagem. Contratou cinquenta guardas. Sim. Cinquenta. Era sua guarda de honra. Para quê?

Para completar sua vingança. Para lançar sua flecha de amargura. Ainda não estava satisfeito.

A amargura é assim. Não se satisfaz com pouco. Quer sugar tudo que puder.

Todos os dias Absalão levantava cedo. Ia à porta da cidade. Ficava lá. Observando. Quando alguém apresentava uma causa para ser julgada pelo rei, ele perguntava de que cidade era aquela pessoa.

Olhe para Absalão. É o homem mais bonito de Israel. Perfeito da cabeça aos pés. Com uma carruagem. E cinquenta guardas de honra. Como não se impressionar? Como não ouví-lo?

Quando a pessoa dizia a cidade de onde era, Absalão falava que a causa que apresentara era justa e legítima. Mas o rei não tinha ninguém para ouví-la. Acrescentava que se fosse juiz, todas as causas seriam julgadas. Com justiça.

A pessoa não ia atrás do rei. “Seu representante” estava ali. E a "injustiça" de Davi ia se propagando.

Além disso, toda pessoa que tentava prostrar-se diante dele, cumprimentando-o, era impedida. Absalão tomava-a pela mão e a beijava.

Fazia isso com todos que iam ao rei procurar por justiça. Dessa maneira ardilosa, "cheia de charme", foi ganhando o coração de todos em Israel.

Não acredito na possibilidade de Davi não saber o que acontecia. Dia após dia. Durante anos! Não. Mais uma vez ele se omite. Tudo que leremos nos próximos capítulos podia, quem sabe, ser diferente, se ele tivesse se reconciliado verdadeiramente com seu filho. Ou, se antes, tivesse resolvido o caso de Amnon.

Passados quatro anos Absalão pediu ao rei para ir a Hebrom oferecer um sacrifício. Havia prometido que faria um. Se voltasse para casa.

Pelo que tudo indica, Absalão havia voltado seis anos antes. Só agora resolve cumprir seu voto?

Davi não percebeu. Assim como não percebeu a intenção de Amnon com Tamar. Nem a intenção de Absalão com Amnon.

Ah, como é triste ver um homem tão maravilhoso em tantos aspectos, ser tão displicente neste! Se fosse em nossos dias, eu pensaria que estava distraído assistindo algum filme, ou jogo. Ou no celular.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Que não sejamos alheios a nossos filhos. Que prestemos atenção neles. Corrigindo. Socorrendo. Amando através de ações.

Davi permite que Absalão vá a Hebrom cumprir seu voto. Ele vai. Leva duzentos convidados. De lá, envia em segredo, mensageiros por todas as tribos de Israel. Sua mensagem falava para gritarem que Absalão foi coroado rei em Hebrom, assim que ouvissem as trombetas. Seus convidados não sabiam de nada.

Absalão convida Aitofel, conselheiro de Davi, a juntar-se a ele. Em pouco tempo, muitos se uniram. E a conspiração foi se avolumando.

Logo um mensageiro chegou em Jerusalém. Davi foi informado que Israel se unira a Absalão.

Imediatamente tomou a decisão de fugir. Antes que Absalão chegasse e matasse todos os habitantes de Jerusalém. Seus conselheiros o apoiam. Ele e sua família deixam a cidade. Muitos o acompanham.

Davi ordenou que dez concubinas ficassem, para cuidar do palácio.

Eles fogem a pé. Param na última casa da cidade. Os soldados do rei passariam à frente. Sua guarda pessoal estava com ele. Além de seiscentos homens de Gate.

O comandante desses homens era Itai. Davi fala que volte. Que fique em segurança. Era um estrangeiro em exílio. Não precisava acompanhá-lo. Davi não sabia nem para onde ia. Que ficassem em paz, ele e seus parentes e que a bondade e a fidelidade o acompanhassem.

Mas Itai disse ao rei que o seguiria. Para o bem ou para o mal. E assim fizeram.

Por onde Davi e sua “comitiva” passavam, as pessoas choraram em voz alta.

Zadoque e todos os levitas foram atrás de Davi. Carregando a arca da aliança. Enquanto o povo saía da cidade, colocaram a arca no chão e Abiatar oferecia sacrifícios.

Quando todos que acompanhavam Davi saíram da cidade, ele ordenou que voltassem. Ficassem em Jerusalém. Se o Senhor se agradasse dele, voltaria a ver a arca. Em seu lugar. Segura.

Além disso, estando em Jerusalém, Aimaás e Jônatas, filhos de Zadoque e Abiatar, respectivamente, podiam lhe dar notícias de Absalão.

Eles voltam. Davi prossegue. Sobe ao Monte das Oliveiras. Andando e chorando. Sua cabeça está coberta. Seus pés descalços. Todos que estão com ele também têm a cabeça coberta.

Então, Davi foi informado de que seu conselheiro, Aitofel, estava com Absalão. Ele ora. Pede que o Senhor confunda os conselhos de Aitofel. Ele era um excelente conselheiro.

Quando Davi chega ao alto do monte, onde o povo costumava adorar, Husai, seu amigo o espera. Rasgara suas roupas e colocara terra em sua cabeça.

Davi pede que Husai fique. Que se ofereça como conselheiro de Absalão. Assim, quem sabe, consiga confundir os conselhos de Aitofel. E avisar Davi através de Aimaás e Jônatas.

Husai aceita a perigosa missão. Volta a Jerusalém. Chega na mesma hora em que Absalão está entrando na cidade.

Reparou que desde que Davi desprezou os mandamentos do Senhor, cada capítulo tem sido escrito com sangue, lágrimas, dor, tristeza e desespero? Pois é. Mais um. E essa história ainda não terminou.

Continuamos na próxima postagem.

Espero você. Até já.

2 Samuel 13.23-14.33

Leitura do dia 25/03.

Na postagem anterior vimos a triste história de Amnon e Tamar. O silencio e a inércia de Davi. E o ódio profundo de Absalão.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-131-22.html

Ainda continuamos no capítulo treze, a partir do versículo vinte e três. Até o final do capítulo quatorze.

Dois anos se passaram. Era a época de tosquia de ovelhas. Absalão vai até seu pai e pede que eles e seus irmãos festejem com ele.

Davi nega. Diz que seriam pesados para ele. Ele insiste. Até que, apesar de Davi não ir, permite a ida de seus filhos.

Absalão insiste em que Amnon também vá. Davi pergunta o motivo. Absalão continua insistindo e por fim, ele permite.

Assim como não conseguiu perceber que havia algo errado com o pedido de Amnon com relação a Tamar, agora também. Se percebeu, ignorou. Como fez com Tamar.
http://www.espalhandoasemente.com/search?q=Davi+e+seus+tr%C3%A1gicos+erros

Absalão ordena a seus homens que esperem Amnon ficar bêbado. Quando ficar, ele lhes dará um sinal para que o matem. Não precisam temer. A responsabilidade é toda dele.

Aquele ódio profundo que Absalão deixou germinar em seu coração por Amnon, por causa do que fizera a Tamar, agora encontra uma maneira de extravasar.

Amnon ficou bêbado. Seus servos o matam.

Na mesma hora, seus irmãos correm para suas mulas e fogem.

Ainda não haviam chegado a Jerusalém quando uma notícia apavorou o palácio. Um mensageiro disse que Absalão havia matado todos os filhos do rei. Que nenhum escapara.

Davi rasgou suas vestes e lançou-se ao chão. Seus conselheiros também rasgaram suas vestes.

Jonadabe, o “amigo da onça” chega neste momento. Fala a Davi que fique tranquilo. Apenas Amnon morreu. Ele tem certeza. Absalão tramava isso desde que Amnon violentara Tamar.

Enquanto isso, Absalão foge. Foi para a terra de Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur.

De repente, a sentinela do muro de Jerusalém vê muita gente descendo o monte pela estrada que vinha do oeste. Com certeza, a poeira levantava, com o galope das mulas.

Jonadabe diz a Davi que olhe, eram seus filhos. Como havia dito. Eles chegaram, soluçando de tanto chorar. O rei e seus servos choraram com eles. Amargamente.

Davi chorou muitos dias pela morte de seu filho Amnon, seu primogênito. Absalão ficou na terra de Gesur durante três anos. Depois que Davi ficou conformado com a morte de Amnon desistiu da ideia de ir atrás de Absalão.

Passado esse tempo, Joabe percebeu que o rei estava com saudades de Absalão. Mandou chamar uma mulher de Tecoa que era conhecida por sua sabedoria. Ordenou que ela fosse ao rei e lhe contasse uma história. Sua intenção era que o rei mandasse trazer Absalão de volta ao seu convívio.

Ela foi à presença de Davi e clamou por socorro. Ele perguntou o que acontecera. Ela contou que era viúva. Tinha apenas dois filhos. Um dia, os dois saíram ao campo. Brigaram. Não havia ninguém para apartar a briga. Um acabou matando o outro. Agora, sua família exigia que ela entregasse o único filho que lhe sobrara.

Davi disse que o protegeria. Que ela ficasse tranquila.

Então ela pergunta porque o rei não faz ao povo de Israel o mesmo que ele fez a ela. Afinal, “um dia todos morreremos. Nossa vida é como água que, depois de derramada na terra, não pode mais ser recolhida”.

Davi pensa naquilo e pergunta se foi Joabe quem ordenou que ela fosse até ele. Ela confirma.

Davi fala para Joabe trazer Absalão de volta. Joabe se curva com o rosto no chão, por ter obtido o favor de seu senhor, que atendeu seu pedido. E traz Absalão.

Quando Absalão volta, Davi diz que ele pode ir para sua casa, mas não deve ir à sua presença. Paia e filho não se viram.

Absalão era o homem mais elogiado por sua beleza em todo Israel. Era perfeito. Da cabeça aos pés. Tinha três filhos e uma filha. Sua filha, como sua irmã, chamava-se Tamar e, também, era muito bonita.

Dois anos se passaram. Ele ficou em Jerusalém, sem ver o rei, seu pai.

Cansou de esperar. Mandou chamar Joabe. Queria pedir-lhe que intercedesse junto ao rei. Joabe não foi. Mandou chamar novamente. Joabe recusou-se a ir. Mandou seus servos queimarem o campo de cevada de Joabe. Seu sangue era "esquentado".

Joabe foi até à casa de Absalão. Queria saber porque seus servos queimaram seu campo. Absalão respondeu que gostaria que Joabe perguntasse ao rei porque o mandara buscar se não pretendia recebê-lo. Era melhor ter ficado onde estava. Se o rei via culpa nele, que o mandasse matar.

Joabe foi a Davi e contou-lhe o que seu filho dissera. Ele, enfim, mandou chamar Absalão. Quando Absalão o viu, curvou-se com o rosto em terra. Davi o beijou.

A apatia de Davi em relação ao que Amnon fez com Tamar, custou-lhe três filhos. Amnon foi morto. A vida de Tamar acabou. E Absalão...

Que não sejamos apáticos diante de injustiças e violência. Que tomemos atitudes quando elas forem necessárias, principalmente se envolverem nossos filhos. Oremos, o Senhor nos ajudará.

Amanhã continuamos. Leremos do capítulo quinze ao capítulo dezessete de 2 Samuel.

Espero você. Até lá.

segunda-feira, 25 de março de 2019

2 Samuel 13.1-22

Leitura do dia 25/03.

Na postagem anterior, vimos Natã confrontar Davi. E seu arrependimento.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/03/2-samuel-121-31.html

Agora, continuamos através do capítulo treze. Até o versículo vinte e dois.

Ainda não me recuperei dos capítulos anteriores, e tenho que enfrentar esse. Um capítulo escrito com lágrimas, sangue, cinzas e desespero.

Absalão, o terceiro filho de Davi, tinha uma irmã muito bonita. Chamava-se Tamar. Amnon, o primogênito de Davi simplesmente apaixonou-se por ela. Ficou tão obcecado que adoeceu. Ela era virgem e ele imaginou ser impossível possuí-la.

Mas, Amnon tinha um amigo muito astuto. Jonadabe, seu primo. Era filho do irmão de Davi, Simeia. Ele percebeu que havia algum problema. Amnon, filho do rei, todos os dias, com a aparência abatida.
Amnon lhe contou que estava apaixonado por Tamar, irmã de Absalão.

Jonadabe, “amigo da onça” (sim, porque quem tem um amigo desses, não precisa de inimigo), lhe deu um conselho nojento. Que se fingisse de doente. Quando seu pai fosse visitá-lo dissesse que queria que sua irmã Tamar cozinhasse para ele.

Assim foi. Davi o visitou. Ele disse que gostaria que Tamar cozinhasse para ele. Davi não viu nada estranho no pedido. Ordenou que Tamar fosse visitar Amnon e atendesse seu pedido.

Ela foi. Cozinhou. Quando levou a comida, ele ordenou que todos saíssem. Ficaram apenas os dois. Amnon obrigou-a a lhe servir no quarto e, quando ela foi, ele a agarrou. Exigiu que fosse para a cama com ele.

Ela pediu. Implorou. Argumentou. Nada. Disse que não se fazia assim em Israel. Como ela poderia viver com tal vergonha? E ele? Cairia em desgraça. Se pedisse ao rei, ele permitiria que se casassem.

Não era o que Amnon queria. Estava apaixonado por ela. Apenas paixão. Não a amava. Por mais que ela tenha pedido, implorado e argumentado, não conseguiu livrar-se. Ele era, claro, mais forte que ela, e a violentou.

Assim que a violentou, toda sua paixão transformou-se em desprezo. Seu desprezo por ela foi maior ainda que sua paixão. Ordenou que saísse imediatamente de sua presença.

Novamente ela implorou. Pediu que não fizesse assim. Mandá-la embora seria ainda pior do que o mal que já havia lhe feito.

Amnon não quis ouví-la. Chamou seu servo. Mandou que a colocasse para fora e trancasse a porta. Foi o que o servo fez.

Tamar vestia uma túnica longa e colorida. Própria das filhas virgens do rei. Agora estava na rua. Jogada fora da casa de seu irmão. Que a violentara.

Ela rasgou sua túnica. Jogou cinzas sobre a cabeça. Cobriu o rosto com a mão. E foi embora chorando.

Absalão a viu e perguntou se era verdade que Amnon estivera com ela. Disse-lhe que ficasse calada. Que não se afligisse por causa disso.

Como se fosse possível não se afligir! Ela, uma mulher desolada foi morar na casa de seu irmão.
As filhas virgens do rei moravam com o rei. Sua vida acabou ali. Não se ouve mais nada sobre ela.

Quando Davi soube, ficou furioso. E só. Sim. Não fez absolutamente nada. Não tomou nenhuma atitude. Não ordenou que seu filho se casasse com Tamar. Não a chamou para casa. Apenas ficou furioso. Absteve-se de correção e consolo. Absteve-se de agir.

Absalão também não fez nada. Mas, a partir daquele dia, odiou profundamente Amnon. E o ódio...

É muito triste ver a vida de uma menina se desmanchar, escorrer como areia, acabar dessa maneira. É muito triste ver um pai não tomar nenhuma atitude. E ela ter que morar na casa de seu irmão.

É muito triste um irmão violentar sua irmã. É muito triste um irmão odiar o outro.

Davi cobiçou a mulher de outro. Agora seu filho cobiçou uma jovem que não poderia ter. Davi abriu uma porta em sua descendência. Que precisa ser fechada.

Não é o que vemos acontecendo ao nosso redor? Talvez até em nossa família ou conosco?

Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor! Ele é o único que tem o poder de nos curar e nos resgatar dessas dores e tristezas. O único que pode fazer uma vida que foi destruída, tornar a ser vida novamente.

É muito triste. Mas não se desespere! Há esperança para nós!

Jesus tem um convite a nos fazer: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28).

Seu descanso é real, verdadeiro. Podemos confiar nEle.

Se você ainda não leu, gostaria de convidá-lo a ler "Davi e seus trágicos erros".
http://www.espalhandoasemente.com/2016/02/davi-e-seus-tragicos-erros.html

Leia também "A ordem é: Não temas!" http://www.espalhandoasemente.com/2017/11/a-ordem-e-nao-temas.html

Continuamos na próxima postagem.

Espero você. Até já.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Gênesis 38.1-30

Leitura do dia 12/01.

Ontem caminhamos pelas páginas dos capítulos trinta e cinco a trinta e sete de Gênesis, que terminou com a venda de José por seus irmãos aos negociantes midianitas e, destes, a Potifar, oficial e capitão da guarda de Faraó, rei do Egito.
http://www.espalhandoasemente.com/2019/01/genesis-351-29.html
http://www.espalhandoasemente.com/2019/01/genesis-361-43.html
http://www.espalhandoasemente.com/2019/01/genesis-371-36.html

Hoje, continuaremos nossa leitura no capítulo trinta e oito. Iremos até o capítulo quarenta e um.

Se você é como eu, está ansioso para saber o que aconteceu com José, agora que está no Egito. De filho de Jacó para escravo de Potifar. Mas, há uma pausa.

Outra história precisa ser contada. Sobre Judá e Tamar.

Na época que José foi vendido, Judá saiu de casa. Foi morar com Hira, seu amigo. Ali viu uma mulher canaanita e casou-se com ela. Tiveram três filhos, Er, Onã e Selá.

Na época certa, Judá arranjou o casamento de Er. Sua mulher chamava-se Tamar.

Er era perverso aos olhos do Senhor. A tal ponto que o Senhor tirou-lhe a vida.

Sua morte foi antes de ter um filho.

Havia uma lei àquela época que, quando o marido morria sem deixar herdeiros, a mulher deveria ser desposada por seu irmão para que este gerasse descendente ao morto. O primeiro filho deste casamento seria herança do irmão morto.

Essa lei protegia a mulher que, assim não ficava desamparada. Sem marido, sem herança, sem filho, sem alguém para cuidar dela.

Quando Er morreu, Judá ordenou que Onã casasse com Tamar, como era exigido, e gerasse um herdeiro para seu irmão.

Onã não estava disposto. Não queria ter um filho que não seria seu herdeiro.

Cada vez que deitava com Tamar, derramava seu sêmen no chão, evitando que ela engravidasse.

O Senhor, que enxerga nossos corações, considerou má a atitude de Onã. Por isso, tirou-lhe a vida.

Judá ordenou que Tamar voltasse para a casa de seu pai e ficasse lá até que Selá, seu filho caçula estivesse em idade para se casar com ela.

Isso não era inteiramente verdade. A verdade é que Judá tinha medo que Selá também morresse e ele ficasse sem um único filho.

Tamar foi para a casa de seu pai. Os anos passaram. Selá tornou-se adulto. E a lei para com a viúva de Er não foi cumprida.

A mulher de Judá morreu. Ao término do luto, ele e seu amigo foram a Timna para fiscalizar a tosquia de suas ovelhas. Informaram a Tamar.

Tamar, que estava na casa de seus pais, trocou rapidamente suas roupas de luto. Colocou um véu e ficou sentada junto à entrada da vila de Enaim, a caminho de Timna.

Quando Judá a viu, acreditou que fosse uma prostituta. Estava com o rosto tampado. Quis deitar-se com ela.

Tamar não lhe disse que era sua nora. Perguntou o que Judá lhe daria em troca de deitar-se com ela. Ele lhe prometeu um cabrito. Ela perguntou qual seria a garantia, uma vez que Judá não estava com nenhum cabrito em mãos.

Ele perguntou que garantia queria. Ela pediu para ficar com seu selo pessoal, o cordão onde o selo ficava e seu cajado. Esses objetos eram a "identidade" de Judá. Mas ele concordou.

Eles se deitaram. Tamar engravidou.

Judá pediu que Hira, seu amigo, levasse o cabrito até a mulher com quem havia se deitado e tomasse de volta “sua identidade”. Hira não a encontrou. Perguntou ao povo de Enaim pela prostituta que ficava no caminho de Timna. Foi informado que nenhuma prostituta ficava ali.

Voltou e contou a Judá. Judá achou melhor que ela ficasse com suas coisas. Ele havia cumprido sua palavra, mas ela não foi encontrada. Se fossem à sua procura, os habitantes da cidade zombariam dele.

Uns três meses depois foram contar a Judá que Tamar havia agido como uma prostituta e estava grávida.

Embora não cumprisse seus deveres com ela, Judá ordenou que imediatamente a levassem para fora de casa e a queimassem. Sem questionamentos. Sem misericórdia. “Tragam-na para fora e queimem-na!”

Quando estavam arrancando Tamar de casa para matá-la, ela enviou o selo, o cordão e o cajado a seu sogro. Pediu que olhasse com cuidado. O dono daqueles objetos era o pai do filho que esperava.

Judá imediatamente reconheceu seus objetos. Disse que ela havia sido mais justa que ele, que não tomara as devidas providências para se casar com seu filho.

Ele nunca mais deitou com ela. Mas agora, Tamar tinha filhos. Teve gêmeos.

Na hora do parto, um colocou a mão para fora e a parteira amarrou um cordão em seu pulso para sinalizar que era o primogênito, mas o outro conseguiu sair primeiro. Seu nome, Perez. Logo depois o outro nasceu, Zerá.

Essa interessante história é importante. Perez é um dos antepassados do Senhor Jesus. Tamar está na linhagem do Messias.

Aqui termina o capítulo trinta e oito.

Continuamos no capítulo trinta e nove, na próxima postagem. Até já.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Alguns personagens marcantes

Começamos nossa jornada através das páginas de 1 Crônicas. Vamos ler os dois primeiros capítulos.

1 Crônicas provavelmente foi escrito por Esdras. Inicia-se com genealogia.

Não se assuste. Leia. Começa em Adão.

Veja se consegue identificar alguma pessoa e o que ela fez. Ou não fez.

Aqui não constam nem Caim, nem Abel (Gênesis 4). Apenas Sete, que foi o filho que nasceu após a morte de Abel (Gênesis 5.3).

Conhece mais alguém?

Lembra de Enoque? Viveu 365 anos. Andou com o Senhor. E o Senhor para Si o tomou (Gênesis 22-24). A duração da vida de Enoque parece nos dizer que devemos andar com o Senhor todos os dias do ano. Todos os anos.

Depois vem Matusalém. O homem que mais viveu tempo na terra (Gênesis 5.27). 969 anos. Foi avô de Noé (Gênesis 5.25-29).

Noé, todos conhecem, pregoeiro da justiça (2 Pedro 2.5). Condenou o mundo por causa de sua vida, da maneira justa como vivia (Gênesis 6 e 7).

Teve três filhos. Sem, Cam e Jafé (Gênesis 5.32).

O autor passa a falar sobre os filhos desses três. Tente identificar alguém.

É importante falar de Ninrode (Gênesis 10.8-10). Primeiro homem poderoso na terra. Seu reino foi Babel, onde o Senhor confundiu a língua de todos (Gênesis 11). A ordem era espalhar-se pela terra. Quiseram chegar até ao céu.

Canaã gerou povos que se tornaram inimigos de Israel (Gênesis 10).

Pelegue foi um dos descendentes de Sem. Foi chamado assim porque em sua época a terra foi dividida. Seu nome significa Divisão (Gênesis 11.17).

Naor é descendente de Sem e pai de Abraão (Gênesis 11.24-27).

Abraão nós conhecemos. O Senhor o chamou para sair da sua terra (Gênesis 12). Teve Isaque e Ismael. Isaque foi filho de Sara, sua esposa (Gênesis 21). Ismael, filho de Hagar, serva de Sara, egípcia (Gênesis 16). Quetura, concubina de Abraão ainda lhe deu Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá, depois da morte de Sara (Gênesis 25). Você sabia?

Isaque teve dois filhos (Gênesis 25.24-26). Esaú e Israel (Jacó). Esaú gerou filhos que se tornaram reis sobre a terra de Edom, antes que os israelitas tivessem um.

O capítulo 2 nos fala dos filhos de Israel, que era chamado Jacó, até que lutou com o Anjo do Senhor e seu nome foi mudado (Gênesis 32.22-32).

Rúben, o primogênito de Israel, deitou com sua concubina (Gênesis 35.22). Perdeu a primogenitura.

Depois, vem Simeão e Levi. Mataram os heveus, por causa de Diná, irmã deles (Gênesis 34).

Er foi o primogênito de Judá. Ele praticou o que o Senhor desaprova. Morreu. Era casado com Tamar. Ela não teve filhos. Segundo a lei, Onã, o próximo filho, deveria gerar descendente para Er. Onã não quis cumprir a lei. Também morreu. Tamar teve dois filhos de Judá, Perez e Zerá. Uma história muito interessante que está em Gênesis 38.

Acã foi conhecido como “perturbador de Israel”. Causou grande desgraça à nação ao violar a proibição de se apossar de objetos sagrados quando Israel conquistou Jericó (Josué 7). Objetos anátemas, separados.

Naassom foi príncipe e líder dos filhos de Judá (Número 1.7). Seu bisneto foi Boaz (Rute 4.18-21).
Boaz foi marido de Rute. Ele gerou Obede, avô de Davi (Rute 4.22).

Selede morreu sem ter filhos (1 Crônicas 2.30), o que era uma total desgraça para o povo daquela época.

Hoje ficamos por aqui.

Viu quantas informações interessantes em uma simples genealogia, que muitas vezes achamos que são chatas de ler?

Muitas histórias nos aguardam.

Que jamais sejamos conhecidos como Acã, perturbador de Israel. Que sejamos conhecidos como pais e avós de grandes homens e mulheres de Deus.

Amanhã prosseguimos. Espero você.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

E assim começa Mateus ...

Abra a sua Bíblia e vamos lá! Capítulo 1 de Mateus.

O livro de Mateus inicia-se com a genealogia de Jesus, a partir de Abraão.

As genealogias eram muito importantes para os hebreus. E, normalmente, só contavam com o nome do pai.

Aqui aparecem cinco mulheres. Tamar, Raabe e Rute eram estrangeiras, “gentias”. No entanto, fazem parte da genealogia de Jesus. A quarta foi mulher de Urias e depois de Davi.

Diferente de nós, o Senhor não é preconceituoso. Essas mulheres foram corajosas e lutaram para mudar suas vidas, seus destinos. E o Senhor as valorizou por isso. Estão aqui, inseridas na árvore genealógica de Jesus.

A quinta mulher é Maria. Virgem, achou-se grávida do Espírito Santo. Deus precisava se tornar homem para cumprir Sua justiça. E o fez. Usando uma adolescente corajosa, que aceitou tal desafio. E um homem maravilhoso, que temia ao Senhor.

José, ainda noivo de Maria, descobriu que ela estava grávida. O texto não nos conta como José descobriu. Se foi Maria quem contou ou se ouviu algum comentário.

Eram noivos. O noivado naquela época era algo muito sério. Não podia ser desmanchado, a não ser através de uma carta de divórcio. Embora não houvesse relação sexual durante esse período, a noiva era considerada esposa legítima do noivo.

O texto nos fala claramente que, como José era um homem justo, resolveu anular o casamento secretamente. Dessa maneira, evitava que Maria fosse acusada publicamente de adultério e possivelmente apedrejada até à morte.

Ele acreditava ter sido traído por Maria, no entanto, como era justo, não ia expô-la. Que homem é esse? Exatamente o homem que o Senhor poderia contar para ser o “pai adotivo” de Jesus. Um homem que podia passar por cima de seu orgulho para não prejudicar a mulher com quem deveria se casar.

Mas, assim que pensou em fazer dessa maneira, teve um sonho! Ah, quando queremos ser justos, o Senhor de alguma maneira, nos mostra a verdade e o caminho a seguir. No sonho o anjo contou que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo e ele não deveria temer tomá-la como esposa. O anjo ainda disse como a criança deveria chamar: Jesus, ou em hebraico Yehoshu’a, que significa “O Senhor é Salvação”. Ele salvaria o seu povo de seus pecados. José acreditou. Por mais loucas que essas informações pareçam ser e são, José acreditou. Ao acordar, José obedeceu ao Senhor e recebeu Maria como sua esposa.

E assim, começo o livro de Mateus, apaixonada pelo Senhor, que valorizou mulheres guerreiras, e por José, um homem justo e obediente.

Continuamos amanhã. O que nos reservam as próximas páginas? Veremos.

Ah, se você quiser saber um pouco mais sobre a esposa de Urias, leia
http://www.espalhandoasemente.com/2016/02/davi-e-seus-tragicos-erros.html.

E se desejar saber mais sobre Raabe e Rute, leia http://www.espalhandoasemente.com/2016/07/o-deus-que-acolhe-e-transforma.html  e http://www.espalhandoasemente.com/2016/05/deus-nao-se-esqueceu.html

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Absalão e sua destrutiva amargura


Prosseguindo em II Samuel. Absalão, filho de Davi. Outro que tinha tudo para dar certo. "Pai da paz".

Imagino um homem sensí­vel, inteligente, simpático. Pessoas gostam de pessoas bonitas. A Bí­blia diz que não havia outro homem tão belo em todo o Israel. Era elogiado por todos pela sua beleza. Davi pela sua conduta. Beleza não faz caráter, infelizmente, por mais que gostemos.

Absalão esteve presente quando Tamar, sua irmã, foi covardemente humilhada. Estendeu-lhe a mão. Ofereceu sua casa. O texto, porém, fala que Tamar, arrasada, ficou sozinha, na casa de Absalão. O que ela precisava era do cuidado do pai. Absalão não podia lhe dar isso. E percebeu. Era o papel de seu pai.

Seu coração fermentava de ódio. Durante dois longos anos, alimentou dia e noite em seu coração, a vingança. Como pedrinhas de areia em sua boca. Dia após dia. 

Absalão também sabia esperar. Precisamos aprender a esperar, é verdade, mas temos que saber o que esperar. Somos terreno fértil.  A raiz da amargura brota sutilmente em nós. Pode começar por um senso de justiça. "Tenho que fazer algo quanto a isso." Ou "isso não é justo". Mas na verdade, o que essa raiz deseja é se tornar uma grande árvore de vingança e destruição.

Com o discurso de "faço questão de união fraternal", união essa que só pode ser exercida através de amor e perdão, Absalão reuniu todos os irmãos em sua casa para uma “festa” e ordenou que seus servos matassem Amnon, o primogênito de seu pai. Assumiu toda a culpa. “Fui eu! Eu me vinguei. Esperei dois anos que algo acontecesse. Que o rei tomasse uma providência. Nada aconteceu. Eu agi”.

Mais uma vez Davi se alienou do problema. Sabia o que Amnon havia feito a Tamar. Impossível não ter ouvido que Absalão havia feito uma promessa de matá-lo. Absalão organiza uma reunião, faz questão da presença de Amnon e Davi não desconfia de nada!

Após a morte de Amnon, Absalão permanece exilado três anos. Davi sente saudades. Joabe percebe. O traz de volta. Mas não houve concerto. Não houve perdão. Perdão significa "cobrir". Per+doar = doar acima de tudo. Não acontece isso. Davi ficou em seu palácio e não recebeu Absalão. Dois anos inteiros!

A essa altura, a raiz já havia se transformado numa amarga árvore, cujos frutos em breve seriam provados por todos. Absalão era astuto. Vingança virou sua especialidade. Levantava-se ao raiar do dia, "plantava-se", como a grande árvore de amargura que havia se tornado, à beira da estrada principal. Abordava as pessoas e gerava nelas a mesma amargura. "A tua causa é válida, mas não há nenhum representante do rei que te escute. Quem me dera ser juiz. Eu lhe faria justiça”. O povo sabia sobre Tamar. Absalão agiu. O rei não. Absalão seduziu o coração de Israel, conquistando a lealdade do povo, amargurado por falta de justiça. Um passo para tomar o trono. E ele não exitou. Amargura é alimentada por vingança, não justiça. E ele se vingou.

Seu desejo de fazer as coisas por si era tão forte que erigiu um monumento a si mesmo, dizendo que não tinha nenhum filho para conservar sua memória. Tinha três! Mas a amargura leva à solidão. Vingança é um prato que se come frio e sozinho. Detesto comida fria. Detesto comer sozinha. Não há sabedoria nisso. Provérbios 18.1 fala: “O solitário busca seu próprio interesse e rebela-se contra a verdadeira sabedoria”.

O perdão é maravilhoso e a amargura, que é a contramão, é devastadora! Meu coração chora por Absalão. Por ter perdido sua vida. Seus talentos e dons. Sua raiz de amargura, transformou-se em uma enorme árvore. De frutos envenenados. E Absalão morre, agarrado à sua amargura. Suspenso entre os galhos de uma árvore. Presa fácil para lhe encravarem lanças ao peito.

Quem seríamos, se não fosse o maravilhoso perdão do nosso Pai?

Que não nos deixemos envolver pela amargura, por mais que os motivos pareçam corretos. Que a ordem das nossas vidas seja o amor, a conexão, a doação, a inclusão, o perdão. Que o Senhor nos guarde da procrastinação. Que aprendamos a confrontar sempre que necessário, em amor, para não cooperarmos com a frutificação de nenhuma raiz de amargura.

E que possamos caminhar pela vida, com leveza e amor.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Davi e seus trágicos erros


Continuamos percorrendo as páginas de II Samuel. E lendo um pouco mais da vida de Davi.

Vamos, hoje, focar no que não devemos fazer. Em suas escolhas erradas, desastrosas e terríveis. 

Apesar de tudo que fez ou não fez quando deveria ter feito, imito o Pai e recordo-me de seu exemplo positivo. Continuo dando a ele o lugar de meu preferido. Homem, que erra e se arrepende.

Saul havia prometido sua filha mais velha àquele que vencesse o gigante Golias. Davi afirma ao rei que não era digno. Saul então, não a entrega a Davi. Simples assim. Quanto perdemos por esquecer quem somos em Deus! Ele estava certo quando disse que não era pouca coisa ser genro do rei. Mas errado quando esqueceu que era o rei ungido. Era uma grande coisa Merade, filha de Saul, ser sua esposa, o futuro rei de Israel. Enfim, saiu perdendo. Assim como perdemos todas as vezes que dizemos "Não posso, não tenho, não sou", quando Deus diz: "Você pode. Você tem. Você é".

Mical, a outra filha de Saul, entra em cena. Dizendo-se apaixonada. Paixão. É bem diferente de amor. Com toda certeza, não vale a pena. Continuo com vontade de esganá-la. Mical amava aquele Davi que todos viam. O Comandante do exército de Israel. O que tinha boa aparência. O que era mencionado nas canções. Não quem realmente ele era. Não a ponto de fugir com ele. De arriscar sua vida por cavernas e desertos. E aqui, quando mais uma vez surge a oportunidade dele ser genro do rei, me decepciono, quando novamente diz que era pobre, de família e condição humilde. E daí? Era o rei ungido do Senhor. Mas, para provar seu valor, mata duzentos filisteus, quando o rei havia pedido cem, como dote para o casamento. Cem era muito. Na verdade, uma cilada para matá-lo. Davi mata duzentos. E­ se redime comigo. Tudo bem. Posso esquecer essa bobagem que falou. Mas não se redime por ter matado aqueles homens e sim por ter atendido mais uma exigência de Saul. Para mim, ainda o que conta é ele ter enfrentado o leão para salvar sua ovelhinha. Quando ninguém estava vendo. E arrancá-la de sua garganta.

Os anos passam. Davi torna-se rei. E num belo dia de primavera, quando os reis costumavam sair para as batalhas, o rei Davi enviou Joabe, o chefe de seu exército, e seus guerreiros. E permaneceu em Jerusalém. Seu erro começa aqui. Não estava no lugar aonde deveria estar. O exército de Israel acampado em guerra. O rei dormindo tranquilamente, após o almoço. Foi passear no terraço do palácio real. Ele olha. Vê uma mulher tomando banho. Acha-a bonita. Chama alguém para lhe dizer quem ela era. Informam que é a esposa de seu servo, Urias. 

Urias, um de seus valentes, homem guerreiro e leal. Davi poderia ter saído do terraço. Corrido como José. Mas não. Ela era casada. Esposa de seu guerreiro. Aquelas palavras ecoaram, com certeza, em sua mente. Mais uma chance de sair do terraço. De correr. De pegar sua harpa e compor uma canção, prostrado aos pés de seu Senhor. Mas não. Usando seu poder de rei, manda trazê-la. E deita-se com ela. Meu coração chega a doer. Imagina o de Deus.

A guerra continua. Os dias passam. Davi continua em Jerusalém. Bete-Seba lhe informa que está grávida. Davi manda chamar Urias. Que homem esse Urias! Não se deita com sua mulher! Seria uma deslealdade para com Deus. Para com o exército de Israel. Seria como beber a água que Davi derramou, quando seus valentes a trouxeram de Belém.

Como está escrito, um abismo chama outro. E ao adultério, Davi acrescenta o assassinato de um leal e valoroso soldado.

Como o Senhor falou a Caim, o pecado está á porta, mas temos que dominar sobre ele. Nosso inimigo nunca vai desistir de nos tentar, das mais variadas formas. Por isso é tão importante estarmos em Deus. Com nossos olhos nEle. Ouvindo Sua voz. Obedecendo-lhe. Escolhendo-O todos os dias. O dia todo. Caso contrário, somos presas fáceis.

O lindo é que Davi confessa e se arrepende. E não tem como não admirar sua atitude com relação ao filho dele e de Bete-Seba. Yahweh disse que a criança morreria. Davi se humilha diante do Senhor. Com clamor e jejum. Sete dias. A criança morre. Ele ouve um sonoro não de Deus. Claro que doeu. Mas imediatamente se levanta. Toma um banho. Perfuma-se. Troca suas roupas. Entra no Santuário. Adora ao Senhor. Volta para casa. Não fica se lamentando. Não fica lambendo suas feridas. Recordando-se de sua dor. Alimenta-se. Consola Bete-Seba. 

Ter aprendido a ouvir o não do Senhor e ainda assim adorá-Lo agradou o coração de Deus, que lhe deu outro filho. Um filho que o Senhor "muito amou". O Senhor o amou tanto que mandou Natã até Davi para lhe falar. E, embora Davi tenha posto o nome desse filho de Salomão, o profeta passou a chamá-lo de Jedidias, "Amado do Eterno".

Ouvir um não de Deus é algo muito difícil. Principalmente nessa situação. Mas se ainda assim nosso coração for grato e confiarmos nEle, tal atitude abre portas para nos abençoar, muito além do que pedimos ou pensamos. O Senhor não apenas abençoou aquela criança, o Senhor "muito o amou".

Que aprendamos a ouvir o sim e o não do nosso Pai amoroso, com o coração grato, de um verdadeiro adorador.

O Senhor perdoou Davi, mas quanta desgraça aquela permanência no terraço lhe trouxe! Se houvesse uma maneira de voltar atrás, tenho certeza que faria. Amnon seu filho, abusa de sua filha, Tamar, e a seguir, a despreza. Para mim, uma das cenas mais tristes da Bíblia. Não consigo ler sem chorar horrores. Vejo aquela menina, linda, com o coração repleto de sonhos, que trajava uma túnica especial, longa e colorida, própria das filhas virgens do rei, sair pela rua, com cinza na cabeça, rasgando sua túnica, a mão sobre a cabeça, chorando em desespero e alta voz. No meio da rua! Seus sonhos despedaçados. Diante de todos. E vai para a casa de seu irmão Absalão. Seu lugar era na casa do pai. No colo do pai, para ser curada e consolada. Não na casa do irmão. E aí, meu coração se parte em mil pedaços. 

Davi ficou muito indignado, mas não fez nada, porque amava muito a Amnon, seu primogênito. E sua filha? Nem ao menos a chamou para casa. Sua passividade o fez perder Tamar. O fez perder Amnon, que foi morto por Absalão. O fez perder Absalão, que foi morto pelo ódio que fervia em seu coração. O fez perder o trono. Quanta desgraça atingiu sua vida! Quando Davi deveria ter fugido, ficou. Quando deveria ter agido, se esquivou. E, para mim, sua atitude para com Amnon e Tamar é muito mais terrível que o adultério e o assassinato que cometeu. Eram seus filhos. Precisavam de sua ação. De sua intervenção.

É nossa responsabilidade abençoar e proteger nossos filhos, para os projetarmos ao futuro de Deus para eles. Lançá-los como flechas ao alvo. E Davi se esquiva. Não disciplina. Não estende a mão. Não toma nenhuma atitude. Vê tudo acontecendo debaixo do seu nariz e não faz nada. Quanta coisa poderia ter sido evitada se tivesse agido como pai e não como um espectador! Louvo ao Senhor pela história toda ter sido contada, mas não consigo não ficar chocada cada vez que leio. Com o coração apertado. 

Pecado é algo devastador. Para nós! Por isso Deus nos exorta. Por nos amar. Por nos querer inteiros. E não farrapos humanos. Não por Deus ser legalista, mas por nos amar, pois sabe o que o pecado faz ao homem. 

Não sei quanto tempo havia se passado desde a história com Bete-Seba. Davi ainda estava sendo curado? Sentia-se inadequado para agir? Não sei. O pecado nos desconecta de Deus e dos homens. Choro por ele. Quero vê-lo restaurado. Dói muito aprender com o erro de quem quer que seja. É muito triste.

Que aprendamos! A fugir quando precisarmos. A agir quando necessário. Que jamais sejamos espectadores de ações covardes e humilhantes! Que sejamos agentes de mudança, como nosso Senhor Jesus nos ensinou, com Seu maravilhoso exemplo.

Que sigamos o conselho de João: "Caro filhinhos, estas palavras vos escrevo para que não pequeis. Se, entretanto, alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo!" - I João 2.1

Que fujamos do padrão demagógico de santidade, sendo sempre, em todo o tempo, completamente dependentes dEle! Que nos arrependamos sempre que necessário, retomando ao nosso lugar de filhos e santos, o que só conseguimos se estivermos nEle. Em comunhão, intimidade e vulnerabilidade diante dEle.

Que acolhamos os que caíram pelo caminho. Para que sejam curados. Restaurados.

Que o pecado nos entristeça porque O entristece. E não queremos estar longe dEle. Em tempo algum. Pelo simples fato de que Ele nos amou. Entregou-nos o Seu coração. E somos dEle. Assim como Ele é nosso. O amamos. E O queremos em nossas vidas. Sempre. A cada dia. E queremos estar inteiros. Ser inteiros. E acertar o alvo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Querendo ser um e sendo outro


Não que não faltem histórias para contar ou livros para ler. Mas, assim como você, estou "em construção". É verdade que existem áreas em que posso já estar "construída", mas nessas áreas serei testada, para ver se o alicerce é bom e se o acabamento "presta".

Mas quantas vezes queremos ser um e somos outro...

Quantas vezes quero ser o Adão que aguarda ansiosamente pela virada do dia para encontrar-se com o Senhor e acabo sendo o que vê Eva com o fruto proibido na mão e não faço nada. Fico passivamente observando. Sem tomar uma atitude correta.

Quantas vezes quero ser o Abraão que se levanta de madrugada para obedecer a Deus, sacrificando seu filho amado, sem procrastinar, mas sou como o povo de Israel que precisa ouvir dezenas, centenas de vezes a mesma ordem, para só então obedecer.

Quantas vezes quero ser o Abraão que se levanta para combater os reis que levaram Ló cativo, mas sou o Abraão covarde que tem medo de ser morto por causa da beleza de Sara e me escondo atrás de uma meia verdade!

Quantas vezes quero ser o Jacó que luta com Deus, mas sou o Jacó que se agarra a uma túnica velha suja de sangue de algum animal qualquer, acreditando que José está morto.

Quantas vezes quero ser o Davi que se desvia das lanças de Saul, mas sou o Davi que corta o manto desse mesmo Saul.

E quantas vezes quero ser o Calebe que anima o povo à conquista da terra, mas sou um dos outros dez e ao invés de olhar para o Senhor, olho para o meu tamanho e o tamanho do gigante e balanço a cabeça, já me sentindo derrotada.

Quantas vezes quero ser o Josué que pergunta a Deus, e espera Sua resposta, mas sou o Josué que não discerne que Acã pecou ou que aquele povo com aparência de cansado na verdade é um povo vizinho com quem não posso me aliançar.

Quantas vezes quero ser o Davi que diz “o Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”, mas sou o Davi que diz “o ímpio prospera” e grito: “até quando Senhor”?

Quantas vezes quero ser o Elias que enfrenta os profetas de Baal mas sou o Elias que foge de Jezabel, se esconde na caverna e anseia pela morte, sem querer sair do lugar.

Quantas vezes quero ser Ana que se prostra na casa do Senhor, clamando por um filho, ano após ano, mas na minha ansiedade me torno Tamar, procuro Judá e resolvo a situação, eu mesma!

E quantas vezes quero ser Jeremias que fala o que Deus quer, mesmo sendo lançado na prisão, mas sou Jonas e pego um navio para o lado oposto ao que Deus mandou, tentando me esconder no porão de um navio qualquer.

Quantas vezes quero ser Jairo, olhar para minha filha sem cor, estendida naquela cama, morta, e não temer, mas continuar crendo e sou aquele homem que berra angustiado: “eu creio, ajuda a minha incredulidade”.

E quantas vezes quero me tornar rei sem ter que enfrentar Golias, sem ter que fugir de Saul, sem ter que morar anos em cavernas. Mas não é possível. E quero um milagre antes de ser lançada na fornalha. Mas sou lançada assim mesmo. Quero que os leões morram todos antes de ser jogada na cova com eles. Mas eles estão bem vivos. E famintos. E tenho que enfrentá-los!

Só há um jeito de ser quem Ele quer que eu seja: meus olhos fixos nEle. Mas às vezes uma simples borboleta passa e me distraio. E depois, como é difícil voltar meu foco. E só olhar para Ele. Porque a borboleta me fez olhar para um vulcão. E tenho certeza que entrará em erupção a qualquer momento e o medo quer me paralisar! Ou olho para o mar e as ondas vão me alcançar onde estou. E isso me enche de pavor! Com certeza, vou morrer, NÃO SEI NADAR. Tudo por causa daquela minúscula borboleta. E grito e forço minhas pernas a correrem.

Então, volto meus olhos para Ele. Tudo muda, dentro de mim. O vulcão pode entrar em erupção. A onda vai me alcançar. Continuo não sabendo nadar, mas estou nos braços dEle! Daquele que faz os montes fumegarem. Daquele que sabe andar sobre as águas. E é nEle, só nEle que venço. Que sou alguém. Que tenho identidade. Que saio do esconderijo e enfrento as batalhas. E luto. E aquela mulher de 1,51 m vai para o front e faz um estrago! Por Ele. Para Ele.

O meu consolo e a minha alegria é que Deus não me ama menos nesses momentos. Ele não nos ama mais quando cremos e menos quando não conseguimos crer. Sua medida de amor se esgotou quando Ele deixou Sua glória e Se entregou por nós. Naquela cruz.

Quando acerto, é Deus em mim. É Ele que amorosamente inclina o meu coração para dar a resposta certa àquilo que se apresenta diante de mim. Sim, é verdade, eu sou a Guerreira, mas é por Ele. E vou e luto pela minha terra e pela de outros também.

Só pela minha força, estaria escondida numa caverna bem funda e secreta, esperando a guerra acabar para sair. Depois que a poeira acabasse. Não somos super-homens. Ou super-mulheres. Somos apenas pessoas que querem ouvir e obedecer a Ele. E Ele conhece nossas limitações. E nos abençoa. Ele é o Cordeiro que venceu. E tem paciência conosco. Por nos amar! Por isso, por Ele, vamos prosseguir. E continuar com nossas escolhas. E escolher ser a melhor versão de nós mesmos. E construir o nosso futuro! Um bom futuro! A cada dia. Prosseguindo. Sempre.